Uma
Inversão Fundamental nos Objetivos da Igreja
Por Robert P. Banaugh
Traduzido por Andrea Patrícia
Paulo VI lança uma nova missão: a Igreja deve servir
ao homem
Em 7 de
dezembro de 1965, em seu discurso de encerramento no Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI anunciou: “A Igreja decidiu
servir ao homem, ajudar o homem a construir um lar aqui nessa terra.”
De acordo com
Paulo VI, as autoridades dos dias atuais da Igreja Católica não devem mais
assistir aos fieis para cumprir o propósito sobrenatural pelo qual eles foram
criados, que é “conhecer, amar e servir a Deus, e estar para sempre com Ele no
Céu”. Assim, o objetivo principal da Igreja, estabelecido por Cristo para o
propósito de dar honra e glória a Deus e a salvação das almas, foram invertidos.
Não a salvação das almas, mas a melhora do bem estar humano tornou-se o maior
objetivo da Igreja Conciliar.
Como o Papa
está bem ciente das palavras de Jesus: “Buscai em primeiro lugar o Reino de
Deus e Sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo” (Mt 6,33)
– essa mudança de propósito foi realmente uma mudança mais radical.
No mesmo
discurso o Papa também disse:
“A Igreja
Conciliar, isso é verdade, também tem estado muito preocupada com o homem, com
o homem como ele realmente é hoje, com o homem vivente, com o homem totalmente
voltado para cuidar de si mesmo, com o homem que não somente faz de si mesmo o
centro de seus próprios interesses, mas que ousa alegar que ele é o fim e a
meta de toda existência.
“O humanismo
secular, profano, finalmente revelou a si mesmo em sua terrível forma e, num
certo sentido, desafiou o Concílio. A religião do Deus que se fez homem
chocou-se com uma religião – por que é uma – do homem que se fez Deus.”
“O que
aconteceu? Um impacto, uma batalha, um anátema? Isso poderia ter acontecido,
mas não aconteceu. Foi a antiga história do Samaritano que serviu de modelo
para a espiritualidade do Concílio. Ele foi
permeado somente com uma infinita e ilimitada simpatia. A atenção do nosso Concílio
foi tomada com a descoberta das necessidades do homem - que se tornam tão
maiores quanto o filho da terra torna-se maior.
“Reconheçam
ao menos isto, vós humanistas que não reconhecem a transcendência das coisas
supremas, e reconhecei o nosso novo humanismo: nós também, mais do que ninguém,
temos o culto do homem” (Ibid.)
Quatro anos
mais tarde em 13 de julho de 1969, Paulo VI
novamente enfatizou essa nova elevação do homem ao declarar:
“O homem é tanto
gigante quanto divino, em sua origem e destino. Por isso, honra ao homem, honra
à sua dignidade, ao seu espírito, à sua vida."
Então, de
acordo com o Papa, não somente o propósito da Igreja foi radicalmente mudado,
como também a relação entre Deus e o homem. O cumprimento de ambos os novos
propósitos da Igreja e o novo “status” do homem, são baseados em noções tão
intangíveis quanto diálogo, unidade na diversidade, construir uma comunidade
mundial de amor através do diálogo, alcançar a unidade na diversidade entre
todos os povos do mundo, estabelecer uma ‘religião’ única mundial definida pelo
homem, etc.
O novo
objetivo é claramente inatingível, pois contradiz as palavras de Jesus citadas
acima bem como as palavras de Deus em Jeremias: 'Maldito o homem que confia no
homem e que se apóia na carne e cujo coração se afastou do Senhor' (17.5).
O Concílio
inspirou mudanças nos princípios básicos da fé e seus ritos litúrgicos como
eram compreendidos antes do Concílio. As mudanças enfatizaram ações tais como
colaboração com autoridades de diferentes seitas religiosas, bem como com
autoridades seculares para a melhoria do bem estar humano, alcançar a paz
mundial, etc. Para alcançar os novos objetivos, os ensinamentos de Cristo foram
despreocupadamente ignorados, bem como Seu propósito para Sua Igreja.
Francisco enviou uma carta ao Primeiro Ministro
Cameron: 'O objetivo da política e da economia é servir a humanidade'
Por muitos
séculos antes do Vaticano II, a Igreja foi devotada a ajudar os fiéis a cumprir
a admoestação em Mateus 6,33. Como consequência a Igreja desfrutou de um
período de constante crescimento no número de seus membros, de seu clero e de
suas instituições. No mundo inteiro tanto sua autoridade moral quanto sua
influência social foram respeitadas.
Além disso, a
atividade caritativa da Igreja foi muito admirada devido ao grande número de
escolas e hospitais que ela tinha construído, apoiado e dirigido, colocados à
disposição de muitos dos pobres.
Entretanto,
logo após o encerramento do Vaticano II dezenas de milhares de religiosos e
sacerdotes abandonaram a Igreja. Esse abandono levou à restrição de muitos
serviços religiosos, ao fechamento de centenas de escolas católicas e à grave
limitação da capacidade dos hospitais católicos e organizações caritativas para
prestação de assistência médica e serviços caritativos aos pobres.
Além disso, a
fé católica foi abandonada por centenas de milhares de católicos. Esta
devastação da igreja começou quase que imediatamente após o encerramento do
Concílio. Ela rapidamente tornou-se tão evidente que, apenas três anos após o
seu encerramento, Paulo VI se sentiu forçado a declarar: "a Igreja se
encontra em processo de auto-demolição”.
A súbita e
acentuada perda da influência religiosa e moral da Igreja tem sido tão evidente
que tem levantado muita discussão entre católicos e não-católicos. Infelizmente,
esta auto-destruição continua inabalável devido aos novos ensinamentos e ações
de autoridades da Igreja conciliar.
Continua.