domingo, abril 26, 2020

Comentários Eleison: O Sepultamento da Igreja – II

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DCLXVII (667) – (25 de abril de 2020)


O Sepultamento da Igreja – II


Para que nos salvemos, que soluções devemos cultivar?
Desde Fátima, todos os católicos as conhecem.

Há duas semanas, estes “Comentários” levantaram uma pergunta dupla sobre como a Igreja Católica, em sua aflição atual, comparável ao tempo que passou Nosso Senhor entre Sua crucificação e Sua ressurreição, poderia, em primeiro lugar, sobreviver em seu “túmulo”, e depois levantar-se dele. Uma primeira parte da resposta foi, em geral, que, no que Deus Todo-Poderoso pode ou quer fazer, ele não se limita ao que os seres humanos podem pensar; de fato, espera-se que ele faça o inesperado. No quinto Mistério gozoso do Santo Rosário, sua própria mãe ficou desconsertada com a aparente indiferença à felicidade dela por parte de seu Filho, que sempre fora tão obediente.

Então, em particular, estes "Comentários" sugeriram que, embora seja absolutamente anormal que a Igreja sobreviva como estando em um túmulo praticamente sem a ajuda superior de um Papa ortodoxo ou de Bispos, sem a estrutura de uma diocese ou paróquia ou Congregação oficial, todavia, onde há a verdadeira Fé e um mínimo de bom senso e caridade, a Igreja pode sobreviver mesmo em grupos pequenos e desarticulados, pelo menos por um tempo, até que a Providência restaure uma hierarquia normal para acabar com a desordem. Por exemplo, podemos olhar para a desordem que nos rodeia hoje em dia, e podemos chegar a dizer que é o fim da Igreja; mas se Deus permitiu, é certo que não é o fim da Igreja, algo que Ele nunca poderia permitir (Mt. XXVIII, 20).

Resta a segunda parte da pergunta levantada há duas semanas, a saber: como a Igreja poderá sair de seu atual túmulo ou levantar-se dele. A pergunta tem uma importância especial, porque é tentador ver o problema de uma maneira demasiadamente humana, e procurar uma resposta demasiadamente humana. Assim, enquanto o Arcebispo Lefebvre costumava dizer que a solução está nas mãos de Deus – e essa é a verdade, e não somente uma saída fácil –, seus sucessores à frente da Fraternidade Sacerdotal São Pio X assumiram a posição de que não podemos esperar indefinidamente para resolver o estado insatisfatório da Fraternidade dentro da Igreja oficial. Em vez disso, eles devem procurar obter o quanto antes o reconhecimento oficial devido à fidelidade da Fraternidade, e que será de imenso benefício para toda a Igreja. E, com base nisso, os sucessores do Arcebispo em vários momentos desde 2012 se regozijaram por estarem a um ás, como disseram, de selar um acordo com Roma que finalmente daria à Fraternidade o reconhecimento oficial que ela merece.

Mas esses sucessores viram a madeira, e não a árvore. Como está a Roma de hoje, se não casada com a nova religião da Pachamama e do Vaticano II e soldada a ela? E o que foi a Fraternidade do Arcebispo senão um bastião da verdadeira Fé que deveria ser defendida pela formação de verdadeiros sacerdotes para dar continuidade à verdadeira religião católica como era antes do Vaticano II? O confronto foi direto, porque a mudança de religião foi radical. Portanto, se a Roma de hoje concedeu – ou concede – qualquer coisa à Fraternidade, isso é algo que só é possível se a Fraternidade baixa sua guarda. Assim, a oficialização dos matrimônios e das confissões da Fraternidade fez muito para desarmar a resistência da Fraternidade à Roma oficial, e através da Roma oficial à sua religião conciliar e à apostasia mundial.

O que os sucessores do Arcebispo não compreenderam, como o Arcebispo compreendeu bem, é a amplitude e a profundidade sobrenaturais dessa apostasia. Eles estão muito perto dela. Eles estão muito perto do mundo moderno, do qual ela brota. É por isso que eles procuram respostas humanas para um problema que só pode ter uma solução divina. O problema está muito além dos cálculos, das manobras ou da política dos homens, inclusive dos clérigos.

Como Daniel, os homens devem voltar-se para Deus e, para voltarmos para Deus, devemos passar por Sua Mãe, como Deus deixou claro em Fátima em 1917, exatamente quando o problema moderno estava surgindo em toda a sua força, com a Revolução Comunista na Rússia. De fato, Deus nos deu a solução sobrenatural no momento em que o Diabo deve ter pensado que estava realmente ganhando, e essa solução é a Consagração (não a secularização) da Rússia (não de todo o mundo) ao Imaculado Coração de Maria (nem mesmo ao Sagrado Coração) pelo Papa (não pelas autoridades de nenhuma outra religião que não seja a católica) em união com todos os Bispos católicos do mundo (e não apenas pelo Papa). Aqui está como a Igreja sairá do seu túmulo. E é somente dessa maneira, porque Sua Mãe disse isso. Que a Fraternidade exorte todos os seus sacerdotes e seguidores a praticarem intensamente os primeiros sábados, a fim de que contribua para que haja a Consagração.

Kyrie eleison.


segunda-feira, abril 20, 2020

Comentários Eleison: A Oração de Daniel

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DCLXVI (666) – (18 de abril de 2020):




A ORAÇÃO DE DANIEL 


Nossos pecados são aquilo que nos causa todos os nossos infortúnios.
Arrependamo-nos, ou esses males crescerão.

A Internet está atualmente cheia de comentários e análises, um mais interessante que o outro, sobre o coronavírus e o turbulento estado das finanças em todo o mundo, mas poucos desses comentários abordam o que é mais importante de tudo neste duplo – ou único – transtorno, que é aquilo que mostra as relações entre todos os homens e seu Deus: a apostasia em todo o mundo. Este é um crime enorme, pelo qual o colapso do coronavírus é um castigo não remotamente tão pesado quanto os flagelos que se seguirão se os homens não voltarem para Deus. Mas, tal como as coisas estão, uma multidão de Seu próprio Povo Eleito pela Fé, os católicos, segue alegremente o Vaticano II, porque este afrouxou a velha disciplina e permitiu-lhes adorarem-se a si mesmos em vez de a Deus. Todos nós deveríamos estar de joelhos, pedindo perdão a Deus, como o fez Daniel no Antigo Testamento. Aqui está sua poderosa oração de IX, 3-19, que precisa ser só um pouco adaptada para o Novo Testamento e os tempos atuais:

[3] E voltei o meu rosto para o senhor meu Deus, para lhe rogar e suplicar com jejuns, saco e cinza. [4] E orei ao Senhor meu Deus, e fiz confissão das faltas, e disse: digna-te ouvir-me, ó Senhor Deus grande e terrível, que guardas a tua aliança e a tua misericórdia para com os que te amam, e que observam teus mandamentos. [5] Nós os católicos pecamos, cometemos iniquidade, procedemos impiamente, apostatamos e afastamo-nos no Vaticano II dos teus preceitos e das tuas leis. [6] Não temos obedecido aos teus servos, os Papas fieis, que falaram em teu nome aos nossos reis, aos nossos presidentes, aos nossos pais, e a todo o povo cristão. [7] Tua é, ó Senhor, (da tua parte está) a justiça; a nós, porém, não nos resta senão a confusão de nosso rosto, como sucede hoje aos católicos, aos habitantes de Roma, e a toda a igreja e aos que estão perto e aos que estão longe em todos os países, para onde tu os lançaste, por causa das iniquidades que cometeram contra ti. [8] Para nós, Senhor, a confusão do rosto, para os nossos reis, para os nossos presidentes, e para os nossos pais, que pecaram. [9] Mas de ti, ó Senhor nosso Deus, é própria a misericórdia e a propiciação; porque nos retiramos de ti, [10] e não ouvimos a voz do Senhor nosso Deus, para andarmos segundo a sua lei, que nos prescreveu por meio dos seus servos, os Papas e os Bispos fieis. [11] E toda a Cristandade violou a tua lei, e desviou para não ouvir a tua voz, e choveu sobre os católicos conciliares a maldição e a execração que está escrita no livro de Moisés, servo de Deus, porque pecamos contra Deus. [12] E cumpriu a sentença que proferiu contra nós e contra os nossos líderes que nos governaram, para fazer vir sobre nós esta calamidade grande, qual nunca se viu debaixo de todo o céu, como o que aconteceu pelo Vaticano II. [13] Todo esse mal caiu sobre nós, segundo está escrito na lei de Moisés, e nós não recorremos a ti, ó Senhor nosso Deus, de maneira a nos afastarmos das nossas iniquidades e a nos aplicarmos ao conhecimento da tua Verdade. [14] Assim o Senhor vigiou sobre a malícia, e fez cair sobre nós o castigo dela; o Senhor nosso Deus é justo em todas as obras que fez, porque nós não ouvimos a sua voz. [15] E agora, Senhor nosso Deus, que tiraste os católicos do mundo ímpio com mão poderosa, e que adquiriste então um nome que dura até o dia de hoje, (confessamos que) temos pecado, que temos cometido iniquidade. [16] Senhor, por toda a tua justiça (ou misericórdia), suplico-te que aplaques a tua ira e o teu furor contra tua Igreja, e contra o teu santo monte; porque a Igreja Católica é hoje o escárnio de todos os que nos cercam, por causa dos nossos pecados e das iniquidades dos sacerdotes do Concílio. [17] Atende, pois, agora, Deus nosso, a oração do teu servo, e as suas preces; e sobre o teu santuário, que está deserto, faze brilhar a tua face, por amor de ti mesmo. [18] Inclina, Deus meu, o teu ouvido, e ouve; abre os teus olhos e vê a nossa desolação, e a da Igreja, na qual se invocava o teu nome; porque nós, prostrando-nos em terra diante da tua face, não fazemos estas súplicas (humildes) fundados em alguns merecimentos da nossa justiça, mas sim na multidão das tuas misericórdias. [19] Ouve, Senhor, aplaca-te, Senhor; atende-nos e põe mãos à obra; não dilates mais, Deus meu, por amor de ti mesmo, porque esta tua Igreja e este teu povo têm a glória de se chamarem do nome de teu Filho unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Kyrie eleison.

quarta-feira, abril 15, 2020

Comentários Eleison: A Igreja Sepultada – I

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 Comentários Eleison – por Dom Williamson

Número DCLXV (665) – (11 de abril de 2020):



A Igreja Sepultada – I


Em pequenos grupos a Igreja consegue sobreviver, mesmo sepultada,
E, erguendo-se novamente, ela terá todo tipo de vida.

Se se acredita em Nossa Senhora de La Salette e no Venerável Bartolomeu Holzhauser, o que estamos vivendo hoje é apenas o fim da Quinta Idade do mundo, não é ainda o fim da Sétima e Última Idade do mundo. A Quinta Idade deve terminar em um grande castigo, prelúdio da breve Sexta Idade, que será o maior e mais glorioso triunfo da Igreja em toda a sua história, prelúdio, por sua vez, da Sétima Idade, que verá o surgimento do anticristo, a maior perseguição de toda a história da Igreja e o ocaso do mundo tal como o conhecemos, que será misteriosamente substituído por "novos céus e uma nova terra" (II Pedro III, 13). Se é isso o que São Pedro, o Venerável Holzhauser e Nossa Senhora de La Salette quiseram dizer, certamente a Igreja se reerguerá de sua tumba atual bem antes de decolar no fim do mundo para o Céu. A questão é: como sobreviverá e sairá de sua tumba atual?

O ponto essencial que se deve compreender é que a Igreja pertence a Deus, que a Igreja é dirigida pelo Espírito de Deus, e que a ação deste Espírito Santo é comparável à do vento que sopra onde quer, e sabemos que está ali, porque podemos ouvi-lo, mas não sabemos de onde vem nem para onde vai (Jo. III, 8). Portanto, os pensamentos de Deus estarão muito acima dos nossos pensamentos como homens, e precisamos acostumar-nos, por exemplo, com que os primeiros sejam os últimos, e os últimos sejam os primeiros (Mt. XX, 16). Assim, desde 1970, quando a Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada, até 2012, quando seus líderes estabeleceram as condições para que a Fraternidade se voltasse sob os romanos conciliares, ela foi a vanguarda na defesa da Fé; mas desde 2012 ela passou a ser oficialmente como um cachorrinho de colo dos romanos. O Sistema tragou a Fraternidade, e, por ela ser um dos primeiros, passou a tornar-se um dos últimos, porque o Diabo não deixaria que ela se detivesse na metade do caminho.

Nesse ponto, muitos católicos da Tradição desejavam com todo o coração que uma pós-Fraternidade surgisse para tomar o lugar da Fraternidade. Mas uma pós-Fraternidade poderia muito bem não ter sido a vontade de Deus. Os anos de 2010 não eram mais os anos de 1970 ou de 1980, quando o Arcebispo Lefebvre conseguiu construir a Fraternidade mundial. A desintegração dos corações e das mentes foi muito mais avançada do que nos anos de 1970, e, desde 2012, está acelerando. Veja-se quão pouco bom senso os homens têm hoje, e cada vez menos. É claro que a graça de Deus pode transformar seres humanos desintegrados em católicos integrais, mas Deus raramente força o livre-arbítrio dos homens; portanto, se os homens insistirem em transformar seu interior em uma espécie de pântano lamacento, pode ser que o helicóptero da graça sobrenatural de Deus nem tente pousar, por receio de desaparecer na lama.

Certamente Deus manterá a Igreja ao longo dos anos de 2020. Será por meio de um movimento de “Resistência” sem estrutura nem organização, e com conflitos endêmicos entre os membros que resistem inclusive uns aos outros? Se todos os resistentes compartilham pelo menos a mesma Fé verdadeira, seu movimento ainda pode ser o candidato preferencial na defesa da fé, e sua falta de estrutura pode até ser inclusive uma vantagem caso isto signifique que não há uma única cabeça cuja captura seria demasiadamente suscetível de significar a queda de toda a estrutura, porque o homem moderno não sabe como obedecer ou desobedecer. E se os que resistem têm, além disso, um mínimo de bom senso e caridade, podem até continuar juntos sem ter de devorarem-se uns aos outros. E se a “Resistência” não é um rótulo pelo qual orgulhar-se, também não é uma coisa ruim, porque a situação já foi para muito além dos meros rótulos.

De qualquer forma, o que é vitalmente necessário para os católicos que desejam salvar suas almas mantendo a fé é ver como e por que o mundo que nos rodeia mina e corrompe sua fé católica. Não é necessariamente por falta de boa vontade ou de boas intenções; pelo contrário. Enquanto os protestantes originais eram inimigos abertos e amargos da fé, seus sucessores, liberais em todo o mundo, podem ser sinceramente amigáveis ​​com os católicos, sempre que estes compartilhem seu profundo princípio de que a verdade só pode ser subjetiva, que existe apenas um dogma, segundo o qual todos os outros dogmas são opcionais, que as ideias não importam, que "tudo que você precisa é de amor", que todas as religiões têm o mesmo Deus, e assim por diante. Esse dogma tornou-se tão instintivo que já nem é mais discutido, e é por isso que é tão perigoso. A verdade é descartada fora do tribunal, mesmo antes que se possam pôr os pés na sala. Mas, se não há verdade, como pode haver um Deus verdadeiro?

Kyrie eleison.

segunda-feira, abril 06, 2020

Comentários Eleison: Pensamentos da Quinta-Feira

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DCLXIV (664) – (3 de abril de 2020):




 Pensamentos da Quinta-Feira


A Igreja de nosso Senhor, amigos, segue a linha de Deus,
E não a nossa, por estranho que pareça.

Certamente muitos leitores conhecem a liturgia da Semana Santa, normalmente comemorada na próxima semana, as narrativas evangélicas da Paixão de Nosso Senhor, mas talvez não tenham pensado em quantos dos vários momentos da Paixão podem ser aplicados à situação dos católicos de hoje. Tomemos, por exemplo, o cativeiro de Nosso Senhor no Horto do Getsêmani. Ele disse muitas coisas, cada uma das quais é um mundo em interpretação.

Na noite de quinta-feira, Jerusalém está cheia de peregrinos da Judeia, da Galileia e da Diáspora, e há uma tensão elétrica em toda a cidade, porque todas as pessoas importantes estão lá está para a grande festa da Páscoa, e a tensão está centrada em torno de Jesus. Ele é muito amado por seus apóstolos e discípulos, e pelo grande número de pessoas que Ele ensinou, curou, consolou e ajudou nos últimos três anos de seu ministério terrestre. Por outro lado, parece que as autoridades religiosas do templo, os sumos sacerdotes e os escribas e fariseus o desaprovam severamente, e o querem absolutamente fora do caminho. O que Ele fez de errado? E o que eles vão fazer com Ele? A cidade inteira fala de Jesus.

Nessa atmosfera tensa, Ele celebrou a Última Ceia com Seus Apóstolos, acrescentando cerimônias estranhas, mas imensamente sérias, às do Antigo Testamento, e falando como se estivesse prestes a deixá-los. Ele envia Judas Iscariotes a seguir o caminho que este escolhera, e depois leva os outros Apóstolos ao Horto do Getsêmani. Estes estão assustados e inquietos, mas Pedro está pronto para lutar, tendo trazido uma espada consigo. Jesus deixa para trás oito dos onze, levando Pedro, Tiago e João ainda mais para dentro do olival, onde Ele lhes pede que rezem, advertindo-os de que, se não o fizerem, a tentação poderá pegá-los. Então Ele os deixa também para trás, e reza sozinho Sua terrível agonia em três partes, encontrando-os dormindo cada vez que volta a reunir-se com eles. Finalmente, Judas Iscariotes traz a Guarda do Templo para prender Nosso Senhor, longe das pessoas que se arriscaram para protegê-Lo, e o trai com um beijo. Pedro fica furioso, saca a espada e, em defesa de seu amado Mestre, corta a orelha de um servo do Sumo Sacerdote, somente para que Jesus lhe diga que baixe sua espada. Jesus dá três razões para isto.

Em primeiro lugar: "Todos os que usarem a espada, pela espada perecerão". Nosso Senhor não precisa ser o Valete dos Paus, mas o Rei e Copas, na luta essencialmente espiritual pela salvação eterna das almas. Isso Ele nunca pode fazer por meio de violência, que só gerará contraviolência. Em segundo lugar, da mesma forma: "Crês que não posso invocar meu Pai, e Ele imediatamente não me enviaria mais de doze legiões de anjos?". Obviamente, o Criador do universo tem ampla força física para derrubar exércitos inteiros de inimigos de Seu Filho, mas não é assim que Eles ganhariam almas, pelo contrário. A força superior só alienaria as almas fisicamente esmagadas por Deus. E em terceiro lugar: “Como então as Escrituras se cumpririam, segundo as quais é necessário que assim seja?”. O plano de Deus, consignado à Sagrada Escritura, tem sido desde toda a eternidade que Jesus alcançará as almas (uma minoria) por Ele mesmo sendo esmagado! Jesus vencerá sendo, como dizemos hoje, ao menos em aparência, um "perdedor"! Nesse ponto, é Pedro quem “perde”, e com total incompreensão de seu amado Mestre, ele foge, seguido pelos outros dez apóstolos.

Como muitos tradicionalistas homens de hoje, Pedro é um homem de homens. Ele é "macho". Não lhe falta nada de fé, coragem ou devoção em relação ao seu divino Mestre, mas dormiu, em vez de rezar no Horto. Se ele tivesse rezado em vez de dormir, seus pensamentos poderiam ter sido divinos em vez de humanos, humanos demais, e ele poderia ter entendido que Jesus estava marchando para um nível muito mais alto do que o de Pedro, por mais corajoso e devoto que Pedro tivesse sido. Pelo liberalismo ou pelo sedevacantismo, católicos hoje em dia cortam não apenas a orelha de um dos servos do sumo sacerdote, mas também cortam a cabeça do próprio Sumo Sacerdote por meio de uma quase-heresia suave ou de um quase-cisma. Mas o próprio Senhor não nos alertou que Sua Igreja também vencerá perdendo? No fim do mundo (Lc. XVIII, 8), não terá quase desaparecido? Mistério...

Kyrie eleison.