Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DCXXXVIII (638) - (05 de outubro de 2019)
CARTA DOS BISPOS
Com o Vaticano II, o
diabo dominou Roma.
Um
leitor pergunta quais foram as circunstâncias por trás da carta de 7 de abril
de 2012 dirigida a D. Fellay e a seus dois assistentes pelos outros então três
Bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. A carta está rapidamente se
tornando história antiga, mas os leitores recordarão que ela teve um papel
importante na conscientização dos católicos tradicionais sobre as mudanças
significativas de direção da Fraternidade que vinham ocorrendo
sub-repticiamente nos últimos 15 anos, e que muitos deles não haviam notado.
Mas em março de 2012, o animal acabava de quebrar a casca, ou de vir à luz.
Naquele
mês, em “Cor Unum”, a revista da Fraternidade que é publicada três vezes por
ano para sacerdotes, o Superior Geral (SG) escreveu que estava na hora de a
Fraternidade mudar a política de Dom Lefebvre de não chegar a um acordo prático
sem um acordo doutrinário, já que a hostilidade dos clérigos romanos em relação
à tradição católica estava diminuindo, e, portanto, a confiança da Fraternidade
nos romanos conciliares deveria crescer mais. Na verdade, desde o início dos
anos 2000, mais e mais sacerdotes e leigos da Fraternidade suspeitavam que ela
estava sendo conduzida para uma direção diferente. Agora o próprio SG estava
confirmando essas suspeitas. Aquele "Cor Unum" causou um grande
rebuliço dentro da Fraternidade.
Na mesa
de jantar no Priorado da Fraternidade em Londres, Inglaterra, o editor destes
“Comentários” se perguntou em voz alta se deveria escrever ao SG uma carta de
protesto contra a mudança de direção, e enviá-la a D. Tissier para que este
revisasse o conteúdo. Um companheiro de mesa perguntou se não conviria entregar
a carta também a D. de Galarreta, caso ela pudesse ir à sede da Fraternidade,
como um protesto conjunto dos três Bispos contra um desvio tão grave da
constante pregação e prática do Arcebispo de “primeiro a Doutrina”. O confrade
estava certo, e assim nasceu a ideia de uma carta dos três Bispos. Ao ser
consultado sobre o projeto, D. Tissier recomendou que se redigisse um rascunho
da carta, e quando lhe foi entregue, ele aprovou com entusiasmo. O rascunho foi
então entregue a D. de Galarreta, que também o aprovou, mas o reforçou
consideravelmente, reescrevendo a última parte dele. Um texto final foi
assinado pelos três Bispos e enviado à sede em Menzingen com cópias para o SG e
seus dois assistentes.
A
resposta deles chegou apenas uma semana depois. Não foi em vão que a Casa Geral
tinha estado mudando a direção da Fraternidade enquanto disfarçava a mudança.
Os líderes realmente pensavam que a Roma conciliar estava tornando-se mais
católica a ponto de as graves reservas do Arcebispo quanto à cooperação com os
neomodernistas de Roma terem-se tornado obsoletas. Para o Cardeal Ratzinger em
1988, o Arcebispo havia dito que a cooperação era impossível, porque a FSSPX e
Roma estavam trabalhando em direções diametralmente opostas – Roma queria
descristianizar a sociedade, enquanto a FSSPX estava se esforçando para
recristianizá-la. Mas em 2012, a sede da FSSPX manteve-se firme quanto à
situação ter mudado, e, portanto, ao se oporem aos três Bispos, eles não se
opunham ao Arcebispo. Mas o que este último teria dito sobre as trapaças do
Papa Francisco? O que ele não teria dito? No entanto, em uma recém-publicada
entrevista-livro do ex-SG, D. Fellay repudia vigorosamente até a menor crítica
ao Papa Francisco.
E
assim, em uma data pré-estabelecida em junho de 2012, D. Fellay se apresentou
em Roma com um assistente de confiança para selar um acordo com Roma que
finalmente poria fim ao que a sede da Fraternidade teria considerado como uma
“disputa desnecessária” de 37 anos entre a FSSPX e Roma. Desnecessária?
Disputa? A Roma conciliar está em guerra com a Tradição Católica! E os romanos
obviamente tomaram conhecimento da carta dos três Bispos. Nesse caso, de que serviria
capturar a liderança oficial da Fraternidade se os outros três de seus quatro Bispos
tivessem evitado a armadilha? A tradição corria o risco de começar tudo de
novo. E assim o SG, em 2012, foi enviado para longe de Roma de mãos vazias. Ele
teria de trabalhar nesses Bispos para trazê-los de volta. Não perdeu tempo...
Kyrie
Eleison
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