Inferno dos Condenados, o Lugar
Onde as Almas Permanecem Para Sempre
Por Dr. Remi Amelunxen
Traduzido por Andrea Patrícia
Nosso Senhor Jesus Cristo presidindo o Juízo Final
Após estudar o Purgatório, (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) parece lógico discorrer sobre o Inferno. Este dogma também foi muito
esquecido e até mesmo negado, especialmente como sendo um lugar onde as almas
dos condenados estão por toda a eternidade.
A fonte principal para esta série de artigos é o livro
excepcional de Pe. François
Xavier Schouppe intitulado Hell: The Dogma of Hell Illustrated by Facts
Taken from Profane and Sacred History. [Inferno: O Dogma do Inferno Ilustrado por Fatos Extraídos da História
Profana e Sacra](1) Esta série irá resumir esta obra, escrita há mais de 100 anos,
e também apresenta pensamentos e opiniões de outros autores.
O dogma de que o Inferno existe é, como observa o Pe.
Schouppe: “a mais terrível verdade de nossa fé. Nós temos tanta certeza do
Inferno como temos da existência de Deus.” (2) Nosso Senhor mesmo proclamou isto
ao menos 50 vezes no Evangelho.
A Revelação é
apoiada pela razão, e a existência do Inferno está em harmonia com a Lei
Natural, que é a expressão da imutável Justiça Divina. De fato, na história
nunca existiu um povo que não tivesse um sistema de punição para aqueles que
não seguissem as leis comuns. Uma variedade de punições terminando com a pena
de morte é a regra normal de qualquer sociedade.
Esta realidade penal que existe em toda parte não é nada mais senão o reflexo
da Justiça Divina. Não é difícil enxergar que uma punição eterna – o Inferno –
é um prato da balança da Lei Divina. O outro prato é a recompensa eterna para
aqueles que são fieis. Isto é o que a razão nos diz sobre o Inferno.
Algumas noções explícitas sobre o Inferno sempre foram conhecidas por muitos
povos. O Inferno nunca foi negado por hereges, Judeus e Maometanos.
Ironicamente, foi apenas na era do Iluminismo, no século XVIII, que separou-se
a fé da razão, e criou esta enorme estupidez chamada Ateísmo. Um filósofo ateu
é tão estúpido quanto um cientista que finge que a luz e o calor que beneficiam
a terra não vêm do sol. Então, após essa “iluminação” nós temos que suportar
estas toupeiras que não conseguem enxergar um palmo diante de seus narizes e
negam Deus como causa da Criação e da Lei Natural. Ateus também negam o
Inferno.
Tristemente, em nossos dias, com o objetivo de “adaptar-se ao mundo moderno”, o
Progressismo aceita as pressuposições desses ateus e também minimiza – quando
não rejeita – a existência do Inferno. Mesmo
altos escalões eclesiásticos na própria Igreja Católica estão fazendo o mesmo…
Tolos sofismas
Pe. Schouppe
retrata algumas pessoas infelizes que persuadem a si de que o Inferno não
existe baseadas em interesseiros sofismas internos. O raciocínio delas é o
seguinte:
- Eu não acredito em Inferno;
- Aqueles que acreditam neste dogma não têm prova
de sua existência, já que a futura vida após a morte é um problema
insolúvel, um invencível “talvez”;
- Ninguém retornou do além da tumba para
testemunhar que existe um Inferno.
Aqueles que negam o Inferno são tolos insensatos, caminhando
numa perigosa corda bamba
Vejamos brevemente cada um desses raciocínios. “Eu não
acredito em Inferno”, alguns simplesmente dizem. O Inferno deixará menos de
existir porque você não quer acreditar nele? Se você negar sua própria
existência, você cessará de existir? (3)
“Ninguém sabe o que é a vida futura e o Inferno é
apenas um ‘talvez’”. De fato, este argumento é resolvido pela Revelação, que
fala sem incertezas sobre o Inferno. A verdade do Inferno é conhecida pela
infalível palavra de Deus. Apenas o mais tolo dos homens se basearia num
“talvez” e assim exporia a si mesmo à punição do fogo eterno
Quanto ao terceiro argumento, existem, de fato, almas
condenadas que retornaram para revelar seus castigos eternos como veremos na
última parte deste artigo.
As Sagradas Escrituras falam sobre o
Inferno
Há muitas referências à existência do Inferno (4) no
Antigo Testamento. Dentre outras, as seguintes:
• O perverso deverá ser lançado no Inferno, e todas as
nações que se esqueceram de Deus. (Sl 9,18)
• Portanto, o Inferno alargará sua alma e abrirá sua
boca sem quaisquer limites, e seus fortes e seu povo, e seus altos e gloriosos
cairão dentro dele. (Is 5,14)
As Escrituras falam frequentemente de um lugar de fogo
eterno onde os Demônios e as almas dos condenados ficam
• Que a morte venha sobre eles e que eles caiam vivos
no Inferno. Pois há perversidade entre eles e em suas moradas. (Sl 54,16)
• Eu abalei a nação com o som de sua queda, quando o
lancei no Inferno com aqueles que caem dentro do abismo. (Ez 31,16)
• Pois eles também deverão cair com ele no Inferno
para perto daqueles que foram mortos pela espada: e o braço de cada um deverá
cair sob sua sombra em meio às nações. (Ez 31,17)
• Vós os transformareis em fornalhas ardentes no tempo
de vossa ira: o Senhor irá confundi-los com Sua ira e o fogo os devorará. (Sl
20,10)
No Novo
Testamento nós encontramos estas palavras infalíveis:
• Se vossa mão os escandaliza, corte-a fora; é melhor
entrar na vida mutilado do que ter duas mãos e ir para o Inferno, dentro do
fogo infindável: onde os vermes não morrem e o fogo não se extingue. (Mc 9,43)
• E vós, Cafarnaum, que vos eleva até o Céu, deverá
ser lançada no Inferno. (Lc 10,15)
• Deus não poupou os anjos que pecaram, mas lançou-os
com cordas infernais no fundo do Inferno entre tormentos, onde estão reservados
até o julgamento. (2 Pe 2,4)
• Então Ele dirá para aqueles que estiverem à sua
esquerda: apartem-se de mim, malditos, para o fogo eterno que foi preparado
para o demônio e seus anjos. (Mt 25,41)
• Desceu fogo vindo de Deus no Céu e os devorou, e o
demônio, que os seduziu, foi lançado num lago de fogo e enxofre, onde tanto a
besta quanto o falso profeta serão atormentados dia e noite, para sempre. (Apoc
20,9-10)
• Eles irão para o castigo eterno. (Mt 25,46)
O ensino De fide da Igreja
Em seu Fundamentals of Christian Dogma [Fundamentos do Dogma Cristão], o
teólogo Ludwig Ott apresenta estes dois ensinamentos de fide no tópico
sobre reprovação e Inferno:
1. As almas daqueles que morrem em condição de pecado
mortal entram no Inferno (5) – O Credo
Atanasiano declara: “Aqueles que fizeram o mal irão para o fogo eterno”
(Denzinger 40).
Bento XII declarou na Constituição Benedictus Deus:
“De acordo com o decreto geral de Deus, as almas daqueles que morrem em pecado
mortal descem imediatamente ao Inferno, onde serão atormentadas pelas dores do
Inferno” (Denz. 531).
Os Pais da Igreja atestam unanimemente a realidade do
Inferno. Por exemplo, Santo Inácio de Antioquia afirma que aqueles que
corrompem a fé em Deus através de ensinos errôneos “irão para o fogo insaciável
– assim como aqueles que deram ouvidos a eles.” São Justino baseia a punição do
Inferno na ideia de Justiça Divina, que exige punição para aqueles que transgridem a lei
de Deus. (6)
2. O castigo do Inferno dura por toda a eternidade – Afirmando a natureza eterna do Inferno, falada com
frequência na Sagrada Escritura, (7) o Quarto Concílio de Latrão (1215) declarou:
“Aqueles [os rejeitados] receberão uma punição perpétua com o demônio.” (Denz.
429)
Uma impressionante manifestação do Inferno
Em Sua misericórdia, Deus ajuda nossa fé sobre a
verdade do Inferno através de manifestações de uma natureza sensível. Estas são
mais numerosas do que se pensa, e são apoiadas por provas suficientes. Eis um
exemplo impressionante, provado judicialmente no processo de canonização de São
Francisco de Jerome (1642-1716) e atestado sob juramento por um grande número
de testemunhas oculares.
São Francisco estava pregando em Nápoles sobre o
Inferno e os terríveis castigos que esperam pecadores obstinados. Uma prostituta
descarada da região chamada Catarina veio perturbar seu sermão com gestos e
gritos.
São Francisco de Jerome pregando as Últimas Coisas
O santo gritou para
ela: “Cuidado, minha filha, ao resistir à graça. Antes que se tenham passado
oito dias, Deus irá puni-la.”
Em vez de prestar atenção às palavras dele, a mulher apenas zombou dele com
mais veemência.
Após oito dias, o santo estava novamente naquela região e disseram a ele que Catarina
havia morrido subitamente naquele mesmo dia. Ele disse: “Bem, vamos deixar que
ela nos diga agora o que ela ganhou ao rir do Inferno.”
Seguido por uma multidão, ele foi até a câmara mortuária, descobriu o cadáver,
e disse em voz alta: “Catarina, diga-nos onde você está agora.”
A mulher morta levantou a cabeça e abriu os olhos. Suas feições tomaram uma
expressão de desespero e, numa voz lamentosa, ela disse: “No Inferno. Eu estou
no Inferno.” Então ela caiu de volta na condição de cadáver.
Pe. Schouppe registra as palavras de uma testemunha, que disse: “Eu nunca pude
transmitir a impressão que este incidente produziu em mim e nos espectadores, e
que eu ainda sinto toda vez que eu passo por aquela casa e vejo aquela janela. Eu
ainda ouço grito triste ressoando: ‘No Inferno. Eu estou no Inferno’.” (8)
Este é apenas um exemplo das manifestações de almas que retornaram a terra para
admitir que elas sofrem punição eterna.
(Continua)
- Francois Xavier Schouppe, The
Dogma of Inferno, Illustrated by Facts Taken from Profane and Sacred
History, Rockford, IL: TAN, 1989
- Ibid., p. 1.
- Ibid., p. 2.
- Outras
referências no Antigo Testamento, Ez 31,18, Ez 32,21, 27, Pr 7,27, Pr
9,18, Pr 15,24, Is 29,10, Is 24,21f., Judt 6, Ecl 21,10-12, Sl 87,5,7, Sl
37,12f, Sb 4,20, Jó 22,17-20, Dan 12,2, Sb 5,1-3, Sb 5,4f, Sb 5,79, Is
33,14, Deut 32,39.
Outras referências no Novo Testamento, Mc 9,46-47., Mt. 7,13, Mt. 10,23,
Mt 7,13, 2 Pet 2,9, Mt. 18,8, Lc 13,27, 2 Ts 1,9, Mt 25,30, Mt 3,12, Mc 9,44,
Lc 16,23, 2 Pet 2,9, Ef 5,6, Rom 1,28-32, Ap 22,15, Ap 21,8
- Ludwig Ott, Fundamentals of
Christian Dogma, St. Louis, Herder, 1969,p. 479-480.
- Ibid., p. 480
- Dan 12,2; Sb 4,19; Judith 16,21,
7; Mt 18,8, 25,41, 46, 3,12; Mc 9,43; Mc 9,45f, 2 Ts 1,9; Ap 19,3, 20,10.
- F.X. Schouppe, The Dogma of Inferno,
p. 3-4.