Por Christopher A. Ferrara
Traduzido por Andrea Patrícia
Os remanescentes obstinados tradicionalistas
defensores da guerra no Iraque precisam explicar como católicos podem apoiar
essa desventura inspirada pelo Sionismo.
“Você tem certeza? Você entende as consequências?
Você sabe que você vai terminar possuindo este lugar?"
(Colin L.
Powell para George Bush, pouco antes da invasão ao Iraque)
Na sua conferência de imprensa rigidamente controlada em
14 de abril de 2004 (em que apenas perguntas pré-selecionadas foram
respondidas), George Bush ofereceu esta explicação para a nossa catastrófica
desventura no Iraque: "E, claro, eu quero saber por que não nós não
encontramos arma ainda. Mas eu ainda sei que Saddam Hussein era uma ameaça, e o
mundo está melhor sem Saddam Hussein”.
Ele quer saber por que não encontramos "uma
arma", ainda, gente, mas ele sabe que Saddam era uma ameaça para os
Estados Unidos. Ler as locuções infantis de George W. Bush em defesa de sua
guerra absurda é temer pelo futuro da nossa pátria. Como Bush explicou sua
última intuição sobre porque ele começou a Guerra no Iraque: “Meu trabalho como
o Presidente”—o Presidente, ele diz, como se ele fosse o líder de um clubinho
de garotos da vizinhança—“é levar esta nação a fazer do mundo um lugar melhor. E
é exatamente isso que estamos fazendo… Nós estamos indo fazer o serviço. E um
Iraque livre vai ser um maior golpe para o terrorismo (sic). Isso vai mudar o
mundo.” Um maior golpe para o terrorismo foi com certeza o que Bush realizou, com
os Sunitas e Xiitas colocando de lado mil anos de inimizade para se unir contra
a ocupação americana.
Tragicamente, a contagem de corpos americanos remonta
como a mais poderosa máquina militar da história destrói o que resta da
sociedade iraquiana, sob o comando de um homem que não consegue reunir a eloquência
e o foco intelectual de um aluno mediano na escola defendendo uma posição
política na sala de aula de educação cívica: nós precisamos fazer do mundo um
lugar melhor. Nós precisamos “libertar” o Iraque. Nós precisamos fazer o
serviço. Nós precisamos mudar o mundo.
Este emaranhado de noções vagas é o que agora anima
nosso não muito rápido Comandante-em-Chefe, muito tempo depois de suas
justificativas originalmente proferidas para a guerra ser exposta como fraudulenta.
Bush vendeu os palestinos
O que o New York
Times corretamente chamou de desempenho "desconexo e fora de
foco" de Bush em sua primeira e única conferência de imprensa de 2004 nos
lembra que, afinal de contas, Bush é pouco mais do que um capitão testa de
ferro do navio do Estado, que falhou em um questionário relâmpago sobre os
nomes de quatro líderes mundiais antes de tomar posse. São os homens que dizem
a Bush o que ele tem que pensar que têm as mãos no leme do navio. As mãos que
estão no leme foram reveladas um dia antes da conferência de imprensa de 14 de
abril, quando Bush, com Ariel Sharon em pé ao seu lado na Casa Branca, repentinamente
mudou a política dos Estados Unidos e vendeu o povo da Palestina. A carta
diplomática bombástica de Bush a Sharon renunciou o direito há muito tempo
reconhecido dos árabes palestinos de retornar ao território do qual 750.000 deles
foram expulsos pelo exército israelense em 1948, na sequência da criação ilegal
de um “estado judeu” pelo decreto da ONU:
Os Estados Unidos estão fortemente comprometidos com a
segurança de Israel e bem-estar como um Estado judeu. Parece claro que um
concordado, correto, justo e realista quadro de uma solução para a questão dos
refugiados palestinos como parte de qualquer acordo de status final terá de ser
encontrado através do estabelecimento de um Estado palestino, e o assentamento
dos refugiados palestinos lá, ao invés de em Israel.
Como parte de um acordo final de paz, Israel deve ter
fronteiras seguras e reconhecidas, que deve emergir de negociações entre as
partes, em conformidade com as Resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança da
ONU. À luz das novas realidades no terreno, inclusive os já existentes grandes
centros populacionais israelenses, não é realista esperar que o resultado das
negociações do status final será um retorno pleno e completo às linhas do
armistício de 1949...
Um Sharon radiante regozijou-se que Bush tinha
"me entregado uma carta que inclui afirmações muito importantes sobre a
segurança de Israel e seu bem-estar como um Estado judeu.” Como o Globe and Mail colocou: “O presidente
dos EUA, George W. Bush disse aos refugiados palestinos quarta-feira para
esquecer sobre algum dia retornar para suas casas ancestrais no que hoje é
Israel. Indicando uma grande mudança na política, o Sr. Bush rejeitou o ‘direito
de retornar’ para os palestinos desenraizados em 1940 e [também] sugeriu que os
palestinos devem reconhecer que alguns assentamentos judaicos na Cisjordânia
estão aqui para ficar.”
Ou seja, Bush não só renunciou o direito de retorno
palestino para o território tomado em 1940, mas também ratificou as adicionais
apreensões israelenses de terras árabes na Cisjordânia, durante a Guerra dos
Seis Dias em 1967, e a maioria das expansões dos “assentamentos” Likudist [a]
da Cisjordânia desde então. (Os israelenses agora propõem a renunciar apenas os
assentamentos ilegais da Faixa de Gaza que já não considerem que valha a pena
reter).
Como Bush e Sharon teriam, o "Estado judeu",
criado ex nihilo pelas Nações Unidas
inclui agora cerca de 80% da área total da terra da Palestina — tudo isso
tomado pelos israelenses em violação do direito internacional (salvo por cerca
de 5% realmente comprado legalmente pelos primeiros imigrantes sionistas). Assim,
Bush tem cercado os Estados Unidos em uma posição de negociação em que qualquer
futuro Estado palestino em um acordo de paz de "dois estados" poderia
consistir em não mais do que cerca de 20% do anterior território árabe para
100% da atual, e muito maior, população árabe.
Para os israelenses, um grande negócio. Para os
árabes, porém, outra provocação dos Estados Unidos. Como o Globe and Mail reportou, “o moderado primeiro-ministro palestino
Ahmed Qureia insistiu que seu povo 'não aceita a posição de Bush‘. Bush é o
primeiro presidente dos EUA a dar legitimidade aos assentamentos judaicos em
terras palestinas. Nós rejeitamos isso, não vamos aceitar isso... Ninguém no
mundo tem o direito de renunciar aos direitos palestinos.” O mesmo artigo do Globe and Mail reportou que o porta-voz
da Jihad Islâmica Kaled al-Batsh disse a Reuters que “A negação de Bush do
direito dos palestinos de retornar foi uma declaração de guerra contra o povo
palestino. Bush e Sharon terão de assumir a responsabilidade pelo novo ciclo de
guerra.”
Então, no mesmo momento em os exércitos de Bush estão
dizimando domicílios árabes no Iraque em um esforço para quebrar a espinha
dorsal da resistência xiita, Bush, compromete os Estados Unidos à proposição de
que deve haver um "Estado judeu" em Israel a partir do qual as
famílias árabes despossuídas a força seriam excluídas para sempre. Enquanto
Bush usa a força militar para impedir o surgimento de um estado xiita em um
país cuja população é 65% xiita, ele defende e protege um "Estado
judeu" em território ilegalmente apreendido dos seus donos árabes por uma
minoria judaica. O pluralismo, como você vê, é apenas para os goys [b].
E é assim que George Bush propõe combater "a
guerra contra o terrorismo". Ou melhor, é como os homens que manejam os
pedaços de papel para Bush ler ao microfone propõem combatê-lo. E quem são
esses homens? Eles são os mesmos cérebros pró-Israel que tem tramando a invasão
do Iraque, pelo menos desde 1998.
A Guerra do Iraque: Um Projeto Sionista
Em um artigo para The
American Conservative em outubro de 2001, Paul W. Schroeder observou a
possibilidade de que “a razão e o motivo não reconhecidos” por trás da guerra
do Iraque que vem vindo eram a “segurança para Israel.” Se a América estava
para invadir o Iraque pelo bem de Israel, escreveu Schroeder, “isso
representaria, a meu ver, algo único na história. É comum para as grandes
potências tentar lutar em guerras por procuração, pegando poderes menores para
lutar por seus interesses. Este seria o primeiro caso, até onde eu sei, onde um
grande poder (na verdade, uma superpotência) lutaria como o representante de um
pequeno Estado-cliente.” Mas isso é exatamente o que está acontecendo no Iraque
nesse mesmo momento.
Como sabemos, até ele ter cometido o erro de invadir o
Kuwait (após receber um nihil obstat
diplomático da administração de Bush I), Saddam Hussein era o nosso homem no
Oriente Médio. Durante a administração Reagan não foi ninguém menos que o
enviado especial Donald Rumsfeld quem representou os Estados Unidos no processo
de restauração das relações com o Iraque em 1983. Como Stephen J. Siegnoski observou
em seu importante artigo “The War on
Iraq: Conceived in Israel” [A Guerra no Iraque: concebida em Israel] de
1983 a 1988 “Washington facilitou suas próprias restrições à exportação de
tecnologia para o Iraque, que permitiu que os iraquianos importassem
supercomputadores, máquinas, produtos químicos venenosos, e até mesmo cepas de
antraz e peste bubônica. Resumindo, os Estados Unidos ajudaram a armar o Iraque
com as mesmas armas de horror que agora a administração oficial trombeteia como
justificação para remover Saddam do poder à força. Durante a Guerra do Irã e
Iraque, Washington não tinha nada a dizer sobre Saddam “gaseificando seu
próprio povo”—ou seja, os insurgentes curdos, junto com os iranianos Washington
praticamente contratou Saddam para matar por procuração.
No início de 1998, entretanto, os neocons judeu-americanos
já estavam demandando uma Guerra contra o Iraque como um primeiro passo na
“guerra contra o terrorismo” que açambarcaria o Irã, a Síria, o Líbano e até
mesmo a Arábia Saudita. Essa estratégia política coincide perfeitamente com o
velho sonho sionista de expulsar os árabes de toda a Palestina tendo como
resultado a pax Israelica— um sonho
que teve um revival com a ascensão ao
poder de Ariel Sharon e do Partido Likud. Como Siegnoski observa:
Foi durante os anos 80, com a chegada ao poder do
governo direitista do Likud, que a ideia de expulsão ressurgiu publicamente. E
nessa época estava diretamente ligada a uma Guerra maior, com a
desestabilização do Oriente Médio vista como pré-condição para a expulsão
palestina. Tal proposta, incluindo a remoção da população palestina, foi
delineada num artigo de Oded Yinon, intitulado 'A Strategy for Israel in the
1980’s [Uma estratégia para Israel nos anos 80], que apareceu no periódico Kivunim
da World Zionist Organization em fevereiro de 1982. Oded Yinon, esteve ligado
ao Ministério Exterior e seu artigo sem dúvida refletia o pensamento do alto
escalão do sistema militar e de inteligência israelita.
O artigo clamava a Israel para dissolver e fragmentar
os estados árabes num mosaico de agrupamentos étnicos. Pensando desse jeito,
Ariel Sharon declarou em 24 de março de 1988 que se a revolta palestina
continuasse, Israel iria ter que ir a Guerra contra os seus vizinhos árabes. A
guerra, ele declarou, iria prover ‘as circunstâncias' para a remoção da
população palestina inteira da Cisjordânia e da Faixa de Gaza e até mesmo de dentro
da adequada Israel.
Em 19 de fevereiro de 1998 - três anos e meio antes do
11 de setembro - o Comitê para Paz e Segurança no Golfo publicou uma Carta
Aberta a Bush II propondo uma “estratégia política e militar abrangente para
derrubar Saddam e seu regime.” Junto com Donald Rumsfeld, os assinantes da
Carta Aberta incluíram os seguintes neocons pró-Likud, todos dos quais se
tornariam assessores de alto escalão da administração Bush II: Elliott Abrams (Conselho
Nacional de Segurança), Doug Feith (Departamento de Defesa), Paul Wolfowitz (Departamento
de Defesa), David Wurmser (Departamento de Estado), Dov Zakheim (Departamento
de Defesa), e Richard Perle (Conselho de Políticas de Defesa). Sniegoski aponta
que “Signatários da carta também incluíam luminares pró-sionistas e
neoconservadores como Robert Kagan, William Kristol, Frank Gaffney (Diretor do
Centro de Política de Segurança), Joshua Muravchik (American Enterprise Institute), Martin Peretz (Editor-Chefe da New Republic), Leon Wieseltier, (The New Republic), ex-deputado Stephen
Solarz”.
Sniegoski referencia, além disso, um artigo de Jason
Vest no The Nation que discute “o
imenso poder dos indivíduos de duas das maiores organizações neoconservadoras de
pesquisa: Jewish Institute for National
Security Affairs (JINSA) [Instituto Judaico Para Assuntos de Segurança] e Center for Security Policy (CSP) [Centro
Para Política de Segurança], na atual administração Bush. Vest detalha as
ligações estreitas entre essas organizações, políticos da ala direita,
comerciantes de armas, militares, judeus multi-millionários/bilionários, e
administrações Republicanas.” [1]. Isso vem da esquerdista revista The Nation, não de alguma publicação “antissemita”
da extrema-direita.
Vest observa que os membros do JINSA e do CPSU “ascenderam
para poderosos cargos no governo, onde… eles conseguiram tramar uma série de
questões - apoio para a defesa nacional antimísseis, oposição a tratados de
controle de armas, defesa de perdulário sistemas de armas, armas doadas à
Turquia e unilateralismo americano em geral - em uma linha dura, com o apoio da
direita israelense em seu cerne... A linha dura do JINSA/CSP em nenhuma questão
é mais evidente do que em sua campanha incansável pela guerra - não apenas com
o Iraque, mas ‘guerra total,’ como Michael Ledeen, um dos mais influentes
membros do JINSA em Washington, colocou no ano passado. Para este grupo, a
‘mudança de regime’ por quaisquer meios necessários no Iraque, Irã, Síria,
Arábia Saudita e da Autoridade Palestina é um imperativo urgente’".
As deduções de Sniegoski a partir desta evidência são
perfeitamente óbvias: “Em primeiro lugar, o início de uma guerra no Oriente
Médio para resolver os problemas de segurança israelense tem sido uma ideia duradoura
entre os direitistas Likudnistas israelenses.
Depois, os neoconservadores voltados para o Likud têm
defendido o envolvimento americano em tal guerra antes das atrocidades do 11 de
setembro de 2001. Após o 11 de setembro, os neoconservadores assumiram a
liderança na defesa tal guerra, e eles ocupam cargos influentes no governo Bush
relativos à política externa e assuntos de segurança nacional.”
Resumindo, a guerra contra o Iraque, enquanto
obviamente inútil e desastrosamente contraproducente do ponto de vista
americano, é um empreendimento racional do ponto de vista sionista – desde que,
é claro, o inteiro plano de desestabilização do Oriente Médio seja realizado
pelos Estados Unidos como representante de Israel. Caso contrário,
ironicamente, Israel também só irá sofrer com a meia medida da invasão
americana do Iraque. Isto não é sugerir que uma ocupação americana e
remodelação política do Iraque, Irã, Síria, Líbano e Arábia Saudita seja nem
mesmo remotamente alcançável. A visão de Bush de um Oriente Médio “democrático”
é uma fantasia infantil, como a situação fora de controle no Iraque sozinha deve
demonstrar a todos, exceto os mais delirantes defensores da "guerra contra
o terrorismo”.
Ouça os Rabinos
Mas o que é o Sionismo em si, senão uma fantasia
infantil - uma fantasia nascida da nasceu da rebelião daquelas crianças que
Nosso Senhor desejava colocar sob suas asas, mas elas não quiseram. A fantasia
de que os judeus podem estabelecer um reino terreno em um pedaço de terra
tomado à força de seus semelhantes é vista como uma rebelião contra a
autoridade divina, mesmo pelos judeus ortodoxos em sua leitura do Antigo
Testamento. É por isso que algumas das mais fortes oposições ao Sionismo, desde
o século XIX até os dias atuais, vêm da liderança rabínica ortodoxa.
Considere, por exemplo, um discurso feito pelo Rabino
Yisroel Dovid Weiss na United Association
for Studies and Research (UASR), editores do Middle East Affairs Journal, em 14 de março de 2002.2 O Rabino
Weiss fez uma crítica teológica da Agenda sionista que é surpreendentemente
consistente com a visão católica tradicional do povo judeu e do Livro do
Apocalipse, mesmo se falha em perceber que o exílio dos judeus foi resultado
especificamente da sua rejeição ao seu próprio Messias. As observações notáveis
do rabino (que refletem um segmento substancial da opinião judaica ortodoxa)
merecem ser citadas:
Através
de muitos dos livros proféticos do Antigo Testamento os judeus foram avisados
de que uma rebelião séria contra a Vontade de D-us resultaria na mais severa
das punições. Desenfreada, ela poderia levar à ruína do Templo Sagrado de
Jerusalém e ao exílio da totalidade da nação judaica.
E é aqui, meus amigos, nessas profecias do Antigo
Testamento, que a disputa entre o Judaísmo [c] e o Sionismo começa.
Finalmente os horrores preditos pelos profetas vieram
a acontecer. Os judeus foram exilados da Terra. O primeiro exílio, também
conhecido como o cativeiro da Babilônia, durou apenas 70 anos. Por uma série de
acontecimentos milagrosos as pessoas retornaram para a terra. Esta segunda
entrada na terra levou à reconstrução do Templo. O Segundo Templo se manteve
cerca de 2.500 anos até 1.900 anos atrás, então ele também foi destruído. Desta
vez, o motivo foi mais uma vez o retrocesso das pessoas que estavam, como
sempre, obrigadas a um padrão Divino muito exigente...
O exílio não seria para sempre. Haveria anos de
dispersão, muitos deles sofridos sob perseguição. No entanto, havia a promessa
de que o povo ainda voltaria a terra. Mas esse retorno não era para estar sob o
controle humano. Ele seria anunciado pelo advento de Elias, o Profeta e
acompanhado de muitos milagres. E, desta vez, a redenção não seria apenas para
o povo judeu, mas sim para todos os homens...
…Assim, na queima do Segundo Templo, os judeus foram
enviados para um exílio que se estende até hoje. Por dois mil anos, os judeus
têm orado pelo o fim de seu exílio e a consequente redenção do mundo inteiro...[d]
Sugerir que se possa usar meios políticos ou militares
para escapar do decreto do Criador era algo visto como uma heresia, como uma negação
da administração Divina sobre o pecado e
o perdão. Nenhum judeu em lugar algum sugeriu - e isso entre as pessoas que
estudaram os seus textos sagrados constantemente e escreveram sobre eles
volumosamente – que o exílio poderia ter fim por meios humanos.
Foi somente no final do século XIX, entre judeus muito
afastados de sua fé, que se começou a levar adiante a noção de que o exílio era
o resultado de fraqueza judaica. Theodore Herzl e um punhado de outros, todos
ignorantes ou não-observantes da Torá, começaram a colocar em movimento o
processo que pelo fim do próximo século produziria um sofrimento incalculável
para judeus e palestinos.
O Rabino Weiss vai em frente observando que: “O
próprio conceito de Sionismo era uma refutação a crença tradicional da Torá no
exílio como punição e a redenção como dependente de penitência e intervenção
Divina.” O rabino então proferiu uma conclusão que deveria ser óbvia para
qualquer um que chame a si mesmo de católico tradicional: “Amigos, não haverá
paz no Oriente Médio, até que não haja mais o estado de Israel. A Torá não pode
ser violada. Nossa tarefa no exílio não pode ser cumprida ao tentar acabar com
o exílio através de agitações humanas. Nem as nossas esperanças de redenção podem
ser realizadas no Estado de Israel”.
A solução do Rabino para a crise no Oriente Médio é,
portanto, exatamente aquela que George Bush acaba de renunciar para o prazer do
sionista Ariel Sharon e seu Partido Likud sionista:
“A solução verdadeira da Torá, a chave para a paz, é o
retorno imediato dos palestinos à Palestina em sua totalidade, incluindo o
Monte do Templo e Jerusalém. Isso, é claro, inclui o pleno direito de retorno
de todos os refugiados palestinos. Isso é o que exige a justiça elementar. Este
é o caminho da Torá e do bom senso...”
Que seja a vontade do Criador que o estado de Israel
seja pacificamente desmontado rapidamente em nossos dias, que judeus e
palestinos vivam ainda em paz uns com os outros ao redor do mundo e na Terra
Santa, e que brevemente em nossos dias, toda a humanidade possa merecer o
advento de redenção divina, onde o Reino de D-us será aceito.
Nenhum católico tradicional tem qualquer desculpa para
rejeitar "a solução da Torá" para a crise no Oriente Médio e a ameaça
do terrorismo árabe. Os católicos, guiados pela luz do Evangelho, dificilmente
podem ser mais inclinados do que mesmo os judeus ortodoxos a tolerar a
influência maligna de um "Estado judeu" fora da lei cuja existência
é, obviamente, a principal provocação para o terrorismo árabe em todo o mundo.
Algum
Tradicionalista pode ainda defender este desastre?
E ainda um dos
tradicionalistas mais inteligentes e comprometidos que conheço persiste em
defender a guerra no Oriente Médio, como a resposta ao terrorismo, mesmo ele
reconhecendo que é a política externa americana pró-sionista que cria os nossos
inimigos árabes. Como a nossa política israelense não pode ser mudada, ele
argumenta que “a única alternativa é ir atrás dos inimigos que criamos por
causa da nossa política israelense – proteger nossos cidadãos o melhor que
pudermos.” Ou seja, devemos permitir que a cauda sionista abane o cão americano,
não importa o que isso custe à nossa nação em sangue e riqueza.
Com todo o
devido respeito, é impossível ver como isso poderia ser uma posição católica
aceitável. Se até mesmo os judeus ortodoxos reconhecem que a própria existência
de um "Estado judeu" ofende a Deus Todo-Poderoso e é a causa raiz do
terrorismo árabe, como pode católicos tradicionais continuar a apoiar um plano
de guerra no Oriente Médio, que é claramente a prática dos americanos sionistas
Likudniks? Por que é que os tradicionalistas que, sem hesitação, denunciam
projetos sionistas em qualquer outro lugar em que aparecem na história, simplesmente
jogam suas mãos para cima quando confrontados com as influências sionistas
sobre a política externa norte-americana que eram a condição sine qua non da guerra insana em que
esta nação está agora envolvida?
Estas são as
perguntas que devem ser respondidas pelos poucos remanescentes tradicionalistas
defensores da insensatez monumental de George Bush nos desertos do Iraque.
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Notas:
1 The
Men From JINSA and CSP, The Nation, September 2, 2002
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Notas da tradutora:
[a] Likudist: partido
político de Israel.
[b] Goy ou Goyim:
termos utilizados pelos judeus para se referir aos não-judeus.
[c] Observe que o
Judaísmo pós Morte e Ressurreição de Cristo é outro, é diferente daquilo que
era praticado na Antiga Aliança. O autor não faz essa distinção, o que deixa
para o leitor desavisado a ideia de que o Judaísmo hoje é o mesmo da Antiga
Aliança, o que é falso. Os judeus se organizaram após a morte de Cristo num
farisaísmo ainda mais duro que aquele condenado pelo Senhor. Devo dizer também
que os judeus de hoje, em sua maioria acachapante, não observa o Antigo
Testamento e sim o Talmud. Para saber mais sobre o Talmud leia aqui.
Leia também: O Talmud Desmascarado.
[d] É bem difícil
pensar nos judeus rezando pela redenção do mundo inteiro, já que esse mundo
inclui os goyim, ou seja, os não-judeus, que são considerados por eles como pessoas
sem importância, sem alma boa, até. Creio
também que o judeu que reza com sinceridade termina se convertendo à verdadeira
Fé: a Católica.