Comentários Eleison – por Dom Williamson
CCCXXXVII – (337) – (28 de dezembro de 2013):
BILLOT II
Não
só apenas com base nos nomes das sete Igrejas da Ásia (cf. “Comentários”
337), mas também no conteúdo das sete Cartas endereçadas a elas (Ap 2-3)
que o Cardeal Billot estabelece a conexão entre as Cartas e os sete principais
períodos da história da Igreja. Nesse sentido, é de especial interesse a Carta à
igreja de Sardes (Ap 3, 1-6) que corresponderia à nossa própria Idade, a
quinta, a Idade da Apostasia. Depois de evocar a riqueza, a luxúria e a
prosperidade material associadas a Creso, famoso governante de Sardes, Billot
escreve:
“Como se poderia esperar, esta
igreja parece estar em um estado de declínio espiritual. A apostasia e a
decadência estão por todos os lados, mas enquanto a maioria das almas abandona
a religião, há umas poucas que permanecem fieis a Cristo. O anjo disse: ‘Tens alguns nomes em Sardes que não
contaminaram as tuas vestes’ mas: ‘Tens
o nome de vivo, mas estás morto!’. O nome (mas não a realidade) da vida, do
conhecimento, da liberdade, da civilização, do progresso; e estás morto,
sentado na obscuridade e na sombra da morte, porque a luz da vida, que é Nosso
Senhor Jesus Cristo, foi rejeitada. Por isso, ao bispo de Sardes foi dito: ‘Sê vigilante e consolida as coisas que ainda
restam, e que estão para morrer’. E a ele é recomendado antes de tudo que
se apegue infalivelmente a todas as tradições dos santos Apóstolos, sem se
afastar de modo algum do significado que elas tinham para os Pais da Igreja,
com a escusa ou sob a aparência de um entendimento mais profundo: ‘Lembra-te do
que recebeste e ouviste: e observa-o e faz penitência’. E isso é
suficiente para a Quinta Idade. O que se segue é um pouco mais animador”.
E o Cardeal passa para a Sexta e
para a Sétima Idades.
Os
leitores que nunca leram os primeiros seis versos de Apocalipse III em conexão com nossos próprios tempos deveriam se
interessar em fazê-lo. A conexão é notável e não acidental.
É
notável porque “consolida as coisas que
ainda restam, e que estão para morrer” corresponde exatamente à Contra-Reforma
salvando o Catolicismo do Protestantismo, aos Papas anti-liberais salvando da
Revolução Francesa o que remanesceu da Igreja, a Monsenhor Lefebvre (e outros)
resgatando a Tradição do Concílio Vaticano II e, agora, à Resistência lutando
para salvar o que pode ser salvo do colapso de sua Fraternidade no liberalismo.
Os católicos podem seguramente se animar com essa perspectiva: que sua duradoura
e aparentemente desesperançada ação de retaguarda vem de um passado distante e
se ajusta a um futuro finalmente triunfante. É por isso que nos foi dado o
livro do Apocalipse.
Também,
não é a conexão acidental. Nosso Senhor prometeu aos Apóstolos (Jo 16, 12-14)
que seu Espírito, o Espírito Santo, estaria com eles e com seus sucessores ao
longo das Idades para lhes revelar o que só no momento certo eles precisariam
saber. Foi somente quando a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) devastava a
Alemanha que ao Venerável Holzhauser foi dado o entendimento das Sete Idades
ocultas nas Cartas às sete igrejas da Ásia. De modo similar se deu apenas
quando a Revolução Russa estava prestes a estourar, quando nós precisamos que
Nossa Senhora nos assegurasse em Fátima que no fim seu Imaculado Coração
triunfaria. É verdade que a Igreja está sendo agora eclipsada (vejam na
Internet os vídeos com trechos da Missa pública celebrada recentemente no
Brasil pelo clérigo de branco), mas continua não havendo necessidade ou justificativa
para nos tornarmos liberais.
Kyrie eleison.