Traduzido por Andrea Patrícia
Caros Amigos e Benfeitores,
Para o Ano Novo e para janeiro, duas magníficas
citações de dois grandes clérigos do século passado, que enxergaram então o
centro dos nossos problemas hoje. Primeiramente, do Mons. Gaume, algumas
palavras de encorajamento para o que parece ser outro intimidador Ano Novo:
“Veja o que está acontecendo à sua volta; compreenda
tanto o sinal dos tempos e as coisas que disseram para você, quanto os terríveis
perigos que o ameaçam. A sedução o cerca por todos os lados; nas leis, na
moral, nos livros, nos discursos, no comportamento público e privado das
pessoas. A quantidade e a autoridade das verdades católicas estão encolhendo a
cada dia entre os filhos dos homens. Entenda tudo muito bem: esteja firmemente
convencido de que sua posição nunca foi tão grave. Levando à conclusão não de
que você deve se retirar do mundo, mas que você deve guardar-se do mal. Mais do
que em qualquer outra época, todo católico deve ser um soldado até o seu último
suspiro. Se você tem uma compreensão clara do tremendo julgamento que o aguarda
e pelo qual você já está passando, isso irá preenchê-lo com grande coragem e
santa alegria. Esta é a prova inabalável da sua fé e a sólida base na rocha das
suas esperanças porque é o cumprimento tangível das profecias do nosso Divino
Mestre.
“Ele não disse há 1800 anos, que no fim dos tempos, as
nações iriam universalmente apostatar? Que a fé cresceria tão fraca que daria
apenas um vislumbre de luz? Que a iniquidade iria inundar como uma impetuosa
torrente por toda a face da terra e que a caridade de muitos iria esfriar? Ele
não disse que iria se levantar uma multidão de falsos profetas, precursores do
Homem do Pecado? Que Deus não seria levado em conta? E que ao mesmo tempo o
Evangelho iria chegar a todas as partes do mundo? Ele não disse que estava predizendo
essas coisas para preveni-lo de ser escandalizado pelo triunfo passageiro dos
homens perversos? Para prevenir que você diga em seu coração: Cristo dorme;
será que Ele desistiu de nós? Todas essas coisas preditas por Deus, você não
tem a impressão de estar vendo, ao menos em parte, ser cumpridas diante de seus
próprios olhos? Então tenha uma clara compreensão da sua posição, e levante a
cabeça abaixada sob o peso do sofrimento, das humilhações e do medo. A grande
luta contra Cristo é tanto a prova da sua fé quanto o alvorecer do dia da
justiça, quando a ordem correta de tudo será restabelecida, e nunca mais será
perturbada.
“Não se contente com apenas ver tudo isso, mas observe
também; o que eu digo a você, eu digo a todos: observe. Muitos homens no tempo
de Noé não reconheceram os sinais de aviso do Dilúvio, nem na época da morte de
Nosso Senhor os sinais de aviso da destruição de Jerusalém: então assim será no
fim dos tempos" ("Where are we
headed?", pg. 198-200).
Ler tais palavras de um bispo francês escritas cento e
cinquenta anos atrás não é um conforto sentimental para nós hoje, porque
superficialmente, elas não são palavras de muita alegria. Entretanto, ler tais
palavras nos Estados Unidos no fim do século XX é uma consolação viril, porque
sua distância no tempo e espaço enfatiza sua verdade duradoura.
Ai dos sentimentalistas! Como as galinhas dos homens
de maldade sem precedentes vem para casa empoleirarem-se nesse fechamento de
nosso amaldiçoado século, tais auto-confortadores terão que intensificar sua
cegueira intencional para manter o ritmo, até que nada menos que um milagre
possa abrir seus olhos, e nenhum de nós merece milagres. Pelo contrário,
abençoados o viris em espírito que preferem ver a realidade como ela é, e que
atravessam cada Ano Novo do modo como lhes é designado viver, saberão como
“possuir suas almas na paciência”, ao concentrarem-se em seu dever como ele é,
vindo a eles dia a dia, com poucas expectativas (dos homens) e com menos
ilusões ainda.
A segunda citação trata da virilidade espiritual, e é
adequada a janeiro, mês da Sagrada Família, na medida em que, sem nem mesmo
mencionar a família, põe o dedo no problema essencial que vem minando a família hoje: a
carência de homem. Aqui está como o Cardeal Pie fala disso, novamente, um
oceano distante e um século atrás:
“...Que desapontamento para as mães perceber que o
macho que elas deram à luz não é um homem, e nunca merecerá ser chamado de
homem!... A nossa era não é de vidas vividas erradamente, de homens
emasculados? Por que? ... Porque Jesus Cristo desapareceu. Onde quer que haja
verdadeiros cristãos, há homens em grande quantidade, mas em toda parte e
sempre, se a cristandade cai, os homens caem – olhe atentamente: eles não são
mais homens, mas sim sombras de homens. Assim o que você ouve por todos os
lados hoje em dia? O mundo está diminuindo pela carência de homens; as nações
estão perecendo devido a escassez de homens, devido a raridade de homens...
“Eu acredito: não existem homens onde não há
caracteres; não existem caracteres onde não há princípios, doutrinas, posições
tomadas; não há posições tomadas quanto a doutrinas, princípios, quando não há
fé religiosa e consequentemente não há religião na sociedade. Faça o que quiser
apenas de Deus você terá homens.
"E se você tem o infortúnio de procurar remédio
para o empobrecimento moral e intelectual do país num sistema de educação no
qual as crianças terão que participar sem que precisem ser cristãs, para
reconstruir uma geração de homens, se você inventa escolas onde ninguém está
ausente exceto Deus; então tal ultraje ao dique da liberdade humana, razão e
religião finalmente estouraria, e seria a sentença de morte do país”.
Observem, caros amigos, que o Cardeal conclui com os
perniciosos efeitos do sistema de ensino público ateu, mas o problema real ele
nomeou antes: a falta de religião na sociedade. De fato a verdadeira religião
das sociedades modernas, ou seja, a pedra angular sobre a qual elas são
construídas é a liberdade religiosa, ou o princípio que a sociedade não tem
direito de interferir na escolha dos indivíduos sobre qual religião (ou falta
disso) eles querem. É esta liberdade religiosa que não somente leva diretamente
a um sistema de ensino publico ateu, mas também, ao igualar implicitamente
verdades religiosas com mentiras religiosas, desacredita toda a religião e toda
a verdade, solapa convicções, e então emascula homens – leia o Cardeal
acima.
Se os católicos não condenarem uma sociedade
construída sob a liberdade religiosa, tal sociedade irá condená-los. Por uma
punição justa esta irá dissolver os homens, suas esposas, seus filhos e suas
famílias. Caros amigos, o Ano Novo é em meados dos anos 90, não dos 50. Tenham
muita coragem. O Deus do Cardeal Pie e do Mons. Gaume é real.
Que Nosso Senhor esteja com vocês através do Ano Novo.
Sinceramente vosso em Cristo,
*Carta de
janeiro de 1995.
Traduzido
de:
Bishop
Richard Williamson. Letters from the Rector of Saint Thomas Aquinas
Seminary,. True Restoration Press.