Por Dr. Remi Amelunxen
Traduzido
por Andrea Patrícia
Nossa Senhora oferece alívio e liberta almas que
sofrem no Purgatório
O Privilégio
Sabatino é baseado na Bula Sacratissimo uti culmine do Papa João XXII, de
3 de março de 1322, emitida 71 anos após Nossa Senhora ter aparecido a São
Simão Stock e ter entregado-lhe o Escapulário do Carmo, também conhecido na América
como Escapulário Marrom.
Nesta Bula, o Papa declarou que a Mãe de Deus apareceu a ele e recomendou
urgentemente a confraria da Ordem Carmelita. Ela pediu ao Papa para ratificar
como Vigário de Cristo na terra as indulgências que Nosso Senhor já havia
garantido no Céu para os membros da Ordem Carmelita que morreram usando seu Escapulário.
Estas foram indulgências plenárias para os membros da Ordem Carmelita e uma indulgência
parcial para os membros da confraria.
Então, a Mãe
Santíssima afirmou que ela desceria do Céu ao Purgatório no Sábado após suas
mortes e libertaria e conduziria ao Céu todos os que estavam no Purgatório que
haviam ganho este privilégio. Desta promessa de ser libertado do Purgatório no Sábado
seguinte vem seu nome, Privilégio Sabatino, pois Sábado em Latim é Sabbatum.
O Papa João XXII escreveu no fim da Bula: “Esta santa indulgência eu portanto
aceito; eu confirmo e ratifico na terra assim como Jesus Cristo graciosamente
garantiu no Céu em consideração aos méritos da Virgem Maria.”
Este Privilégio Sabatino foi aprovado e confirmado por 16 Papas, incluindo São
Pio V (1566). Uma das mais claras explicações da assistência prometida às almas
no Purgatório que preenchiam as condições do Privilégio Sabatino é encontrada
num decreto do Papa Paulo V comunicado no ano 1613:
"É lícito aos Padres Carmelitas pregar que os católicos podem crer
piedosamente no auxílio prometido as almas dos irmãos e membros da Confraria da
Virgem Maria do Monte Carmelo, a saber, que a Virgem Maria irá assistir por
suas contínuas intercessões, sufrágios e méritos e ainda por sua especial
proteção, particularmente no Sábado após a morte (cujo dia foi consagrado a ela
pela Igreja) as almas dos irmãos e membros da Confraria que deixando esta vida
em caridade devem ter usado o hábito [Escapulário], e devem ter observado a
castidade de acordo com o seu particular estado de vida, e também tenham
recitado o Pequeno Ofício ou, se incapazes de ler, tenham mantido os jejuns da Igreja,
e tenham se abstido do consumo de carne as Quartas-feiras e Sábados, a menos
que a Festa da Natividade de Nosso Senhor caia num desses dias."
O Papa Bento XIV declarou que os fieis devem confiar no Privilégio Sabatino e
que nem a Bula original nem a aparição da Mãe Santíssima podem ser contestados
(Opera omnia, 1767).
O Privilégio Sabatino dessa maneira consiste essencialmente na libertação antecipada
do Purgatório através da intercessão especial e petição de Nossa Senhora no dia
consagrado a ela, Sábado. (1)
As condições do Privilégio
Muitas pessoas tem a ideia errônea de que qualquer um que morre usando o Escapulário
Marrom irá para o Purgatório e será libertado por Nossa Senhora no primeiro Sábado
após sua morte. Este não é o caso.

Alguns Escapulários sugerem erroneamente que apenas
usar o Escapulário Marrom merece o Privilégio Sabatino
O Privilégio
Sabatino afirma claramente que a libertação antecipada do Purgatório é aplicada
apenas aqueles que usam o Escapulário e preenchem outras
condições. As condições do Privilégio Sabatino são três:
1. O uso do Escapulário Marrom de Nossa Senhora do Monte Carmelo. O usuário
deve ter o Escapulário oficialmente imposto. Esta recepção oficial é feita por
um sacerdote que coloca o Escapulário na pessoa e então recita uma oração
particular. É necessário fazer isso apenas uma vez na vida;
2. Viver uma vida de castidade de acordo com o seu estado de vida;
3. A recitação diária do Pequeno Ofício da Virgem Maria.
Em vez de recitar o Pequeno Ofício, as pessoas que não podem ler podem observar
todos os jejuns observados pela Igreja Católica e em adição abster-se de carne
em todas as Quartas-feiras e Sábados do ano exceto quando o natal cai em um
desses dias.
A faculdade de mudar essa condição para ganhar o privilégio foi garantida a
todos os confessores pelo Papa Leão XIII no Decreto da Congregação das Indulgências
de junho de 1901. De acordo com este decreto, qualquer padre com faculdades
diocesanas pode comutar a recitação do Pequeno Ofício por alguma obra piedosa, normalmente
a recitação diária das 15 dezenas do Rosário. A maioria dos leigos simplesmente
pede a um padre que aprove esta substituição.
Portanto, é importante não apenas usar o Escapulário, mas também preencher as
outras condições do Privilégio. Nossa Senhora revelou ao Venerável Dominic de Jesus
e Maria: "Embora muitos usem meu Escapulário, apenas poucos preenchem as
condições para o Privilégio Sabatino."
O Privilégio Sabatino ainda está em
vigor?
Alega-se atualmente que como o Privilégio Sabatino não é mais listado no Enchiridion
Indulgentiarum (lista de indulgências) da Igreja, e como todas as
indulgências de tempos passados foram explicitamente ab-rogadas pelo atual Enchiridion,
alguns concluem que o Privilégio Sabatino também foi ab-rogado.
A Hierarquia apóstata de hoje criou este estratagema progressista contra as
indulgências para criar confusão entre os católicos e tornar a Igreja Católica
mais parecida com o Protestantismo – que odeia todas as indulgências – bem como
para denegrir e destruir tudo o que é sagrado.
A sólida e contínua aprovação do Privilégio Sabatino por tantos Papas no
passado dá aos fieis católicos confiança de que será efetivo para sempre e
encoraja-os a adotar esta sã tradição. Como a Bula do Papa João XXII explicou, o
Privilégio Sabatino é simplesmente a ratificação na terra das indulgências que Nosso
Senhor Jesus Cristo já garantiu no Céu. Claramente, isso não pode ser ab-rogado
tão facilmente.
É opinião deste autor que os sacerdotes devem fazer com que o Privilégio
Sabatino seja mais conhecido e os católicos devem abraçar esta oportunidade de
uma grande graça concedida a nós pela nossa Mãe Santíssima.
As Trinta Missas
Gregorianas
Como o Privilégio Sabatino, as Trinta
Missas Gregorianas referem-se a libertação das almas do Purgatório através da assitência
de Nossa Senhora. (2)

Inspirado pelo Espírito Santo, o Papa São Gregório concedeu-nos
o privilégio das Trinta Missas Gregorianas
A prática das Trinta Missas Gregorianas foi fundada
pelo Papa Gregório o Grande em 590 d.C. no Monastério Santo André em Roma. Ele
estabeleceu que 30 Missas oferecidas em 30 dias consecutivos sem interrupção
libertam uma alma específica do Purgatório. As verificações históricas da
eficácia das Trinta Missas Gregorianas são impressionantes.
Esta prática piedosa estabelecida por São Gregório o
Grande fala muito em seu favor. Este santo não apenas nos deu o Sacramentário Gregoriano (que é
essencialmente a Missa do modo como sempre foi rezada, e tornou-se conhecida
hoje como Missa Tridentina), como também fez a consolidação das orações
universais católicas pelos mortos.
As Trinta Missas Gregorianas tem sido largamente
usadas em Monastérios Beneditinos desde o início da Idade Média. Apenas as
Festas de Natal, Páscoa e o Tríduo da Semana Santa, quando caem entre as trinta
Missas, podem interrompê-las sem quebrar o privilégio.
As Missas Gregorianas são frequentemente oferecidas
num altar privilegiado, embora isso não seja obrigatório. Quando a prática
começou, ela era limitada somente as Missas rezadas no altar do Monastério
Santo André em Roma usado por São Gregório quando ele era Abade de Santo André.
Mais tarde, este mesmo privilégio foi estendido a outros altares em Roma, e então
por toda parte. O Papa Leão XIII declarou que uma única Missa no altar privilegiado
é equivalente às Trinta Missas Gregorianas.
As Trinta Gregorianas caem em desuso
Em seu artigo Thirty
Gregorian Masses, Pe. Stephen Somerville responde a questão sobre porque esta prática
foi descontinuada após o Vaticano II. Ele não acredita que ela foi colocada de
lado por razões práticas. Em vez disso, ele afirma:
“O Ecumenismo provavelmente trabalha para fazer com que a
prática das Trinta Missas passe despercebida ou que seja descontinuada. Trata-se
de um lembrete ousado e enfático da doutrina do Purgatório e da importância das
orações e Missas rezadas pelos fieis falecidos, coisas que estão fora da crença
protestante, e portanto aptas a levantar a fúria protestante.”
A maioria dos jovens sacerdotes nem mesmo sabem o que são
as Trinta Missas Gregorianas.
Hoje, encontrar padres ou monastérios que rezem as
Trinta Missas consecutivamente pode ser difícil, mas é possível (clique aqui e aqui). [N.Trad.:
No Brasil, clique
aqui e informe-se]
Como o Privilégio Sabatino, as Trinta Missas
Gregorianas são uma tradição longamente honrada da Igreja que oferece alívio as
almas do Purgatório. Como fieis católicos ao Magistério da Igreja, nós devemos
fazer tudo para ajudar estas Pobres Almas, especialmente aquelas de nossos
familiares e amigos.
Que seja concedido o Eterno descanso a elas, Oh
Senhor, e que a luz perpétua brilhe sobre elas. Que possam descansar em paz. Amen.
- The Catholic Encyclopedia, Albany NY: JB Lyon Co., 1912, vol. XIII, p. 289-290
- Leia [em inglês] o excelente artigo do padre Stephen Somerville the
Thirty Gregorian Masses no website [TIA].