quinta-feira, abril 19, 2018

Pavlov e os quatro temperamentos

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Sinto pena dos cães testados por Pavlov, mas reconheço que em sua pesquisa há descobertas interessantíssimas.

Veja que interessante: ele comprovou com suas observações que existem os temperamentos descritos por Hipócrates. Pavlov usava outros nomes para eles, mas são a mesma coisa. E não somente os homens possuem estes temperamentos, os cães também.

O problema é o homem cair no mecanicismo, achando que é igual a um animal irracional. Somos parecidos sim, mas nós humanos possuímos capacidade de escolha, possuímos uma alma espiritual, imortal.

Trecho de A Luta pela Mente* (os grifos são meus):

“Trinta anos de pesquisa convenceram Pavlov de que os quatro temperamentos básicos de seus cães se assemelhavam muito àqueles diferenciados no homem pelo médico grego da Antiguidade, Hipócrates. Embora muitas combinações de padrões básicos de temperamento aparecessem nos cães de Pavlov, podiam elas ser consideradas como tais e não como novas categorias de temperamento.
O primeiro dos quatro temperamentos correspondia ao tipo “colérico” de Hipócrates, que Pavlov chamou de “excitado”. O segundo correspondia ao “temperamento sangüíneo” de Hipócrates; Pavlov chamou-o de “vivo”, sendo que os cães desse tipo possuíam temperamento mais equilibrado. A resposta normal de ambos os tipos a tensões impostas ou a situações de conflito era uma excitação crescente e um comportamento mais agressivo. Mas onde o cão “colérico”, ou “excitado”, muitas vezes se tornava incontrolavelmente selvagem, as reações do cão “sangüíneo” ou “vivo” às mesmas pressões eram dirigidas e controladas.
Nos outros dois tipos principais de temperamento canino as tensões impostas e as situações de conflito eram enfrentadas com maior passividade, ou “inibição”, ao invés de agressivamente. O mais estável desses dois temperamentos inibitórios foi descrito por Pavlov como o “tipo calmo imperturbável, ou tipo fleumático de Hipócrates”. O temperamento restante identificado por Pavlov corresponde à classificação “melancólico” de Hipócrates. Pavlov chamou-o de tipo “inibido”. Descobriu ele que um cão desse tipo demonstra tendência constitucional a enfrentar ansiedades e conflitos com passividade e controle de tensão. Qualquer pressão experimental forte sobre o seu sistema nervoso o reduz a um estado de inibição cerebral e “paralisia pelo medo”.
Todavia, Pavlov descobriu que também os outros três tipos respondiam no fim com estados de inibição cerebral, quando submetidos a mais pressão do que podiam suportar pelos meios normais. Considerou isso como um mecanismo protetor normalmente usado pelo cérebro como último recurso quando pressionado além do ponto de tolerância. Porém, o tipo “inibido” de cão era uma exceção: a inibição protetora ocorria mais rapidamente e em resposta a pressões menos intensas — uma diferença da maior significação para o seu estudo.
(...)
Ao discutir o tipo “inibido” Pavlov afirmou que, não obstante seja herdado o padrão básico de temperamento, todo cão é condicionado desde o nascimento pelas várias influências do meio que podem produzir padrões inibitórios de comportamento duradouros sob certas pressões.
O padrão final de comportamento em qualquer cão reflete, portanto, o seu próprio temperamento constitucional e padrões de comportamento específicos induzidos pelas pressões do meio.
Os experimentos de Pavlov levaram-no a tomar crescente cuidado com a necessidade de classificar os cães de acordo com seus temperamentos constitucionais herdados, antes de submetê-los a qualquer de seus experimentos mais detalhados em condicionamento. Assim foi porque respostas diferentes à mesma pressão experimental ou situação de conflito vieram de cães de temperamentos diferentes. Se um cão entrasse em colapso e apresentasse padrão de comportamento anormal, o seu tratamento também dependeria primariamente de seu tipo constitucional. Pavlov confirmou, por exemplo, que os brometos auxiliam grandemente a restauração da estabilidade nervosa em cães que entraram em colapso; mas a dose de sedativo requerida por um cão do tipo “excitado” é cinco a oito vezes maior do que a requerida por um cão “inibido” de peso exatamente igual. Na Segunda Guerra Mundial a mesma regra geral serviu para seres humanos que entraram temporariamente em colapso sob a pressão de batalha e bombardeio, e precisavam da “sedação de linha de frente”. As doses requeridas variavam grandemente de acordo com seus tipos de temperamento.
No fim de sua vida, quando estava aplicando experimentalmente suas descobertas sobre cães a pesquisas da psicologia humana, Pavlov concentrou-se no que acontecia quando a atuação sobre o sistema nervoso superior de seus cães ia além dos limites da reação normal, e comparou os resultados com relatórios clínicos sobre vários tipos de colapso mental agudo e crônico em seres humanos. Descobriu que aos cães normais do tipo “vivo” ou “calmo imperturbável” podiam ser aplicadas, sem causar colapso, pressões mais intensas e prolongadas do que àqueles dos tipos “excitado” e “inibido”.
Pavlov veio a acreditar que essa inibição “transmarginal” (também tem sido  denominada “ultradivisória” ou “ultramaximal”) que eventualmente dominou até mesmo os dois primeiros tipos — mudando-lhes dramaticamente todo o comportamento — podia ser essencialmente protetora. Quando ocorria, o cérebro não tinha senão esse meio de evitar dano em conseqüência da fadiga e da tensão nervosa. Achou um meio de averiguar o grau de inibição transmarginal protetora em qualquer
cão e a qualquer momento: através do uso da sua técnica do reflexo condicionado da glândula salivar. Embora o comportamento geral do cão pudesse parecer normal à primeira vista, a quantidade de saliva secretada dir-lhe-ia o que estava começando a passar-se em seu cérebro.”

*(A Luta pela Mente, de William Sargant. Edição eletrônica 
http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/mente.html)


terça-feira, abril 17, 2018

Estudemos sim, mas com devoção

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"Que a devoção acompanhe todo o seu estudo, e que você estude menos para ser um sábio, e mais para se tornar um santo". (São Vicente Ferrer)

Não adianta estudar tanto, saber tanto sobre encíclicas e catecismos, se no fim das contas ficamos sem virtude, alimentamos apenas o intelecto sem alimentar a alma. Nestes dias de internet, onde há tanta gente querendo ensinar os outros, é preciso pensar na frase do santo com bastante atenção.

Mais busca pela verdade por amor a Deus, e menos por orgulho intelectual. Mais oração bem feita do que muitas horas em redes sociais. Mais vontade de agradar a Deus do que agradar aos homens.


segunda-feira, abril 16, 2018

Comentários Eleison: Antilefebvrismo – II

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLXI (561) (14 de abril de 2018)




 ANTILEFEBVRISMO – II

Demos graças a Deus pelo grande presente que nos concedeu:
O Arcebispo Lefebvre, por quem a Tradição ascendeu.

Existe alguma razão pela qual NM (ver os “Comentários” da semana passada), ao lidar com o problema dos Papas Conciliares, recorre à solução dramática de declarar que eles não são Papas? Parece haver. A Igreja Católica é tanto humana (uma sociedade constituída por seres humanos) como divina (animada especialmente pelo Espírito Santo), e é importante não confundir as duas coisas. Os seres humanos, como tais, são todos falíveis. Somente Deus é infalível. O erro dos católicos que recorrem à solução dramática de NM é que eles estão atribuindo aos Papas humanos muito da infalibilidade que só pode vir de Deus. Vamos usar como exemplo algo que há em uma casa moderna qualquer.

Quando eu enfio um plugue elétrico em uma tomada na parede, a corrente elétrica não vem do plugue, mas da estação de energia através da parede, e qualquer aparelho precisa receber a corrente elétrica pela tomada no plugue. A central elétrica é Deus. A parede e a tomada são a Igreja. A corrente é a infalibilidade da Igreja, vinda de Deus. O plug são as quatro condições que somente o Papa pode inserir na tomada. Essas condições, claro, são: que ele 1) fale como Papa 2) para definir de uma vez por todas 3) uma questão de fé ou de moral 4) com a intenção de obrigar todos os católicos a aceitá-la. Através do envolvimento das quatro condições pelo Papa, ele somente e ele garantiu o acesso como ser humano à infalibilidade divina da Igreja. As quatro condições envolvem o Papa. A infalibilidade envolve Deus.

Ocorre também, é claro, que essa tomada específica, conhecida como Magistério Extraordinário da Igreja (ME), não é o único acesso dos seres humanos à infalibilidade da Igreja. Eles aderem a ela muito mais pelo Magistério Ordinário da Igreja (MO), que é a Tradição Católica, ou, o que todos os mestres da Igreja, Papas e Bispos em particular, ensinaram em todo o mundo desde que Jesus Cristo depositou esse Depósito da Fé em Sua Igreja, confirmada infalivelmente nos Apóstolos em Pentecostes e transmitida infalivelmente por eles até que o último deles morreu. A partir de então, essa doutrina passou a estar nas mãos de seres humanos falíveis, a quem Deus deixou o livre arbítrio para ensinar o erro se assim decidissem fazê-lo. Mas, se alguma vez o erro humano tornou duvidoso o que pertenceria à doutrina infalível e o que não pertenceria, Deus deu à Sua Igreja também o Magistério Extraordinário, precisamente para definir de uma vez por todas o que pertence e o que não pertence ao Magistério Ordinário. Assim, o MO está para o ME como o cão está para a cauda, ​​e não como a cauda está para o cão!

O problema de inúmeros católicos desde a definição solene em 1870 sobre a infalibilidade da Igreja é que, uma vez que o acesso do ME à infalibilidade da Igreja está automaticamente garantido de uma maneira em que o acesso do MO não o está, então o ME parece superior, e os católicos tendem a exagerar o ME e a transferir pessoalmente para o Papa essa infalibilidade que na realidade pertence automaticamente somente à Igreja. Isso significa que se o Papa cometer sérios erros como os dos Papas conciliares, então a única explicação possível é que eles não são Papas. Ou, se são Papas, então é preciso seguir seus erros. A lógica é boa, mas a premissa é falsa. Os Papas não são tão infalíveis quanto a Igreja. Eles podem cometer erros sérios, como o mostraram o Vaticano II e seus Papas Conciliares, como nunca antes em toda a história da Igreja! Mas a Igreja continua infalível, e, portanto, eu sei que a Tradição Católica durará até o final do mundo, apesar do pior que qualquer Papa fraco possa tentar fazer daqui por diante.

Mas como é que eu sei que para o Papa como Papa pertence somente o acesso privilegiado (quatro condições) à corrente elétrica (infalibilidade), e não a corrente em si que pertence à parede (a Igreja)? Porque é o que diz a própria definição de infalibilidade em 1870! Eu só preciso ler: quando o Papa cumpre com as quatro condições (mencionadas acima), ele então possui “aquela infalibilidade da qual o divino Redentor quis que gozasse Sua Igreja na definição de doutrina relativa à fé ou à moral”.

Assim, os Papas católicos têm liberdade para cometer erros terríveis, sem que a Igreja seja menos infalível.

Kyrie eleison.

Evolução da arte (1800 a 2017) - Música, Pintura e Mobiliário

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Um vídeo simples e bem humorado, mostrando em algumas imagens a evolução das artes até os dias de hoje.


quarta-feira, abril 11, 2018

Tradição ou não?

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Vez ou outra ouço gente reclamando que os tradicionalistas são complicados (perturbados, rígidos, fechados, etc.). E há os que tanto reclamam, que terminam por afastar-se da Tradição por causa de tradicionalistas.

Muito pode-ser discutir sobre o assunto, mas serei breve. Exporei somente a minha opinião.

Justamente por ser a Tradição aquela que guarda inteiro o depósito da Fé é que as pessoas pensam que deveriam encontrar somente gente equilibrada, devota, no meio tradicionalista. Mas, infelizmente, não é a realidade.

Penso que o que importa é a verdade. Se há gente louca ou fofoqueira ou o que quer que seja no meio tradicional, não me interessa tanto quanto o fato de a Tradição Católica ser boa, pois nela estão a Fé inteira, a Missa de sempre, a Doutrina Católica de fato. É assim que vejo.

Então, sou tradicionalista porque a Tradição Católica vale a pena. Por mais que haja gente perturbada (coisa que há aos montes em outros grupos, como RCC, por exemplo), eu prefiro a Tradição. 

Em todos os grupos por onde andei (seja dentro ou fora da Igreja) eu vi gente perturbada. É o mundo, é a crise espiritual, é assim. Paciência.

E digo, com todo carinho, aos que criticam: cuidado ao explicitar demais os defeitos de um grupo católico, pois pode afastar da Verdade os que precisam dela. Os que estão de fora não vão querer saber da doutrina verdadeira por medo de envolverem-se com gente da qual poderão não gostar. 

É isso o mais importante, as pessoas? Ou o mais importante é a Tradição?

segunda-feira, abril 09, 2018

Comentários Eleison: Argumento (Anti) "Lefebvrista" - I

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLX (560) (7 de abril de 2018)




ARGUMENTO (ANTI)“LEFEBVRISTA” – I


O Arcebispo Lefebvre era sábio – sua regra era de ouro,
“Reconhecer, mas resistir” não é algo tão tolo!


Para atacar os sacerdotes dominicanos franceses de Avrillé por seu “Lefebvrismo”, ou seja, por sua recusa em aceitar que os Papas conciliares desde Paulo VI não foram Papas, um leigo francês – Sr. N. M. – acaba de escrever um artigo acusando os dominicanos de rejeitarem três dogmas católicos: que o Papa tenha primazia de jurisdição sobre a Igreja Universal; que o Magistério Ordinário Universal da Igreja é infalível; que é o Magistério vivo da Igreja que determina o que os católicos devem crer. Normalmente é melhor deixar essas questões de doutrina para os especialistas em doutrina, mas os nossos tempos não são normais. Hoje, os católicos podem confiar em seu bom senso católico para decidir essas questões por si mesmos.

Olhemos para as três perguntas de maneira simples e prática. Se eu quero aceitar que os Papas foram verdadeiros Papas desde Paulo VI, por que eu deveria negar, em primeiro lugar, que o Papa é o Chefe da Igreja; em segundo lugar, que o ensino normal da Igreja é infalível; e, em terceiro lugar, que o Papa reinante me diz em que devo acreditar? Vejamos os argumentos de N. M., um por um.

Quanto ao primeiro ponto, N. M. cita o completamente antiliberal Concílio Vaticano I (1879-1871) no sentido de que o Papa é o Chefe direto e imediato de todas as dioceses, de todos os sacerdotes e de todos os católicos. Se, então, como todos os lefebvristas eu me recuso a obedecê-lo, estou implicitamente negando que ele seja meu Chefe enquanto católico, então estou negando que o Papa é o que o Vaticano I o definiu ser. Resposta: eu não estou de forma nenhuma negando que os Papas conciliares têm a autoridade para comandar-me como católico; estou apenas dizendo que sua autoridade católica não inclui a autoridade para tornar-me um protestante, como farei caso eu siga suas ordens de acordo com o Vaticano II.

Em segundo lugar, N. M. argumenta que o Vaticano I também afirmou que o ensinamento cotidiano do Papa e dos Bispos é infalível. Ora, se alguma vez tivemos um ensinamento sério do Papa e dos Bispos juntos, foi no Vaticano II. Se, então, eu recuso esse ensinamento, estou implicitamente negando que o Magistério Ordinário Universal da Igreja seja infalível. Resposta, não, eu não estou. Reconheço plenamente que quando uma doutrina é ensinada pela Igreja em quase toda parte, em todos os tempos e por todos os Papas e Bispos, ela é infalível, mas se foi ensinada apenas nos tempos modernos do século XX pelos Papas e Bispos do Vaticano II, então é contrária ao que foi ensinado pelos Papas e Bispos em todos os outros tempos da Igreja, e eu não me considero obrigado a aceitá-la. Enquanto eu aceito o MOU consistente de todos os tempos, então eu rejeito o MOU inconsistente de hoje, que o contradiz.

Em terceiro lugar, N. M. argumenta que o verdadeiro Papa tem a autoridade viva para dizer-me como católico no que devo crer hoje. Se então me recuso a acreditar no que os Papas conciliares me disseram para crer, estou rejeitando sua autoridade viva como árbitros da Fé. Resposta: não, eu não estou. Eu estou usando meus olhos para ler, e meu cérebro dado por Deus para julgar, que o que os Papas conciliares me dizem contradiz o que todos os Papas anteriores até São Pedro me disseram, e eu prefiro seguir a consistência de duzentos e sessenta e um Papas dizendo-me no que acreditar do que a inconsistência de seis Papas Conciliares. “Mas então você está rejeitando a autoridade viva do Papa reinante como árbitro da Fé!”. Somente porque eu estou seguindo, obedecendo e submetendo-me aos duzentos e sessenta e um Papas como árbitros dessa Fé que meus olhos e meu cérebro me dizem que os Papas conciliares não estão seguindo. “Mas então você está apoiando seus próprios olhos e cérebro contra o Papa católico!” Deus me deu olhos e um cérebro que funcionam, e quando eu estiver diante Dele para ser julgado, responderei pelo uso que fiz deles.

É claro que a própria resposta de N. M. ao problema dos Papas protestantes, modernizadores e conciliares é negar que eles sejam Papas. Deveria ser igualmente claro que, para o problema, que é muito real, não estou obrigado a adotar a solução drástica de N. M. Tampouco, se me recuso a adotá-la, sou obrigado a negar três dogmas da Igreja. Que a paz esteja com N. M.

Kyrie eleison.
 
          Traduzido por Cristoph Klug.



sexta-feira, abril 06, 2018

A verdade sobre as mídias sociais

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Para refletir seriamente!

"Sabe-se que redes sociais e smartphones podem viciar e provocar dependência da mesma forma que drogas pesadas, como cocaína e heroína. O mundo real perdeu seu posto de realidade concreta para a vacuidade histérica e narcisista das redes sociais. As consequências práticas disso não devem ser subestimadas. Paul Joseph Watson, que se projetou mundialmente graças a internet, faz um corajoso e necessário alerta sobre os riscos envolvidos no uso abusivo dessas tecnologias. Material importantíssimo que merece toda a nossa reflexão!" (via)


quinta-feira, abril 05, 2018

Insensibilidade causada pelo espiritismo

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"Se é verdade que hoje o espiritismo não influi mais tanto quanto antes nos brasileiros, isto se deve pela insensibilidade lógica e espiritual que ele mesmo desenvolveu através de quase um século de infiltração entre o povo católico, desfigurando sua identidade e injetando doses cavalares de sentimentalismo e falso bom mocismo no jeito de pensar nacional. Hoje vivemos entre um sem número de pessoas que mesmo não sendo kardecistas enxergam coisas, ovnis, objetos espirituais em tudo e todos, mas jamais sua própria condição social e psicológica. Espiritualmente, crêem em exus, fadas, búzios, Walter Mercado, céu dos animais (embora duvidem do céu e até mesmo do destino sobrenatural dos humanos), incensos, ferraduras e tantas outras coisas, onde Nossa Senhora Aparecida pode figurar entre elas como alguém que "não atrapalha se não ajuda". Um ateísmo prático, do qual a doutrina de Kardec serve como nascente e caixa de ressonância, dada sua condição ambígua de crer em tudo e em nada ao mesmo tempo."

terça-feira, abril 03, 2018

Comentários Eleison: Ressurreição da Igreja?

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLVIX (559) (31 de março de 2018)



RESSURREIÇÃO DA IGREJA?


Depende de cada homem, para a Igreja ressuscitar verdadeiramente,
Fazer tudo o que está ao seu alcance em sua situação de vida presente.


E o dia anterior à Páscoa deve ser um bom momento para refletir sobre como a Madre Igreja ressurgirá do estado atual que a aflige. Por nossa fé católica sabemos com absoluta certeza que ela ressuscitará, e que durará até o fim do mundo (Mt. 28, 20). Mas é um grande erro pensar que ressurgirá desta vez por meios humanos, porque aí se começa a acreditar, por exemplo, em meios humanos para ir em seu resgate, como por “discussões teológicas” ou negociações diplomáticas com seus atuais líderes no Vaticano.

Assim, as discussões teológicas de 2009-2011 não levaram a lugar nenhum, motivo pelo qual não ouvimos quase nada sobre elas desde então, o que provou que o abismo doutrinal entre a Roma conciliar e a Tradição católica não pode ser superado. E as negociações diplomáticas podem levar no máximo à mera aparência de um resgate da Tradição, porque os romanos de hoje têm 2000 anos de experiência em diplomacia, e eles não querem a Tradição, porque ela é um sério obstáculo no caminho de sua Nova Ordem Mundial, onde Nosso Senhor Jesus Cristo não tem espaço para reinar. O problema é uma rejeição generalizada de Deus por parte da humanidade em geral, e por parte de seus próprios homens da Igreja em Roma em particular.

Portanto, o problema não será resolvido por meios meramente humanos. Como o Cardeal Villot (1905-1979), um ex-secretário de Estado no Vaticano sob três Papas conciliares (1969-1979), admitiu em seu leito de morte, “humanamente, a Igreja está acabada”. E é uma falta de espírito sobrenatural, não sem certa arrogância, da parte dos atuais líderes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X argumentar, como o fazem, que a Fraternidade tem de negociar algum acordo com os oficiais da Igreja em Roma porque não há outra solução para a crise da Igreja. Esses homens realmente acham que o Senhor Deus carece de meios para resgatar Sua Igreja? Eles realmente acham que o braço de Deus foi encurtado pela iniquidade dos homens? Aqui fala Seu profeta Isaías (59, 1-3):

1. Eis que a mão do Senhor não se encolheu para não poder salvar; nem o seu ouvido ensurdeceu para não poder ouvir (as nossas súplicas). 2. Mas são as vossas iniquidades que puseram uma separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados são os que lhe fizeram esconder de vós a sua face, para não vos ouvir. 3. Porque as vossas mãos estão manchadas de sangue, e os vossos dedos, de iniquidades; os vossos lábios falaram mentira, e a vossa língua profere a iniquidade.

As iniquidades do homem são o problema. E é possível que Deus não tenha a solução? Não. E é possível que Ele queira que os homens não tenham parte em Sua solução? Não. E é possível que o que Ele queira que façam para salvar Sua Igreja seja especialmente difícil ou complicado? Não. Mas é possível que isto requeira alguma humildade? Sim, porque “Deus resiste aos soberbos, e dá a sua graça aos humildes” (Tg. 4 ,6). E isso requer alguma fé? Certamente, porque “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb. 11 ,6). E há alguma chance de que Deus não tenha comunicado à humanidade, à beira de destruir-se a si mesma, que humildade significa que Ele quer que os homens confiem e peçam-Lhe que intervenha e os salve da destruição? Não existe essa possibilidade. Então, o que de fato Ele disse à humanidade para que Sua Igreja fosse capaz de ressuscitar?

O que Ele disse foi por meio de Sua Mãe, em Fátima, em 1917, em Pontevedra, em 1925, e em Akita em 1973. Em Fátima: a Rússia deve ser consagrada ao Imaculado Coração de Maria pelo Papa com todos os Bispos católicos. Em Pontevedra: os católicos devem praticar a devoção dos Cinco Primeiros Sábados. Em Akita: os católicos devem rezar o Rosário pelo Papa, pelos Bispos, pelos sacerdotes.  São estes três pontos humildes? Sim. São sobrenaturais, requerem fé sobrenatural? Definitivamente. Algum deles é pedir muito, para que a Igreja ressuscite e para que a humanidade volte da beira da destruição? Definitivamente não. Então, que ninguém se queixe de que não haja nada que se possa fazer!

Kyrie Eleison.

Traduzido por Leticia Fantin. 

domingo, março 25, 2018

Comentários Eleison: Caos Decifrado

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLVIII (558) (24 de março de 2018)




CAOS DECIFRADO


Por meio do Rosário, por Maria, por Nosso Senhor, tratemos de fervorosamente pedir,
Ao Deus Todo Poderoso, que a Sua espada venha Ele a brandir!


O momento que antecede a Semana Santa é bom para refletir sobre a paixão (sofrimento) da Igreja Católica. Escreve um leitor: “O senhor poderia dizer-nos o que está acontecendo com a FSSPX, Dom Fellay e outros? Estamos ouvindo algumas histórias estranhas por aqui, e não sabemos bem em que acreditar. AS COISAS ESTÃO INACREDITAVELMENTE FRATURADAS – POR TODA PARTE. A partir de (1) o Novus Ordo, temos (2) a FSSPX, (3) os sedevacantistas, (4) a Resistência da FSSPX, e (5) o grupo do Pe. Pfeiffer, com mais divisões por vir, sem dúvida! Qual é a do Papa Francisco? Ele passa todo o seu tempo jogando política, não se vê nada espiritual! E ouve-se que Fellay está perseguindo um chapéu escarlate! O que isso significa?

Caro amigo, a Igreja Católica está em estado de caos, por uma justa punição de Deus, porque Sua Igreja é a “luz do mundo” e o “sal da terra”, mas em todo o mundo a humanidade está-se afastando d’Ele, incluindo até mesmo os próprios clérigos. Tampouco de nada adianta que Deus levante um bom Papa tão cedo, porque os homens da Igreja simplesmente se voltarão contra ele e o dilacerarão (Mt 7, 6), como talvez tenham feito assassinando João Paulo I. Assim, o mundo inteiro estará em trevas (não há luz) e corrupção (nem sal) até que um número suficiente de homens esteja tão esmagado pelo caos galopante de hoje que esses homens se ajoelhem para implorar a Deus em Sua misericórdia que ponha novamente de pé o Papa, que, no momento atual, como você diz, está fazendo política em vez de religião.

O Papa é crucial porque ele é a rocha sobre a qual a Igreja é construída (Mt 16, 18), de modo que se ele está fraturado por querer seguir o mundo corrupto em vez de tirá-lo de sua corrupção, então, como você diz, as coisas estão inacreditavelmente fraturadas – por toda parte”. Quando Nosso Senhor foi preso no Jardim do Getsêmani, todos os Apóstolos se dispersaram (Zc 13, 7; Mt 26, 31). Hoje o Papa Francisco está tão profundamente abatido que a autoridade em toda a Igreja está essencialmente deslocada.

O problema do Papa Francisco remonta ao Concílio Vaticano II (1962-1965), que foi quando e onde os Papas desistiram de resistir ao decadente mundo moderno e decidiram segui-lo. Até o pontificado de Pio XII (1939-1958) os Papas resistiram a essa decadência, mas ela foi tão fascinante e avassaladora que João XXIII, Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI se deixaram iludir (não sem culpa própria). Eles criaram o que você diz no número (1), o Novus Ordo, ou a Igreja Conciliar, que leva o nome da Nova Ordem da Missa que transformou inúmeros católicos em protestantes virtuais. O Papa Francisco não somente compartilha os erros desses Papas do maldito Concílio, mas também os coloca em prática da maneira mais destrutiva, causando mais caos na Igreja do que nunca.

No entanto, logo após o Concílio, Deus suscitou um Arcebispo católico para que este fundasse uma Congregação que cuidasse de todas as almas que se recusavam a abandonar a Tradição Católica que estava sendo abandonada pelos Papas e pela multidão de homens da Igreja. Esta é seu número (2), a FSSPX, ou a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que floresceu até a morte do Arcebispo em 1991. Mas antes de ele morrer apareceram também o seu número (3), os “sedevacantistas”, tão escandalizados com os Papas conciliares que se recusam a crer que sejam verdadeiros papas. E depois que o Arcebispo morreu seus sucessores mais jovens que estavam à frente de sua Fraternidade, amamentados pelo mundo moderno, sucumbiram aos mesmos erros do Concílio, notavelmente o Bispo Fellay, que bem poderia estar procurando um barrete de Cardeal como recompensa por ter corrompido a resistência da Tradição à Neoigreja. Essa traição da verdadeira resistência do Arcebispo desde o interior da Fraternidade deu origem ao seu número (4), a "Resistência" da FSSPX, na qual sacerdotes dispersos mantêm-se folgadamente unidos para manter a Fé Católica que agora está sendo corrompida tanto na FSSPX quanto no Novus Ordo. Os bons católicos anseiam por menos frouxidão, mas agora meio século de Papas conciliares quebraram essencialmente a estrutura católica. No entanto, seu (5) agora surgiu, o grupo do Pe. Pfeiffer, para o qual a (4) “Resistência” não parecia estar resistindo o suficiente.

Resumindo, dentro de todos os cinco grupos há ovelhas católicas dispersas, conhecidas por Deus, que têm a fé, o desejo e a intenção de serem católicas, mas os Papas conciliares são incapazes de unir os católicos na verdadeira Fé. E como ninguém menos que um Papa em sã consciência pode cumprir essa função, então “o que não pode ser curado deve ser suportado”, até que Deus intervenha. Para que Deus intervenha, que todos os católicos – ou não católicos! – rezem 15 Mistérios do Rosário todos os dias para que a Mãe de Deus interceda perante seu Filho.

Kyrie eleison.

quarta-feira, março 21, 2018

Padre Quevedo comenta os problemas da RCC

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Neste vídeo Padre Oscar Quevedo comenta sobre os erros da RCC. 

Assista!


domingo, março 18, 2018

Comentários Eleison: Inimigos Constantes

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLVII (557) (17 de março de 2018)

INIMIGOS CONSTANTES



Não por muito tempo os inimigos de Deus seguirão vencendo.
Uma confiança plena n’Ele ir-nos-há fortalecendo.

Muitos leitores destes "Comentários" – mas não todos, absolutamente – devem ficar chocados e incrédulos sempre que estes continuam referindo-se aos judeus como sendo uma das principais fontes dos problemas na Igreja e no mundo de hoje. Isto ocorre porque desde a Revolução Francesa (1789), quando os maçons emanciparam os judeus e lhes deram liberdade para ocupar todas as posições de influência na sociedade, os judeus, com seu controle progressivo da política, das universidades e dos meios de comunicação em particular, apossaram-se cada vez mais das mentes das pessoas, e usaram esse controle que lhes foi concedido por gentios incautos para persuadirem a todos de que os judeus são as vítimas e não a causa das tensões constantes entre eles e o resto do mundo.

No entanto, na Idade Média, quando a Fé iluminou as mentes dos homens com o Caminho, a Verdade e a Vida, os Papas Católicos e os Concílios da Igreja publicaram um grande fluxo de documentos para fazer com que os cristãos se acautelassem dos truques dos judeus, e até mesmo para proibirem os cristãos, por sua eterna salvação, de associarem-se com os eles. Isso foi meramente "antissemitismo"? Em nossos dias, um professor italiano argumentou recentemente – e ele não está só – que os judeus são a força controladora dentro do Papado e da Igreja conciliar. Segue um breve resumo do argumento do professor, que pode ser encontrado na íntegra aqui.

O neomodernismo que devasta a Igreja Católica atualmente é o modernismo condenado por São Pio X, mas com um novo elemento acrescentado: o judaísmo talmúdico. Os judeus sempre se esforçaram para neutralizar a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois se Ele não é Deus, o catolicismo não é nada, e então o principal obstáculo para o domínio mundial está fora de seu caminho. Por exemplo, por que, em 2009, espalhou-se certa fúria pelo mundo por alguns comentários na televisão sueca que lançaram dúvidas sobre a existência de câmaras de gás homicidas na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial? O problema não pode ter sido apenas o Bispo que fez as observações. De fato, o alvoroço foi concebido em parte para prejudicar a tradicional Fraternidade Sacerdotal São Pio X, à qual o Bispo então pertencia, mas principalmente para forçar o Papa Bento XVI a afastar-se daquela Tradição Católica que está em consonância com a Fé da Idade Média. Assim, o Cardeal Ruini, Vicário emérito do Papa da diocese de Roma, declarou na época: "Ninguém que negue o 'Holocausto' pode ser um Bispo católico".

O professor prossegue dizendo que um grande passo adiante para esta colocação do "Holocausto" no centro da religião católica foi dado em 1965, quando o Vaticano II declarou em seu documento Nostra Aetate que a aliança de Deus com os israelitas no Antigo Testamento ainda é válida, o que significa que a redenção por Jesus Cristo já não é mais necessária para a salvação; em outras palavras, que a Igreja Católica já não possui unicamente a Verdade completa e não é o único meio de salvação eterna. A partir disso a importância religiosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, abandonada pelo Vaticano II, foi imediatamente tomada pelos judeus e anexada ao seu "Holocausto". Por isso disse Abraham Foxman da B'nai B'rith em Nova York: "O Holocausto não é simplesmente um exemplo de genocídio, mas é um ataque quase bem sucedido contra o povo eleito de Deus; em outras palavras, contra o próprio Deus".

Assim, para os judeus, o "Holocausto" é um evento teológico, central para a nova religião que deve ser imposta ao mundo inteiro, e ante a qual todas as outras religiões devem curvar-se, a começar pelo Catolicismo. É por isso que os Bispos católicos que questionam o "Holocausto" devem ser silenciados e banidos, e a Igreja Católica deve fazer o que seus mestres talmúdicos lhe digam para fazer. E o professor italiano conclui que os "irmãos mais velhos" conseguiram-se tornar os guardiões incontestáveis da Igreja de Cristo.

Notem que esta tese exemplifica perfeitamente a afirmação de Tertuliano de que apenas a fraqueza dos católicos é a força dos judeus. A propaganda em favor do "Holocausto" decolou somente depois do Vaticano II. Antes do Concílio, as pessoas ainda tinham um pouco de bom senso para não acreditarem que cerca de duas vezes mais judeus do que o número de judeus que havia na Europa antes da guerra teriam sido exterminados.

Mas "não temais, pequeno rebanho" (Lc. 12, 32). Todo católico sabe que é Deus que terá a última palavra, e não os seus inimigos. Este final catastrófico da Quinta Idade da Igreja, através do qual estamos vivendo, está preparando o maior triunfo da Igreja em toda a sua história, e pagando adiantadamente por ele, a breve Sexta Idade, ou Triunfo do Imaculado Coração de Maria. Algum tempo depois poderá vir o maior triunfo em toda a história do mundo dos inimigos de Deus, o reinado de três anos e meio do Anticristo (Jo 5, 43), ou a Sétima Idade da Igreja. Mas logo em seguida virá a última palavra para acabar com todas as últimas palavras, o Juízo Geral, que pertence a Deus, e que restabelecerá perfeitamente a Sua justiça universal.

Kyrie eleison.

terça-feira, março 13, 2018

Os intelectuais literários: revolucionários e o Ocultismo

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Trecho do livro The Deliberated Dumbing Down of America*, de Charlotte Iserbyt, em tradução livre. Os grifos são meus:

É útil para pesquisadores de educação séria que descobriram evidência semelhante à de Billington,  ter um historiador de seu calibre confirmando a influência dessas sociedades ocultistas sobre a estabilidade da sociedade em geral e a educação em particular, ao longo dos tempos.

Fire in the Minds of Men: Origins of the Revolutionary Faith* [Fogo nas Mentes dos Homens: Origens da Fé Revolucionária] (Basic Books, Inc.: New York, 1980) foi escrito por James H. Billington, bibliotecário do Congresso dos EUA, no qual ele escreveu no capítulo 4, “As Origens Ocultas da Organização”, o seguinte:

"A história das sociedades secretas nunca pode ser totalmente reconstruída, mas tem sido negligenciada—mesmo evitada, suspeita-se—porque a evidência que está disponível repetidamente nos leva a um território igualmente indiferente aos historiadores modernos no Oriente e no Ocidente... No que se segue, eu buscarei mostrar que a tradição revolucionária moderna que se tornou internacionalizada sob Napoleão e a Restauração surgiram da maçonaria oculta; que ideias organizacionais iniciais originaram-se mais do misticismo pitagórico do que da experiência prática; e que os verdadeiros inovadores não eram tanto ativistas políticos, mas sim intelectuais literários, sobre os quais o pensamento romântico alemão em geral—e o Iluminismo Bavariano em particular—exerciam uma grande influência..." (p. 87).

E na Introdução, ele escreveu o seguinte:


"A fé revolucionária não foi moldada tanto pelo racionalismo crítico do Iluminismo francês (como geralmente se acredita) mas sim pelo ocultismo e proto-romantismo da Alemanha. Essa fé foi incubada na França durante a era revolucionária dentro de uma pequena subcultura de intelectuais literários imersos no jornalismo, fascinados por sociedades secretas e, posteriormente, apaixonados por "ideologias" como substitutas seculares para a crença religiosa".



*O livro de Iserbyt pode ser baixado aqui.

**O livro de Billington pode ser baixado aqui.


Comentários Eleison: Paternidade Hoje - III

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLVI (556) (10 de março de 2018)



PATERNIDADE HOJE – III


O Paraíso é custoso, porém inestimável,
Ainda que meus esforços eu precise redobrar!


O CE 553 (“Paternidade Hoje – I”, de 17 de fevereiro) atingiu um nervo. Não é de surpreender. O Diabo tem praticamente toda a sociedade em seu poder. O campo de batalha se mudou para aquelas famílias que ainda não estão em seu poder. Pais, não desesperem de Deus (que é o que o Diabo quer que vocês façam), mas meçam a medida da gravidade da situação e vejam a lógica das duas contramedidas propostas por Deus através de Sua Mãe para esta situação. Então façam o melhor que puderem e entreguem seus filhos nas mãos de Nossa Senhora.

Muitos leitores reagiram até agora ao “Paternidade Hoje – I”, e certamente haverá mais. Um primeiro leitor lamenta que a análise do Pe. Delagneau se encaixe exatamente em sua própria família. No dia seguinte ao Natal, no ano passado, sua filha mais velha, com apenas 20 anos, virou as costas para a família, deixou o estilo de vida tradicional católico da família “de uma vez por todas”, e se entregou ao mundo com um casamento iminente, um contrato para o qual ela não está pronta. No entanto, uma centelha de esperança é que o jovem em questão não tem religião, o que significa que ele pode encontrar seu caminho para Deus com ela com mais facilidade do que se ele tivesse alguma religião! Outra centelha de esperança é sempre que a maternidade pode trazê-la de volta à realidade, como ela fez com Marya Shatova no romanece “Os Dêmonios” de Dostoievski (que viu o mundo moderno chegar).

Uma segunda leitora, dada a precisão do retrato do Pe. Delagneau dos jovens de hoje, pergunta-se por que estes “Comentários” recomendam aos homens jovens em geral que se casem. Ela escreve que quase não há homens ou mulheres genuínos ao redor, porque “o material básico mudou”. Não seria tempo, ela pergunta, de considerar a possibilidade de que Deus deseja que mais homens e mulheres permaneçam solteiros e sofram na solidão, mas pela liberdade dos compromissos familiares terem mais tempo para a luta celibatária e para o sacrifício? No local de trabalho, ela diz que a geração crescente de trabalhadores quer dinheiro, poder e tempo livre, que eles não têm ideia, mesmo em teoria, de qualquer ethos de trabalho, e quase todos vivem em pecado, com “parceiros” ou segundos esposos ou alguma perversão ou outra coisa. “Jesus, tenha misericórdia”, conclui.

Um terceiro leitor sugere que está certo que o Pe. Delagneau recorra aos pais, mas o que a Igreja está fazendo agora para defender as famílias? Considerando que o próprio leitor tem idade suficiente para ser capaz de olhar para trás com carinho para a década de 1960, quando sua própria mãe estava sempre em casa para cuidar dos filhos, agora ele diz que poucas famílias podem sobreviver sem que a mãe tenha que sair de casa para trabalhar, e as crianças devem ser entregues aos cuidados do estado, porque a Igreja oficial está na forca, e a Tradição Católica está distante. As condições de vida para as famílias são determinadas pelo estado, que não favorece as famílias e não tem nenhuma das habilidades da Igreja para poder ajudar com os problemas humanos de uma família. Este leitor conclui que estamos escravizados, como os judeus no Egito. Mas ele também diz que, como Deus deixou as famílias na situação de hoje, deve haver algo que elas possam fazer sobre isso.

De fato. "Onde há vontade, há um caminho", diz o provérbio. E o Concílio de Trento cita Santo Agostinho no sentido de que Deus não pode abandonar uma alma que não o abandonou primeiro. Como disse Solzhenitsyn, a Rússia nunca teria caído no inferno comunista se não tivesse dado as costas a Deus. O Deus Todo-Poderoso permitiu o inferno para que a "Santa Rússia" voltasse para Ele. Demorou vários anos, mas esse retorno a Deus agora está acontecendo em toda a Rússia, mesmo que a conversão ainda não seja católica. Paciência. A Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria cuidará disso. "No sofrimento está o aprendizado". E agora famílias em todo o Ocidente consumista estão sofrendo intensamente. Paciência.

Os pais precisam acima de tudo compreender a urgência da necessidade de recorrer aos dois remédios de Nossa Senhora, o Rosário e a Devoção dos Primeiros Sábados, para fazer reparação ao seu Imaculado Coração. Pois quem pode dizer que qualquer um destes remédios é absolutamente impossível? Que os pais façam um verdadeiro esforço com ambos – cinco Mistérios com os filhos, outros dez individualmente, se possível, e o que for necessário para os Primeiros Sábados; e então, como Nossa Senhora poderia abandoná-los? Não é possível!

Kyrie eleison.

*Traduzido por Cristoph Klug.

quinta-feira, março 08, 2018

As Artes do Belo, livro do prof. Carlos Nougué

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O professor Carlos Nougué está fazendo uma campanha de financiamento coletivo para o seu novo livro "As Artes do Belo", um livro de ciência poética que retoma a doutrina de Aristóteles e de Tomás de Aquino, sem deixar de levar em conta, porém, a de Platão, a de Agostinho, a de Boécio, e ainda a de filósofos modernos, como a neokantiana Susanne Langer. Nele, mostra-se o que são as Artes do Belo, suas propriedades, seus fins; o que é o belo e se é objetivo; por que e em que se distinguem as diversas formas ou espécies destas artes; e ainda que é possível aprender a apreciá-las quando efetivamente o são, e a evitá-las quando por qualquer motivo não o são.

Assista o vídeo aqui.

quarta-feira, março 07, 2018

Hipnose na missa e os "místicos" automáticos - Parte II

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Mais um vídeo explicativo dos fenômenos carismáticos e ditos "místicos". Por Mario Umetsu, hipnoterapeuta e pesquisador de parapsicologia.

A música é importantíssima. Assista!





Baixem o material de apoio dedicado ao internauta que deseja conhecer mais sobre os reflexos condicionados e sugestão:
Boaventura Kloppenburg - explicação diversa, para leigos. Clique aqui.

Osmard Andrade Faria - explicação detalhada. Clique aqui.


Veja o primeiro, clicando aqui.

segunda-feira, março 05, 2018

Comentários Eleison: Defendendo Menzingen

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLV (555) (3 de março de 2018)



DEFENDENDO MENZINGEN    II


Por que alguns bons homens não conseguem ver onde o mal reside?
Quanto mais eles falham, mais a “Resistência” progride!

Não há dúvida de que alguns leitores destes “Comentários” não estão tão interessados em ler sobre o que lhes parecem meras disputas internas entre alguns poucos sacerdotes católicos. Que tais leitores não subestimem a importância dessas “disputas”. A religião dirige o mundo porque Deus existe, e o modo como os homens se posicionam em relação a ela (a religião) governa o modo como eles se posicionam em relação aos seus semelhantes (política). A Igreja Católica dirige a religião porque desde a Encarnação de Cristo o Catolicismo é a única religião fundada pelo único Deus verdadeiro. E a Tradição Católica dirige a Igreja Católica porque esta Igreja é tão essencialmente imutável como o próprio Nosso Senhor. E por quarenta e dois anos (1970-2012) a Fraternidade Sacerdotal São Pio X esteve na linha de frente da defesa da Tradição Católica porque era a única organização católica no mundo inteiro que efetivamente resistia à modernização infiel da Igreja pelo Concílio Vaticano II. Assim, todos os homens vivos, ateus, protestantes ou conciliaristas, especialmente sacerdotes e seguidores da FSSPX, estão preocupados com o problema de infidelidade à Tradição Católica dentro da FSSPX. Leiam, minha gente!

Outro defensor de Menzingen, o Pe. B., alistou-se nas fileiras para defender sua política de reintegração à Roma conciliar – chamá-lo-emos reconciliaristas – com um artigo na revista oficial mensal da FSSPX dos EUA. Desde que o Vaticano II separou da Verdade Católica a Autoridade Católica, que só existe para defendê-la e mantê-la, todos os católicos têm estado necessariamente mais ou menos esquizofrênicos – ou eles seguem a Autoridade e abandonam a Verdade, ou seguem a Verdade e abandonam a Autoridade, ou eles escolhem qualquer uma de uma variedade de combinações entre elas.

O fundador da FSSPX, o Arcebispo Lefebvre, escolheu a Verdade, mas manteve tanto respeito pelos detentores da Autoridade Católica quanto era compatível com a fidelidade à Verdade, e como resultado sofreu séria perseguição e condenação da parte de todos os católicos que mais ou menos preferiram a Autoridade. Ao contrário, seus sucessores na liderança da Fraternidade estão querendo devolvê-la à autoridade conciliar, daí que a partir de 2012 a Fraternidade tem sido oficialmente reconciliarista. Por essa mudança da FSSPX, da Verdade de seu fundador para a Autoridade conciliar, eles preencheram a Fraternidade de esquizofrenia, causando um movimento de “Resistência” contra seu “reconciliarismo”.

Durante a maior parte de seu artigo, o Pe. B. é católico em seus princípios, mas no fim é reconciliarista na aplicação destes. Assim, talvez para ajudar na reeleição do atual reconciliarista Superior Geral da Fraternidade, em julho, ele ataca a “Resistência”, não por sua adesão à Verdade, que é um ponto forte, mas por seu desprendimento da Autoridade Católica, em Roma e em Menzingen. Desta maneira, o Pe. B. diz, em relação a Roma, a “Resistência” existe em função de sua própria “facilidade e conveniência”, sob risco de ignorar o Papa e não reconhecer sua autoridade; em relação a Menzingen, está recusando o respeito e a obediência devidos; e ao criticar cada palavra pronunciada pelo Superior Geral, está semeando suspeitas e bloqueando os canais da graça.

Mas, Reverendo Padre, entre seus princípios católicos, o senhor mesmo reconhece a primazia da Fé. Mas, ora, o Vaticano II foi um desastre para a Fé ao tentar colocar o homem moderno no lugar de Deus. Assim, conciliarismo e reconciliarismo são ambos desastrosos, e ambos – os oficiais de Roma e o atual Superior Geral da Fraternidade – serão devidamente julgados. O problema não é a “Resistência”, que não “ignora” o Papa e certamente não está procurando sua própria facilidade e conveniência, porque é altamente desconfortável para os católicos serem privados de todo o apoio reconhecido da parte dos oficiais católicos supracitados. Assim, a “Resistência” não está nem caindo em “uma atitude cismática por si só” nem bloqueando os canais da graça. O problema é que o Concílio causa cisma, o Concílio envenena os Papas, e o Concílio sufoca a graça de Jesus Cristo. Se algo da verdadeira Fraternidade quiser sobreviver, o atual Superior Geral não deve ser reeleito, nem substituído por outro reconciliarista.

Kyrie eleison.



Traduzido por Leticia Fantin

terça-feira, fevereiro 27, 2018

Comentários Eleison: Paternidade Hoje - II

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLIV (554) (24 de fevereiro de 2018)

  

PATERNIDADE HOJE – II


Não é pouco o que vocês podem fazer, pais:
O natural, o físico e o humano, não os percam de vista jamais.

Esperamos que os pais que leram aqui na semana passada sobre a questão de se sabem o que exige a paternidade atualmente, não tenham se sentido como se estivessem sob acusações. Eles estão sob forte pressão de todo o ambiente que circunda seus filhos, e quando as almas estão sob pressão, Deus não exige que elas façam o impossível, mas apenas o que quer que lhes seja possível fazer. Assim, na Carta à segunda das sete Igrejas da Ásia, correspondente à Idade dos Mártires da Igreja (Ap 2, 8-11), o Venerável Holzhauser explica que se os católicos de Esmirna não recebem do Espírito Santo nenhuma repreensão ou censura, como ocorre com cinco das outras sete Igrejas, é porque os católicos sob perseguição precisam de encorajamento, e não de críticas.

E Deus sabe que os pais que se esforçam para salvar as almas de seus filhos estão sob perseguição, ainda não sangrenta, mas muito poderosa. Pois, quando os homens estão, por exemplo, voltando-se para a IA (Inteligência Artificial) para fazer de um robô o seu deus, então estão perdendo não só o Deus verdadeiro, mas toda noção da diferença entre uma máquina e um ser humano, sem falar da diferença entre homem e mulher ou entre pais e filhos. Como um ambiente em que há confiança na IA para garantir o seu futuro poderá propiciar alguma compreensão ou simpatia pela família tal como Deus a projetou?

Como um leitor me escreveu, o comunismo oriental tratava brutalmente qualquer um que não estivesse andando na linha, mas pelo menos o inimigo da salvação era reconhecível, enquanto o que se poderia chamar consumismo no Oriente ou no Ocidente é bastante mais sutil – em vez de brutalizar, simplesmente marginaliza, fazendo com que enquanto os verdadeiros católicos sejam "anormais", as crianças desejem ser "normais", com smartphones, como todas as outras crianças, etc. O consumismo brilha como suas luzes coloridas, e, assim, as crianças estão sendo transformadas em robôs descerebrados, inteligentes o suficiente para manipularem a tecnologia e as máquinas, mas sem nenhuma ideia das questões humanas essenciais, porque não são ensinadas a ler, nem a ler nas entrelinhas, como se fez sob o comunismo, e são privadas de todas as ferramentas do pensamento. Uma geração de marionetes androides está crescendo ao nosso redor.

Então, em contraposição ao que os pais não podem fazer, o que eles podem fazer para colocar seus filhos no caminho do Céu (será a livre escolha das crianças mais tarde se elas permanecerem ali)? Em primeiro lugar, algumas noções básicas. Deus existe, e Ele quer salvar todas as crianças, e para todos nós Ele dá a ajuda de Sua Mãe e a dos invisíveis mas poderosos Anjos da Guarda que estão do lado de todos os pais verdadeiros. Em casa, que essas realidades sobrenaturais façam parte da vida cotidiana, e que a vida cotidiana seja sobrenatural, mesmo que o senso comum dos pais impeça que as crianças sejam afastadas por um excesso artificial de religião.

Então, no plano natural, deem a seus filhos tanto tempo quanto vocês achem que eles precisam. Que o amor seja expresso e soletrado assim: T-E-M-P-O. Para que as crianças se tornem humanas elas precisam ser formadas por seres humanos, não por máquinas. E os formadores naturais das crianças são seus pais, que têm uma enorme influência natural sobre seus filhos, caso eles apenas a usem, em vez de abdicarem dela. Estabeleçam refeições familiares regulares ao redor da mesa, e nas refeições, falem. Provérbio chinês: "Instrua seus filhos na mesa, sua esposa no travesseiro". Falem sobre política, especialmente a diferença entre a realidade e o que os meios de comunicação apresentam como realidade. Advirtam as crianças para terem cuidado fora de casa, mas digam-lhes a verdade sobre o “onze de setembro” e sobre a grande farsa (entre cinco e sete milhões). Sim, contem-lhes sobre isto assim que eles forem capazes de entender (não antes), para que possam perceber o mundo de mentira no qual Deus nos colocou para viver, como um justo castigo por nossa apostasia. Adicionem sempre a dimensão religiosa, porque está sempre lá, e os filhos precisam entender que o que importa é Deus. Mas não apenas por piedade – Nossa Senhora de Fátima promove tanto o Rosário como a Consagração da Rússia.

Então, de modo mais prático, tirem o que puderem de aparelho eletrônico de dentro de casa. Ensinem aos filhos por que vocês não estão permitindo a televisão ou smartphones sob o seus tetos, e se vocês não podem ficar sem a Internet, ensinem-nos porque estão sob o bloqueio e a chave físicos (não apenas eletrônicos). E coloquem as mãos deles para trabalharem: os meninos no desmonte de uma motocicleta, ou na carpintaria; as meninas na costura e na cozinha; e todas as mãos no Rosário. E em vez de televisão, experimentem todas as noites uma leitura familiar do "Poema do Homem-Deus" de Maria Valtorta (título antigo). Ridículo? Tentem. Vocês podem simplesmente passar a achar que o "Poema" é a própria resposta de Deus à televisão!

Kyrie eleison.

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Comentários Eleison: Paternidade Hoje - I

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLIII (553) (17 de fevereiro de 2018)




PATERNIDADE HOJE – I



Pobres pais! Será que não há nada que possamos fazer?
Fiquem atentos, na próxima semana uma ou duas ideias iremos trazer.

Há quase 20 anos um sacerdote da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, mestre de uma casa de retiros inacianos na França e, portanto, em contato direto com os problemas das famílias católicas tradicionalistas, escreveu um excelente editorial sobre Como os nossos jovens estão evoluindo. Ele pinta uma imagem sombria, e infelizmente, desde então, ela só se tornou mais obscura. Não devemos desesperar, mas, por outro lado, os pais devem ver as coisas como são. Não é como se os jovens de hoje não tivessem culpa, mas os pais devem fazer todo o possível para colocá-los no caminho para o Céu, porque ainda hoje essa é a responsabilidade dos pais. Aqui está a imagem obscura, adaptada e abreviada de Revue Marchons Droit, nº 90, avril-mai-juin, 2000:

Vemos nos retiros jovens crescendo incapazes de reconstruir a Cristandade. Os sacrifícios feitos por pais e professores parecem não ter dado frutos proporcionais. Algo não está funcionando, claramente, e se não reagirmos, então dentro de duas gerações seremos engolidos pelo espírito do mundo.

Os jovens entre 18 e 30 anos de idade que observamos são profundamente ignorantes sobre a crise na Igreja e no mundo, não porque não tenham sido ensinados, mas por falta de interesse. Em termos gerais, eles seguem a linha de seus pais, mas eles não podem explicar por conta própria o que está errado com a Nova Missa, com o Vaticano II, com a Nova Ordem Mundial. Nunca tendo tido de lutar, defender suas crenças ou resistir, e nunca tendo estudado por si mesmos, quando eles conhecem o mundo, cedem facilmente. Eles querem ser como todos os outros, não querem ser diferentes, não têm a convicção pessoal de defender a Tradição Católica, e, ao invés de serem apóstolos de Cristo, pouco a pouco vão com a corrente.

Onde estarão amanhã as boas vocações, as boas famílias cristãs de que tão urgentemente precisamos? As vocações são cada vez mais raras, os casamentos tornam-se fracos ou murcham completamente, a formação amolece e a imaturidade domina. O que todos os jovens querem é aproveitar a vida. Os meninos não têm caráter, senso de responsabilidade, generosidade, autocontrole, tudo o que os pais devem inculcar neles para transformá-los em homens em quem podemos confiar para o futuro: homens casados, maduros, pensativos, trabalhadores, magnânimos. Sem homens de convicção, onde estarão os chefes de família de amanhã?
As meninas também estão sendo criadas em desordem. Em vez de prepararem-se para a maternidade e cuidarem de uma família, elas aprendem a desprezar a domesticidade, que é a sua verdadeira vocação, e são encorajadas a estudar mais e mais tempo, adquirindo assim um espírito de independência ao lado de um mundanismo que se volta para a moda, para as festas e para a música rock. Como podem as mães permitir as minissaias e calças de suas filhas, os seus vestidos indecentes em festas que são óbvias ocasiões de pecado, onde desperdiçam seu tempo e mancham a pureza de seus corações?
O resultado é que os jovens se casam aos 20 ou 22 anos, quando não estão absolutamente preparados; e logo as crianças chegam, quando eles ainda não têm ideia de como educá-las. Se eu olhar para os casais jovens que casei – na Tradição – desde a minha ordenação em 1980, graças a Deus não houve divórcios, mas devo dizer que a metade dos casamentos está por um fio, mantendo-se unidos apelas pelos “princípios católicos” dos jovens. Pais, vocês percebem o que precisam dar aos seus filhos para o futuro deles no mundo de hoje? Vocês devem, pelo amor de Deus, formar seus filhos para serem homens dignos deste nome, e suas filhas para serem mulheres dignas deste nome. Cumpram com seu dever. Caso contrário, seus filhos correm o risco de perderem suas almas, e a Cristandade estará acabada.


Não há dúvida de que Padre Delagneau esteja correto. A Cristandade está em grave perigo, nada menos que isso. Agora podemos ver por que em 2018 Deus está permitindo que a Europa, e a França em particular, seja ocupada por Seus inimigos com outros inimigos Seus? E por que Ele está permitindo que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X deslize para os braços de Seus inimigos? Ele não nos criou para cairmos no Inferno. Ele nos criou para combatermos o bom combate a fim de chegarmos ao Céu. E Ele permitirá qualquer desastre que nos distancie do caminho do Inferno e nos coloque de volta no caminho do Céu. Esperem por isso!

                                                                                                                                    Kyrie eleison.

*Traduzido por Cristoph Klug.