sexta-feira, novembro 30, 2012

Curso online: Ascese e filosofia à luz do Tomismo



O professor Sidney Silveira vai iniciar um bom curso online, bastante acessível:
 
 "Ascese e filosofia à luz do Tomismo".

 
Acesse o blog para se informar.

quinta-feira, novembro 29, 2012

Uma Entrevista com Malachi Martin


Por Anthony Gonzales
Traduzido por Andrea Patrícia



Malachi Martin*, padre católico romano, autor de Best-sellers, eminente teólogo, correspondente, confidente de bispos e cardeais, pessoa de dentro do Vaticano, ex-professor de Teologia do Pontifício Instituto Bíblico e historiador perspicaz foi gentil o suficiente para responder a algumas perguntas que eu coloquei para sua consideração. Pe. Martin é provavelmente mais conhecido por seus livros mais vendidos: Reféns do Diabo, Os Jesuítas,  Vatican: The Final Conclave, The Keys of This Blood e The Decline and Fall of Roman Church, para citar apenas alguns. Eu conheço o padre Martin desde abril de 1991 e fui privilegiado o suficiente para passar algum bom tempo com este padre maravilhoso, e absorver tanta informação e sabedoria quanto eu pude. Nós já mantivemos contato através de correspondência e telefone. Recentemente enviei uma cópia do The Hammer a ele para que ele fizesse uma revisão. Na sua carta de resposta, ele declarou: "Eu gosto do tom e da precisão dos materiais (boletins) que você me enviou. Parabéns!". Ele também pediu alguns tópicos para discussão. Enviei-lhe uma lista. A seguir, a lista com suas respostas breves, mas pungentes. Espero que, no futuro, ter mais discussões aprofundadas com Pe. Malachi e, por sua vez, informar meus leitores das discussões subsequentes.

Caro padre Malachi:
As ideias que tenho são ao longo das linhas de trazer alguma esperança para os meus leitores, enquanto fazendo-os perceber a gravidade da situação, ao mesmo tempo. O que o senhor acha das seguintes ideias?

Anthony: Laudetia Jesus Christus
Uma resposta completa às oito perguntas multiplex em sua carta me levaria cerca de 40 horas de gravação. A única solução possível é uma série de breves respostas resumidas.
Pergunta:
1. O estado atual da Igreja é resultado da mudança dos ritos da liturgia? Se eles simplesmente queriam tornar a Missa "mais significativa" e oferecer um ambiente de maior "participação", por que eles tinham que mudar o rito em si? Por que eles não apenas introduziram o vernáculo em lugares apropriados do antigo rito?
Resposta:
Pe. Malachi: "O rito foi mudado por aqueles que queriam destruir a Missa"
Pergunta:
2. Existe uma conspiração para destruir a Igreja? Se afirmativo, por quem? Eles são simplesmente homens infiéis e mulheres que desejam mudar a Igreja à sua própria imagem tal como os líderes da revolução protestante, mas com menos integridade, ou aqueles por trás disso são muito mais subversivos e demoníacos?
Resposta:
Pe. Malachi: "Sim, existe tal conspiração apoiada por prelados católicos romanos e os inimigos de Cristo do lado de fora.”.
Pergunta:
3. O que o senhor acha das supostas aparições de Nossa Senhora em Medjugorje, na Bósnia-Herzegovina? Poderiam ser as falsas aparições outro meio pelo qual o diabo, uma facção conspiradora ou ambos estão tentando minar os ensinamentos da Igreja sobre dogmas importantes como o Extra Ecclesiam Nulla Salus [Fora da Igreja Não Há Salvação]? Isso não é a mesma coisa que o diabo faz, ou seja, misturar mentiras com a verdade, a fim de enganar e confundir até mesmo psicologicamente os eleitos?
Resposta:
Pe. Malachi: "Eu acho que Medjugorje é uma fraude satânica.”.
Pergunta:
4. Por que o Papa João Paulo II não "cortou as cabeças" dos bispos que desafiam sua autoridade e que estão em oposição direta à verdade da fé católica? Por que ele lhes permite destruir tantas almas sem castigá-los?
Resposta:
Pe. Malachi: “O Papa João Paulo II não acredita que ele, pessoalmente, tem autoridade para "cortar cabeças"”.
Pergunta:
5. A Nova Ordem Mundial está rapidamente se tornando uma realidade. Se continuarmos a votar nos homens e mulheres conservadores em cargos políticos eles podem virar o jogo?
Resposta:
Pe. Malachi: "Não. Os conservadores são os últimos a entender o que está acontecendo.”.
Pergunta:
6. A profecia (por cerca de 200 Santos) sobre os Três Dias de Escuridão é também uma parte do segredo de Fátima? Os santos também falam sobre a "Idade de Ouro" da Igreja, quando a China, Rússia, Inglaterra e Índia serão convertidos à Fé e haverá uma paz universal. Você acha que essas coisas vão acontecer em breve?
Resposta:
Pe. Malachi: "Sim, os Três Dias de Escuridão são parte de Fátima. Nós não temos datas fixas para qualquer coisa. Mas isso não pode continuar por muito mais tempo."
Pergunta:
7. Quando o Papa João Paulo II morrer, o que você acha que vai acontecer no Conclave? Poderia um Anti-Papa ser eleito para a Cátedra de Pedro? É possível que um Papa verdadeiramente tradicional seja eleito ou podemos esperar mais do mesmo ou pior?
Resposta:
Pe. Malachi: "O próximo Papa vai trazer ainda mais confusão na Igreja do que já existe."
Pergunta:
8. Em seu livro "Refém do Demônio" você confirma o fato de que os casos de possessão demoníaca são tradicionalmente raros. Devido ao aumento aparente na atividade demoníaca em todo o mundo durante os últimos 30 anos, você já viu quaisquer aumentos dramáticos nos casos de possessão ou obsessão recentemente?
Resposta:
Pe. Malachi: "Os casos de possessão e obsessão aumentaram cerca de 750% desde o início de 1970. Esta tem sido a minha experiência no setor Nordeste dos Estados Unidos.".

Bênçãos,
Pe. Malachi

Caro leitor, como você pode ver as respostas para as perguntas acima são provocantes e intrigantes. Espero continuar a minha correspondência com ele e mantê-lo informado de insights e explicações mais profundas para os temas e perguntas listados acima. Se você tiver mais interesse e desejar saber mais sobre temas específicos, por favor, sinta-se livre para escrever e vou passá-las ao padre Martin.
Obrigado, Padre, para tomar um tempo da sua movimentada agenda para responder às minhas perguntas. Eles foram concisas e ainda cheias de implicações para agora e para o futuro. Vamos todos ter confiança de que não importa o quão escuro parece que as coisas estão, Deus ainda está no controle. Nós só precisamos nos agarrar a Sua verdade revelada e ao nosso amor por Ele e uns aos outros.
Original aqui.


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Notas da tradutora:

*O Padre Malachi Martin morreu em 1999. Ele foi jesuíta, mas muito antes de morrer ele se desligou da Ordem de Santo Inácio. Ele teve acesso ao Terceiro Segredo de Fátima, mas claro, nunca contou o que era, pois fez um juramento. Ele dizia que quem tinha que contar o Segredo era o Papa. O padre Martin sempre rezou a Missa Tradicional (Tridentina, Missa de Sempre).

terça-feira, novembro 27, 2012

Levando pedradas




É bem difícil viver neste mundo. Quando se tem uma noção melhor das coisas, quando se está mais envolvida na realidade, enxergando coisas que os outros não querem enxergar, é bem complicada a convivência.

Você quer avisar as pessoas sobre algo, você quer ajudar, abrir os olhos, mas o que recebe em troca é pedrada. 

Você estuda sobre um assunto, lê, reflete, e quando dá seu parecer recebe alguma resposta do tipo "ah não é bem assim, isso já é fanatismo", e pronto, acabou a conversa. Sim, porque quem em sã consciência vai perder mais tempo com essas pessoas que fizeram a "faculdade da televisão" ou a "pós-graduação midiático-maçônica", pessoas que foram praticamente programadas pelo liberalismo? Não dá.

Percebo que vai se formando um abismo entre algumas pessoas. As ideias das pessoas no mundo giram em torno de si mesmas, não em torno de Deus. E quando você tenta abrir os olhos delas para isso - mesmo sem falar de Deus, apenas falando sobre a realidade, digamos do mal que faz a mídia judaico-maçônica - elas se fecham, agridem quem tenta fazê-las enxergar e afastam as mãos que poderiam dar apoio verdadeiro. 

O que fazer? Rezar, não há mais nada a fazer senão isso.


sábado, novembro 24, 2012

Comentários Eleison: Ditadura Iminente


“Comentários Eleison”, por Mons. Williamson – 
Número CCLXXX (280) - 24 de novembro de 2012

DITADURA IMINENTE

Um maravilhoso retrato do nosso mundo contemporâneo apareceu há algumas semanas no site da Internet, 321gold. O título é atemorizante: "Declínio, Decadência, Negação, Ilusão e Desespero", mas o conteúdo certamente reflete a realidade. A partir de uma cena de rua que pode ser encontrada sem dúvida por todo o leste dos Estados Unidos, ele conclui que dentro de 15 anos uma ditadura orwelliana descerá sobre seu país como um efeito indesejado de causas desejadas. Mas o que acontece nos EUA não é típico do que acontece no mundo inteiro? O mundo inteiro está comprando o modo de vida americano. "A responsabilidade é do comprador"[1]!

Este Outono, nas ruas de Wildwood, New Jersey, o autor observou calçamentos sobrecarregados de homens tremendamente obesos e mulheres com menos de 50 anos de idade circulando pela cidade com lambretas subsidiadas pelo governo a visitar um fast-food atrás do outro, a fim de se empanturrarem com guloseimas repletas de açúcar que deveriam dar aos seus mais novos modelos de lambretas mais trabalho do que nunca. Um nome divertido para eles? – "Os deficientes desafiados pelo peso[2] em seus poderosos veículos de mobilidade aprimorada". Assim é a fuga da realidade do "politicamente correto" e sua linguagem.

O autor procura causas para esse efeito tragicômico: como pode o povo americano, que antes poupava 12% de sua renda, ter sido persuadido a assombrar as estatísticas de obesidade para além dos limites dos gráficos, com um endividamento, e com um estilo de vida saturado de açúcar, sem fazer mais economias e com uma carga insuportável de dívida sendo legada aos seus filhos e netos? É claro que há uma falta de autocontrole de suas partes, ele diz, mas deve haver algo mais sinistro, alguma mente por trás de uma cena tão estúpida. Ele diz que a massa de cidadãos está sendo manipulada por um governo invisível que tem dominado as modernas técnicas de manipulação de massas.

Ele cita um pioneiro dentre os especialistas nessas técnicas da década de 1920, Edward Bernays: "A manipulação consciente e inteligente das massas é um elemento importante na sociedade democrática... Um vasto número de seres humanos deve cooperar desta forma se eles têm de viver juntos como uma sociedade em bom funcionamento... Se na política, conduta empresarial, social ou pensamento ético, somos dominados por um número relativamente pequeno de pessoas... que entendem os processos mentais e os padrões sociais das massas." Eles são "o verdadeiro poder instituído do país" e eles "puxam os fios que controlam a mente do público." Por qual propósito? Para sua própria riqueza e poder.

São eles que têm organizado a crise financeira e econômica de hoje para seu próprio benefício. Eles têm "destruído a economia mundial... jogado a sua dívida inútil nas costas dos contribuintes e das gerações ainda por nascer, empurrado cidadãos idosos e poupadores na frente do ônibus ao roubar US$ 400 bilhões por ano de juros do  interesse deles, e enriquecido a si mesmos com lucros obtidos com a bolha financeira, e pagamentos de bônus." E quando a tomada tiver de ser puxada deste modo de vida insustentável, então nossos mestres invisíveis tem preparado para nós uma "ditadura de lágrimas" ao modo 1984, com a polícia militarizada com milhões de balas, câmeras de vigilância e drones em toda parte, prisões sem acusações, e assim por diante. No entanto, diz o autor, a culpa é dos próprios cidadãos que têm preferido a ignorância à verdade, a doença à saúde, as mentiras da mídia ao pensamento crítico, a segurança à liberdade.

Há apenas uma coisa que falta a essa análise admirável: poderia a nossa elite ter corrido de modo tão desenfreado, ou nossas massas terem se tornado tão burras, se tanto uma quanto a outra tivesse guardado o menor sentido de um Deus que nos julga a todos ao morrermos, de acordo com os Dez Mandamentos? Claro que não. Católicos, acordem!

Kyrie eleison.

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Notas da tradução:
[1] Original em inglês: “Let the buyer beware” – tradução da expressão latina: “caveat emptor”, utilizada quando um vendedor não assume responsabilidade pela qualidade de determinado produto que pôs à venda.
[2] Original em inglês: “weight-challenged” (termo politicamente correto para “obeso”) disabled (em possível menção à obesidade mórbida, em inglês, “fat disabled”).

sexta-feira, novembro 23, 2012

Escravas de Maria: adesão à profissão de Fé e de resistência




Adesão à profissão de Fé e de resistência, pelas Irmãs Escravas de Maria:

Nós, as Escravas de Maria e os fiéis da Capela de Santa Teresinha do Menino Jesus da Santa Face da Cidade de Campo Grande no Estado do Mato Grosso do Sul- Brasil, aderimos às profissões de Fé e de resistência da Família Beatae Mariae Virginis (Fundador e superior padre Jair Britto), Bahia e do Mosteiro da Santa Cruz (Superior Dom Tomás de Aquino), Nova Friburgo-RJ.
 

quinta-feira, novembro 22, 2012

A Obsessão Pela Vida Selvagem

Por Roger Scruton
Traduzido por Andrea Patrícia




A preocupação americana com os hábitats dos animais promoveu uma vandalização dos hábitats das pessoas.

O movimento ambiental nos Estados Unidos começou como uma defesa da natureza contra o homem. Mas o que chamamos de "natureza" é uma construção humana, e quando Thoreau e John Muir resolveram proteger a selva intacta, eles estavam realmente tentando criar o ser humano intacto sendo eles que trilhavam esse caminho. Todas as iniciativas ambientais mais vigorosas na América, a partir do movimento de parques nacionais e do Sierra Club para o Dia da Terra e da Wilderness Society, têm sido dedicados à ideia de vida selvagem. O motivo raramente tem sido o de proteger ou melhorar o habitat humano, mas fazer trilhas no interior intocado, onde o povo americano pode respirar o ar puro do Éden, e arremessar para longe o fardo do pecado original, que é o pecado da cidade.

Essa obsessão pela vida selvagem teve bons resultados. É bom que a América tenha grandes parques nacionais, nos quais a vida selvagem se beneficia de uma medida de proteção. É bom que os americanos apreciem as suas florestas, rios, lagos e zonas úmidas. É bom que eles se preocupem com o futuro das águias, ursos negros, e linces. E é justo que estas preocupações devam ser refletidas nas férias americanas, na veia romântica da arte americana e literatura, e no "Lone Ranger" (1) imagem que se repete na cultura popular americana. Os esquadrões de motoqueiros sem destino que patrulham as estradas cênicas, as tropas de escoteiros nas trilhas de montanha, as canoas e caiaques nas corredeiras dos rios, todos testemunham um respeito profundamente implantado pelo mundo natural, e um anseio por uma inocência perdida. As pessoas que mantêm a ideia de inocência perdida estão um grau melhores do que aquelas que se esqueceram disso e, portanto, acreditam que não há tal coisa. E talvez a bondade da América dependa, em última análise, do culto da natureza.

Mas há uma desvantagem na ideia de vida selvagem e é um passo importante. A preocupação americana com os hábitats dos animais promoveu uma vandalização dos hábitats das pessoas. O homem leva sua condição decaída com ele para a vida selvagem. Ele pode refletir sobre isso lá, como Thoreau fez em Walden Pond, mas ele não pode fugir dela. E por criar este Éden ilusório ele vira as costas ao seu habitat verdadeiro, que é a cidade.

A cidade é um fórum lotado de estranhos, onde você está cara a cara com pessoas cuja companhia você nunca escolhe. Ela depende da cooperação social, que por sua vez depende do estado de direito e das instituições de comércio. Mas depende também de um ato primordial de dedicação, ao deus ou ao santo que irá protegê-la. Todas as grandes cidades do mundo começaram suas vidas como lugares sagrados, em que foi dado um propósito redentor à vida entre estranhos pela submissão partilhada a um poder superior. As cidades modernas têm crescido longe dessa postura primordial de submissão. Mas elas são ainda marcadas por ela. Igrejas, edifícios públicos, as fachadas das ruas e praças - são testemunhas de um ato original de povoamento, em que um pedaço de terra foi marcado por uma comunidade e dedicado aos seus deuses.

Os clássicos estilos de construção que formam as cidades originais e as cidades da Nova Inglaterra derivam da arquitetura do templo. Sua harmonia resulta da dedicação de seus fundadores: ao colocar tijolo sobre tijolo ou pedra sobre pedra, eles estavam construindo não apenas uma casa, mas um altar. O mesmo é verdadeiro para o estilo Gótico, elogiado nesses termos por Ruskin, e colocado em uso impressionante na arquitetura industrial da Inglaterra Vitoriana.

Foi Ruskin quem lançou o movimento ambientalista na Grã-Bretanha. A floresta havia sido derrubada para criar a Royal Navy (2) e nada da vida selvagem permaneceu. Mas Ruskin não se importou. Sua preocupação era com a paisagem feita pelo homem - a colcha de retalhos da velha Inglaterra, cravada por sebes e muros de pedra seca, e abotoada até a terra por belas casinhas de pedra. Para Ruskin desta natureza feita pelo homem era contígua à cidade, a qual dedicou, em Stones of Venice, a maior descrição em Inglês de um lugar tornado sagrado pelos edifícios.

O amontoamento americano é tanto a causa quanto o efeito do desejo pela vida selvagem. Isso acontece por se deixar de cuidar da cidade como um lugar sagrado e um lar comunitário. Autoestradas, entroncamentos e viadutos, blocos de torre sem rosto, fáscias altas, anúncios erguidos em postes e logotipos infantis – todo esse tipo de coisa desfigura a cidade, transformando-a de uma casa para se viver em uma ferramenta a ser utilizada.

A destruição da cidade norte-americana não tem que acontecer. A ideia de que você pode possuir terra em uma cidade e fazer o que quiser com ela é um capítulo novo e excêntrico na história do povoamento humano. Éditos religiosos, códigos de construção e ordenanças cívicas governavam a aparência da cidade antiga e asseguravam a sua continuidade como um espaço público: isso nós testemunhamos não só nos monumentos sobreviventes de Atenas e Roma, mas também naquelas jóias de urbanização cotidiana como a escavada Éfeso e a agora mutilada Aleppo.

As ameias nas fachadas de Veneza já foram legisladas por 500 anos. As alturas dos edifícios em Genebra e Helsinque foram limitadas por lei desde o Século XIX. A cidade de Salzburg agora proíbe aqueles que comercializam exibindo seus logotipos ou alteram a arquitetura para se adequar ao seu gosto. Graças aos limites legalmente impostos em Viena, você pode olhar a partir do centro da cidade para um horizonte verde das matas protegidas. E assim por diante. Cidades europeias foram amadas por seus moradores, e por isso adotaram uma estética de povoamento. Assim, seus moradores se instalaram e ficaram.

A cidade norte-americana começou como uma tentativa louvável de criar um espaço público, mas nada público existe por muito tempo em um país onde apenas a vida selvagem tem uma reivindicação duradoura para proteção. New Brunswick, definida horizontalmente, com clássicas ruas e praças, fixada para o céu pelos pináculos de pedra limpas das igrejas, foi pisoteada até a poeira em algumas décadas: agora é um vida selvagem de estacionamentos e blocos de escritórios, com a construção ocasional clássica marcando o lugar numa rua desaparecida como um cão leal no túmulo de seu dono. Este desastre estético - comparado em outros lugares só pelos resultados da guerra e da conquista - é um defeito duradouro sobre a ideia norte-americana. Mas o que pode ser feito para corrigi-lo?

Os Novos Urbanistas defendem cidades centrípetas em vez de centrífugas, e argumentam vigorosamente sobre projetos que irão atrair os moradores do centro. Mas mesmo se eles tiverem sucesso, a crença americana enraizada de que você pode fazer o que quiser com sua propriedade e manter o que você gosta na cara dos transeuntes, significa que as cidades dos Novos Urbanistas muito em breve irão se parecer com as cidades dos urbanistas antigos que sabemos, é uma confusão de sinais, logotipos e fáscias, espalhadas ao longo, e autoestradas em que os edifícios não ficam ao lado de seus vizinhos, mas contra eles. Não é surpreendente que aqueles que trabalham em tais lugares devem fugir na primeira oportunidade para a vida selvagem intocada. Mas foi o amor pela vida selvagem que causou o desastre.

Não é que os americanos não estejam cientes do problema. A preocupação com a randomização da cidade norte-americana foi vigorosamente expressa por J.C. Nichols nos primeiros anos dos arranha-céus de ferro, e mais tarde por Lewis Mumford e Jane Jacobs, a partir de seus pontos de vista muito diferentes. As linhas de batalha sobre a suburbanização foram formadas entre as guerras e hostilidades recentemente agravadas com os escritos de James Howard Kunstler, Joel Kotkin, e Bruegmann Robert. A luta contra os outdoors, que teve  sucesso com a instituição de vias panorâmicas, continua em pequena escala em toda a América. E aqui e ali municípios conseguiram colocar restrições sobre as piores formas de poluição luminosa e expansão na estrada. Mas, por boas razões, bem como ruins, os americanos estão relutantes em impor restrições estéticas sobre o uso da propriedade privada.

Um dia desses, sentado na varanda da cabana de nosso editor, na montanha em Virginia, eu confrontei a distinção entre a América com dono e sem dono em sua forma mais vívida. Do outro lado de nós estava o Shenandoah National Park, uma massa escura da floresta, exalando o seu silêncio primitivo. E abaixo dele, no vale, estava a antiga aldeia de Etlan, Madison County, uma desordem natural de casas brancas ao longo da estrada. Mas entre as antigas fazendas com seus celeiros vermelho-ferrugem, as novas fazendas de cavalos estão surgindo, uma delas enorme, retangular, o seu brilho de luz branca dominando a paisagem e eclipsando as cores suavizadas ao redor.

Na Europa haveria quase certamente uma lei, dizendo ao proprietário do haras para enegrecer o telhado do celeiro e pintar seus lados de ferrugem - como há uma lei exigindo telhas em Provença, ardósias na Bretanha, pedras de Cotswold em Gloucestershire. Mas, como nosso editor disse, tal lei seria recebida aqui como uma intromissão grosseira por parte do governo e seria rejeitada ferozmente por ninguém mais do que os bons conservadores, que ele passou sua vida defendendo. E esses conservadores estariam certos. Pois o modo de vida americano é sobre a soberania individual: tire isso, invada a casa e dite o gosto dos seus habitantes, e o altar mais sagrado da liberdade teria sido entregue ao Estado invasor.

Ainda assim, não posso deixar de culpar aquele feio celeiro na vida selvagem mais distante. Também não posso deixar de desejar que os americanos não tivessem investido tanto de sua paixão estética nos lugares onde eles não vivem, e tão pouco nos lugares onde eles vivem.


Sobre o autor:
Roger Scruton é filósofo, escritor e compositor, de nacionalidade inglesa.

Original aqui.
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Notas da tradutora:

(1)    “Lone Ranger” é uma personagem criada por George Washington Trendle. É um tipo de cowboy mascarado e montado em seu cavalo branco. É também chamado de “Cavaleiro Solitário”. “Ranger” é um termo em inglês usado para o policial da região rural do Texas.
(2)    “Royal Navy”, Esquadra Real, Marinha.

quarta-feira, novembro 21, 2012

Ajuda aos bravos defensores da fé do Mosteiro do Padre Jahir Britto de Souza



Mais que nunca, a Mosteiro do Padre Jahir Britto de Souza vai necessitar de nossa ajuda financeira. Entrem em sua página (http://fbmv.wordpress.com/) e vejam como fazê-lo. Cada real será muito bem-vindo e terá grande importância em sua e nossa luta por manter íntegra a fé contra os lobos e os carneiros carnívoros que nos cercam como leões rugientes.
Fonte: SPES

terça-feira, novembro 20, 2012

Como rezar?



Uma vez um padre me disse que para rezar bem eu devo buscar conversar com Deus com amor, falando com ele como uma filha fala a um pai amoroso, com simplicidade.
Creio que esse seja um bom ensinamento não somente para mim, mas para qualquer pessoa.
Conversar com Ele, expor nossas dúvidas e temores, nossos problemas, pedir graças, tudo isso é rezar.  Claro que nada disso dispensa as orações de sempre, aquelas belíssimas como o Credo, a Ave-Maria ou o Pai-Nosso. O importante é rezar e buscar colocar nosso coração nisso.
Reze sempre, todos os dias!

segunda-feira, novembro 19, 2012

Adesão à profissão de fé e de resistência



Leiam aqui a Adesão à profissão de fé e de resistência, pelos monges do Mosteiro da Santa Cruz.


Que Nossa Senhora guie sempre os bravos católicos que defendem a Fé!

sábado, novembro 17, 2012

Comentários Eleison: Problema Profundo




“Comentários Eleison”, por Mons. Williamson – 
Número CCLXXIX (279) - 17 de novembro de 2012
  
PROBLEMA PROFUNDO
  
Muitos católicos não entendem a profundidade do problema provocado pela Revolução Conciliar do Vaticano II (1962-1965) na Igreja Católica. Se eles conhecessem mais a história da Igreja, poderiam ser menos tentados tanto pelo liberalismo, a pensarem que o Concílio não foi assim tão ruim; quanto pelo “sedevacantismo”, a pensarem que as autoridades da Igreja não são mais as suas autoridades. Nosso Senhor questionou a autoridade religiosa de Caifás ou a autoridade civil de Pôncio Pilatos?
O problema é profundo porque está enterrado sob séculos e séculos de história da Igreja. Quando, no início dos anos de 1400, São Vicente Ferrer (1357-1419) pregou em toda a Europa que o fim do mundo estava próximo, como nós hoje sabemos, isso se estenderia por mais de 600 anos. No entanto, Deus confirmou sua pregação concedendo milhares de milagres e milhares e milhares de conversões. Deus estava confirmando uma mentira? Nem pensar! A verdade é que o santo estava discernindo corretamente, implícita na decadência do fim da Idade Média, a corrupção explícita e quase total dos nossos próprios tempos, o ensaio geral para a corrupção total do fim do mundo.
Era apenas questão de tempo, o tempo próprio de Deus, vários séculos para que a corrupção implícita se tornasse explícita, porque Deus escolheu levantar Santos em intervalos regulares para retardar o declínio, notavelmente a safra dos Santos famosos que conduziu a Contrarreforma no século XVI. No entanto, Ele não tiraria o livre-arbítrio dos homens, de modo que se eles optaram por não ficar nas alturas da Idade Média, Ele não iria forçá-los a ficar. Em vez disso, Ele permitiu que a sua Igreja, pelo menos em certa medida, se adaptasse à época, porque ela existe para salvar almas presentes e não glórias passadas.
Dois exemplos podem ser a teologia molinista, feita necessária por causa de Lutero e Calvino para garantir a proteção do livre-arbítrio; e a Concordata de 1801, tornada necessária pelo Estado revolucionário para permitir que a Igreja funcionasse totalmente em público. Agora, tanto o molinismo quanto a Concordata foram compromissos com o mundo do seu tempo, mas ambos permitiram que muitas almas fossem salvas, enquanto a Igreja não permitiu que fossem minados os princípios que permaneceram sagrados: o de Deus como Ato Puro, e o de Cristo como o Rei da Sociedade, respectivamente. No entanto, ambos os compromissos permitiram certa humanização da Igreja divina e contribuíram para uma secularização gradual da cristandade. Compromissos têm consequências.
Assim, se um lento processo de humanização e secularização estava avançando muito nesse mundo de onde somente os homens e as mulheres são chamados por Deus para servir na sua Igreja, estes dificilmente poderiam começar seu serviço sem uma forte dose de liberalismo radioativo em seus ossos, pedindo um antídoto vigoroso em sua formação religiosa. Naturalmente eles poderiam compartilhar a convicção instintiva de quase todos os seus contemporâneos de que os princípios e os ideais revolucionários do mundo de onde vinham eram normais, enquanto que a sua formação religiosa oposta àquele mundo podia parecer piedosa, mas fundamentalmente anormal. Esses clérigos e freiras poderiam ser um desastre esperando para acontecer. Esse desastre aconteceu em meados do século XX. Uma grande parte dos 2000 bispos católicos do mundo se alegrou em vez de se revoltar quando João XXIII deixou claro que ele estava abandonando a Igreja antimoderna.
Então ninguém que quer salvar sua alma deve seguir a eles ou aos seus sucessores. Mas, por outro lado, os últimos estão tão convencidos de que eles são normais em relação aos tempos modernos que eles não são tão culpados quanto teriam sido em épocas anteriores por destruir a Igreja de Cristo. Bem-aventuradas são as almas católicas que podem abominar os seus erros, mas continua honrando o seu ofício.

Kyrie eleison.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Conceito da Realeza de Cristo

Por Monsenhor Tihamér Tóth
Traduzido por Andrea Patrícia



Por que os homens rejeitam a Cristo? Porque não querem aceitar o reinado de Cristo.
Lembre-se da cena de Belém: os três homens sábios estão se curvando diante do presépio... Esta criança que adoram e para quem trazem presentes é o Filho do Deus vivo, o Verbo encarnado, o Soberano da raça humana. Isto é, Jesus Cristo é Rei! É um menino, mas também Legislador! Ele nos ama, mas também é nosso Juiz. É doce, mas exigente. E se é meu rei, eu não posso viver levianamente como tenho feito até agora. Jesus Cristo deve ter uma voz em meus pensamentos, meus planos, meus negócios, minha diversão. Ah, mas isso seria demasiado exigente. Achamos muito difícil e não queremos admiti-lo.
A simplicidade, humildade, pobreza do Cristo de Belém é uma acusação implacável contra o nosso modo de vida. Pois, se Cristo está certo, é claro que nós não estamos, não tem razão o meu orgulho, o meu imensurável desejo de glória, meu desejo de prazer, minha idolatria de tantas coisas terrenas, minha adoração ao bezerro de ouro.
Esta é a razão pela qual nós nos recusamos a nos submeter ao jugo de Cristo.
Eu não quero a Cristo, porque sua humildade condena o meu orgulho.
Eu não quero a Cristo, porque sua pobreza condena meu desejo de bem-estar e prazer.
Eu não quero a Cristo, porque a sua confiança na Providência condena meu materialismo e autossuficiência.
Mas se Cristo é meu Rei, então meus ídolos não podem ser a razão, o prazer ou o dinheiro.
Se Cristo é o meu Rei e meu Deus, eu não posso fazer da razão ou da ciência um ídolo.
Eu respeito a ciência, sim, mas não a elevo à categoria de divindade. A ciência não pode explicar tudo, e muito menos cumprir o meu desejo de felicidade.
Nunca antes como agora tivemos tantas escolas e universidades, tantas bibliotecas, tantos recursos para adquirir conhecimento e cultura. No entanto, proliferam assassinatos, corrupção e decadência moral. Ciência, livros, cultura, não podem fornecer tudo. Não ocupam o primeiro lugar, o qual somente Deus pode preencher. Não foi o anjo mais inteligente, Lúcifer, que mergulhou nas profundezas? E não leio a cada dia que entre os grandes criminosos há homens altamente educados, com muitas qualidades, muito espertos e inteligentes?
Sabemos muitas coisas, sim, mas... o que sabemos? Nós construímos arranha-céus, exploramos os recursos naturais, nos divertimos, nós vivemos muito bem... mas não sabemos ser honestos, não sabemos perseverar em fazer o bem, não sabemos ser felizes, não sabemos viver uma vida digna do homem.
Cristo é nosso Rei! O que isso significa? Isso significa que a alma é superior ao corpo, que a integridade moral é mais preciosa do que o saber muito.
Que a fé religiosa vale mais do que a minha carreira ou o meu trabalho profissional.
Que a Santa Missa tem um valor infinito, que não pode ser comparado com o de um filme.
Que um momento de oração vale mais do que uma festa mundana...
Tudo isso significa a realeza de Cristo.
Se Cristo é meu Rei, a moda não pode ser meu ídolo. Onde Cristo reina, não há espaço para frivolidades. Quem tem Cristo como Rei, não pode vestir, dançar ou jogar com superficialidade e ligeireza... Muitas mulheres desconhecem ingenuamente que o paganismo novamente está tentando tomar forma: através de vestidos indecentes, através de danças obscenas, através de certos filmes que espalham veneno através do luxo exorbitante. .. isso é o paganismo.
Se Cristo é o meu Rei, eu não posso expulsá-Lo da vida pública, que é exatamente o que afirma a laicidade: expulsar o Cristianismo de tantos lugares quanto possível, arrancar de Cristo mais e mais fiéis.
Se Cristo é o meu Rei, eu não posso adorar o dinheiro ou o prazer. Pois o espírito está acima da matéria, porque a minha alma é chamada a viver a vida de Deus. Mas nos esquecemos de Cristo, e não temos tempo para alimentar o nosso espírito.
E por não colocar nossos corações em Cristo, acabamos colocando-os nas religiões esotéricas orientais, e abdicamos da fé católica. Mas essas religiões não têm nada de novo a dizer e são cheias de erros.
Aqui, então, a razão para a rejeição da realeza de Cristo... Nós não aceitamos Cristo Rei porque condena o nosso modo de vida pagão.
Segundo a lenda, o Menino Jesus estava indo para o Egito para escapar de Herodes, e enquanto Ele passava, todas as estátuas de ídolos que atravessavam a estrada iam caindo...
A mesma coisa deve acontecer para nós hoje: diante de Cristo todos os ídolos devem cair! Diante de Jesus Cristo humilde, deve cair o meu orgulho arrogante. Diante de Jesus pobre, deve desaparecer meu orgulho presunçoso e minhas ânsias de prazeres. E só então quando estivermos em conformidade com Cristo, como Rei, é que a sociedade humana será curada de seus muitos males.
Vinde, ó Cristo Rei, porque não podemos mais!
Vós sois o nosso sol, que nos dá vida, que nos dá luz e calor.

Original aqui.


Pública Profissão de Fé: Padre Jahir


Leiam aqui a belíssima declaração do Padre Jahir, do Mosteiro Nossa Senhora da Fé e Rosário:




Palavras de sabedoria, coragem e verdadeira Fé.  
Que Nosso Senhor Jesus Cristo continue abençoando essa Família!

segunda-feira, novembro 12, 2012

Cruzada dos Bons Livros

 

Leiam aqui sobre a Cruzada dos Bons Livros e fiquem por dentro dessa maravilhosa empreitada! Vamos colaborar para difundir bons livros!

Vejam também: Ainda sobre o Projeto: Cruzada dos bons livros.

Cultura de verdade, educação e espiritualidade: colabore! 

sábado, novembro 10, 2012

Comentários Eleison: Marcellus Initiative

“Comentários Eleison” por Mons. Williamson – 
Número CCLXXVIII (278) - 10 de novembro de 2012


MARCELLUS INITIATIVE
 

Após a apresentação da semana passada dos detalhes da Marcellus Initiative que visou facilitar as doações para a causa de um bispo “expulso”, alguns leitores perguntaram razoavelmente sobre o que é essa Iniciativa. Para começar, isso vai cobrir as despesas pessoais da mudança de Wimbledon, talvez para fora de Londres, a fim de então ir viver em outro lugar. Além dessas despesas, a palavra “Iniciativa” foi escolhida deliberadamente para deixar opções em aberto. No entanto, é importante que ninguém pense que essas doações serão para em breve arranjar um substituto para a Fraternidade São Pio X ou para substituir um seminário. Há boas razões para não apressar nenhum dos dois.

Para uma alternativa à FSSPX, nós devemos aprender as lições a serem tiradas dessa severa crise. A Igreja Católica funciona na base da autoridade, do Papa para baixo, mas nosso mundo Revolucionário tem quebrado atualmente o senso natural de autoridade do homem de tal forma que poucos sabem como comandar, e a maioria dos homens obedecem ou muito pouco ou demais. Nós temos, por assim dizer, ficado sem o bom senso popular que permitiu que a autoridade Católica funcionasse. Então como somente Deus pôde estabelecer a autoridade de Moisés pelo sensacional castigo dos rebeldes (Números XVI), então em nossa época com certeza somente Deus pode restaurar a autoridade do Papa. Será através de uma “chuva de fogo”, tal como Nossa Senhora de Akita profetizou no Japão em 1973? Seja como for, oasis de Fé permanecerão como uma possibilidade imediata e prática, e eu irei fazer o melhor que puder para servi-los.

Argumentos similares podem ser aplicados para o reinício de um clássico seminário Católico. Ninguém pode fazer tijolos sem palha, diz o velho provérbio. É cada vez mais difícil produzir sacerdotes Católicos de nossos jovens homens modernos, penso eu. Qualidades sobrenaturais de fé, boa vontade e piedade percorrem um longo caminho, mas a graça constrói na natureza, e os fundamentos naturais, tais como um lar sólido e uma verdadeira educação humana, estão cada vez mais em falta. Claro que ainda existem algumas boas famílias onde os pais entenderam o que sua religião requer deles para colocar suas crianças no caminho para o Céu, e onde eles estão fazendo o seu melhor heroicamente. Mas nosso mundo pervertido é armado para destruir todo bom senso e decência natural, de gênero, família e país. Com a melhor boa vontade, as crianças do ambiente social de hoje permanecem em geral mais ou menos severamente incapacitadas quando se trata de perceber ou seguir um chamado de Deus.

Isso quer dizer que Deus desistiu de Sua Igreja, ou que Ele pretende nos deixar sem sacerdotes para amanhã? Claro que não. Mas isso significa que nenhuma organização Católica arrumada amanhã para salvar almas pode se permitir deixar de enxergar a natureza destruidora de almas da Igreja Conciliar e do mundo moderno. Isso significa que sacerdotes não poderão ser formados amanhã para adquirir um perfeito conhecimento da Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino enquanto tiverem pouca ou nenhuma ideia de como ela se aplica na vida real hoje.

De qualquer forma as congregações e seminários de amanhã devem se manter agarrados na realidade, e não se perderem em sonhos sobre quão “normais” eles são ou precisam ser. Isso pode ser feito? Com a ajuda de Deus, sim. Mas Deus é Deus, e para a salvação de almas, amanhã pode ser que Ele não recorra mais aos clássicos seminários ou congregações de ontem. Por mim, eu devo tentar seguir Sua Providência na ordenação de sacerdotes ou – na consagração de bispos. Que seja feita a vontade de Deus.



Kyrie eleison.




quinta-feira, novembro 08, 2012

Scott Hahn e Pentecostalismo

Por John Vennari
Traduzido por Andrea Patrícia


                                                                      Scott Hahn


O alimento mais teológico do 30º Aniversário da Conferência foi fornecido pelo convertido Scott Hahn. Infelizmente, essa palestra, intitulada Escritura e Tradição, foi uma decepção enorme de muitas maneiras. Embora Hahn tenha proferido muito do que é verdadeiro, era óbvio que surgiria um problema quando ele afirmasse que a Igreja tem agora uma nova compreensão da Tradição, graças a "luminares" como Maurice Blondel, Henri de Lubac e Yves Congar.

Esses "luminares" são a moda atual, desfrutando enorme popularidade e influência na Igreja de hoje. No entanto, essa moda não eclipsa os problemas substanciais contidos no seu novo pensamento. O grande anti-modernista Pe. Garrigou-Lagrange escreveu a Maurice Blondel em 1940 pedindo-lhe para "retratar a sua falsa definição de verdade antes de morrer ... se ele não quisesse passar muito tempo no purgatório" (1). 

No ensaio de 1946, "Para onde a Nova Teologia está nos levando?", o Pe. Garrigou-Lagrange também alertou para os perigos inerentes à "nova teologia" de Henri de Lubac. O eminente estudioso tomista concluiu: "Para onde a Nova Teologia está nos levando? Ela está nos levando em uma linha reta de volta ao modernismo por meio de caprichos, erros e heresias". A Teologia de Henri de Lubac borra a distinção entre as ordens natural e sobrenatural. Essa novidade foi condenada no nº 26 da Encíclica contra erros modernos, Humani Generis, do Papa Pio XII, em 1950. Da mesma forma, em 1980 o firme e ortodoxo Cardeal Siri dedicou 15 páginas de seu livro Getsêmani para examinar os erros de Lubac. Siri concluiu que a teologia de Lubac, tomada à sua conclusão lógica, significaria que "tanto Jesus é apenas um homem, quanto esse homem é Divino" (2). Além disso, aqueles a quem De Lubac considerou como heróis e inimigos são de grande preocupação. Não apenas De Lubac nutriu um desprezível desdém pelo anti-modernista Garrigou-Lagrange, mas foi também um defensor firme do arqui-apóstata Teilhard de Chardin (3). Sobre Yves Congar, o escritor francês Arnaud de Lassus comentou que "tendo contribuído para a ruptura conciliar com o Catolicismo Tradicional, Pe. Congar teve a honestidade de reconhecer a existência dessa ruptura" (4). Mons. William B. Smith do Seminário Dunwoodie lecionou Teologia da Libertação baseada fortemente em Karl Rahner e Yves Congar (5). Dessa forma, o elogio incondicional do Dr. Hahn a esses teólogos modernos causa arrepios na espinha. A "tradição viva" propagada por estes novos pensadores é a base para toda a revolução do Vaticano II - uma revolução que transformou a Igreja de hoje em algo diferente da Igreja de ontem. Como um teólogo progressista escreveu: "No Vaticano II, a Igreja redefiniu-se". Se em nome desta "tradição viva" a Igreja de hoje pode ser diferente da Igreja de ontem, então se segue que a Igreja de amanhã será diferente da Igreja de hoje, e a Igreja do futuro distante será diferente da Igreja de amanhã. Há que se concordar com a previsão perspicaz de Garrigou-Lagrange de que a "nova teologia" favorece um fluxo interminável de modernismo.

Perto do fim do discurso, o Dr. Hahn mudou de marcha e passou de uma discussão sobre a Tradição para um apoio ladeira abaixo aos Católicos Pentecostais. Essa defesa do pentecostalismo lembrou-me do lamento do Mons. Knox, de que a heresia do montanismo do século II "teria feito uma pequena ondulação na superfície da cristandade se o gênio rebelde de Tertuliano não tivesse emprestado sua energia para fazer propaganda dela" (6). "Vocês, como católicos carismáticos", Hahn simpatizava, “parecem estar entre os extremos hoje em dia: dos não-católicos e amigos que são ex-católicos carismáticos, cuja experiência pode tê-los levado para fora da Igreja, e dos católicos tradicionalistas que rebaixam vocês por emocionalismo". Apresentando-se como o homem razoável no meio, então ele refutou uma caricatura das objeções tradicionalistas. "Ouço certos católicos", afirmou, "que se chamam tradicionais dizerem 'Nós temos sacramentos poderosos, nós não temos qualquer necessidade de emoções". Hahn respondeu a essa objeção: "Ei, olhe, se temos sacramentos tão poderosos como a Igreja ensina, então, de todos os cristãos no mundo, temos justa causa para nos emocionar." (aplausos).

Qualquer católico que se preze vai ressentir-se desta resposta irreverente. Devido a sua recente entrada na Igreja, talvez o Dr. Hahn ainda não tenha testemunhado o esplendor da emoção Católica genuína que é sempre acompanhada por uma profunda reverência e piedade sóbria. Mesmo que a Fé Católica não repouse sobre as emoções, os católicos já sabem há séculos que a "aventura da ortodoxia" pode emocionar o coração como nada mais pode. Tenho visto coros Uniatas ucranianos crescendo seu majestoso Slavonic Chant, homens e mulheres cantando com força e lágrimas escorrendo pelo rosto. Fui encantado pela visão de meninas adolescentes, modestamente vestidas com as cabeças cobertas, discretamente ofegantes para recuperar o fôlego, submetendo-se à majestade, à beleza e ao poder de uma total pontifical Alta Missa Tridentina. Sei sobre tradicionais retiros católicos inacianos produzindo lágrimas genuínas de compunção dos pecadores que ficaram longe da Confissão por décadas. Sugerir que uma exposição de alta tensão, vertigem Protestante, é igual ou superior às emoções íntimas religiosas que emanam piedade Católica é um tremendo insulto aos Santos e à nossa herança Católica de dois milênios. Exaltando mais o pentecostalismo, Dr. Hahn proclamou: "Lembre-se, nosso primeiro Papa, Pedro, foi provavelmente o primeiro homem a falar em línguas, e, presumivelmente, a Santíssima Virgem Maria também". Essa é uma  dissimulação verbal digna de Rembert Weakland. Não há registro de que Nossa Senhora tenha falado em línguas ou conduzido qualquer tipo de ministério externo (que é o PROPÓSITO [do dom] das línguas). Mesmo que Hahn tenha feito esta declaração com uma reserva mental, o público ao qual ele está se dirigindo vai entender que ele quer dizer que a Nossa Mãe Santíssima, Rainha do Céu e da Terra, praticou a tagarelice indistinguível dos velhos pentecostais.

Ninguém gostaria de ser responsável diante de Deus por evocar tal imagem na mente das pessoas. O milagre das línguas exercido por Pedro e os Apóstolos, e tal como definido por São Tomás de Aquino, não tem qualquer semelhança com a prática carismática. Além disso, de acordo com a Enciclopédia Bíblica Católica, o carisma de línguas na antiga Corinto tem pouco em comum com a glossolalia dos pentecostais de hoje. A defesa (7) de Scott Hahn desse novo movimento desafia a compreensão. O Pentecostalismo é uma inovação protestante que nunca foi tolerada na história da Igreja. Dr. Hahn faria bem em lembrar o conselho do Papa São Pio X, que nos assegura: "De fato, os verdadeiros amigos do povo não são nem os revolucionários, nem os inovadores, mas sim os tradicionalistas" (8).

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Artigo publicado em Catholic Family News, agosto de 1997.

Original aqui.


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Notas:

1) "Quelle Che Pensano Di Aver Vinto," Si Si, No No, Roma, 31 de janeiro de 1993, pg. 2-3;
2) Siri, Getsêmani, p.70;
3) Ver " Ratzinger Bemoans Novus Ordo Liturgical Collapse, Catholic Family News, junho de 1997;
4) Ver Catholic Family News, Nov. 1996, pgs. 3,7;
5.) Palestra sobre Teologia da Libertação pelo Mons Smith, Keep the Faith, Inc.;
6) Enthusiasm , pg. 25;
7) Ver artigo na página 3;
8) Papa São Pio X, Our Apostolic Mandate, 25 de agosto de 1910, n. º 44 [JV].


quarta-feira, novembro 07, 2012

Os “Anti”




"Meus queridos amigos, nós não somos os “anti" pelo simples fato de sê-lo. Nós somos "anti", porque a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo é "anti": antiliberal, antiecumênica, anticomunista. Por quê? Por meio da Cruz Nosso Senhor restaurou a ordem, uma ordem destinada a Deus, ao nosso próximo. Ele restabeleceu a ordem. E todos os erros mencionados subvertem a Sua ordem. O liberalismo destrói a liberdade; o comunismo destrói a ordem que nos leva a Deus e inclusive a ordem natural, e o ecumenismo destrói o Primeiro Mandamento da lei de Deus, que é uma ordem que leva a Ele. Consequentemente, nosso sacrifício - o Sacrifício da Cruz que nós veneramos, adoramos e oferecemos a cada dia - nos ensina a restabelecer a ordem, porque a paz não é outra coisa que a tranquilidade que proporciona a ordem ".

Dom Marcel Lefebvre, Festa da Imaculada Conceição, 1987.

Original aqui.

terça-feira, novembro 06, 2012

Com acordo ou ainda sem acordo: as pessoas devem usar a razão





É interessante como ouvimos coisas estranhas nos dias de hoje. Ouço por aí que D. Fellay não vai fazer acordo, que a Fraternidade está reunida novamente (???), que não há verdade nessa história de acordo com a Roma modernista, etc. É mesmo? Então por que D. Fellay pede mais tempo para pensar a questão? Como perguntou Andrea Tornielli: “Se Monsenhor Fellay vai dizer não ao acordo, por que pediu mais tempo?
E por que a Comissão Ecclesia Dei comunicou que tudo continua caminhando para um acordo?

Toda essa demora em chegar a um acordo final – sim, porque quem pensa que a expulsão de D. Williamson foi por causa de “desobediências” e não por causa do acordo, está vivendo num mundo de ilusões – não é à toa. Nesse meio tempo os tradicionalistas vão sendo cozidos do jeito do sapo: colocado na panela com água ainda fria e sem que perceba, ao esquentar da água, vai sendo cozido!

Então, por ainda não haver nenhuma assinatura oficial, alguns dizem que toda essa história sobre o acordo não passa de “teorias conspiratórias”. Sim, eles usam esse termo criado pelos orquestradores da Nova Ordem Mundial para desacreditar todos aqueles que descobrem algo sobre seus planos. Eles criam o termo, jogam na mídia e as pessoas, já acostumadas a não pensar, repetem como ovelhinhas treinadas.

Deus nos deu a razão por um motivo: pensar! Não abdiquem de pensar, não se entreguem a emocionalismos, a “certezas vindas do coração”, não se apeguem a família e amigos, pois nesse mundo tudo passa. O que fica é a Verdade, é Deus. E é a Ele que devemos prestar contas não só do que sabemos, mas também daquilo que não quisemos saber. Não fuja da verdade, encare, busque, questione, pare, pense, reflita!

Não confie cegamente em ninguém!!! Observe, reze, reze e reze. E pense!

E que a Virgem Santíssima, que avisou-nos sobre essa apostasia em La Salette, rogue por todos nós!