sábado, novembro 30, 2013

Comentários Eleison: Padre Rioult I

Comentários Eleison – por Dom Williamson
CCCXXXIII – (333) – (30 de novembro de 2013): 

PADRE RIOULT I

            Por que será que não houve nenhum levante entre os padres da Fraternidade Sacerdotal São Pio X quando seus superiores perderam o apego à doutrina católica e a subsequente traição do trabalho de Monsenhor Lefebvre veio a se tornar suficientemente clara, o que se deu a partir de março do ano passado? O Padre Olivier Rioult, pioneiro da “Resistência” na França, expôs algumas boas razões em uma entrevista concedida no mês passado, acessível em francês no site pelagiusasturiensis.wordpress.com. O seguinte resumo é uma livre adaptação do texto original:  

            Basicamente, o pecado original: uma vez que com a luta original pela Tradição nos anos de 1970 e 1980 a sobrevivência dos fundamentos da Fé estava garantida, os tradicionalistas se assentaram sobre suas glórias para desfrutar de seus cômodos enclaves e caíram em uma confortável rotina que agora relutam em perder. Eles perderam o espírito de luta pela Fé.

            Em segundo lugar, a forma particular do pecado original que é o liberalismo: nos últimos dez anos, os superiores da Fraternidade vêm enfraquecendo a luta contra o liberalismo, o erro e a imodéstia. Mas parar de nadar contra a correnteza é se deixar arrastar por ela, e um grande número de padres da FSSPX – mas certamente não todos – vêm enfraquecendo suas convicções e pregações.

            Em terceiro lugar, o ativismo: alguns colegas também podem estar se dedicando excessivamente a seus deveres sacerdotais, ficando sem tempo ou inclinação para a leitura ou o estudo. Transformando-se em meros administradores e comunicadores, eles vêm enfraquecendo suas convicções e pregações.

            Em quarto lugar, a astúcia de Dom Fellay: durante anos, sua fala dupla enganou a todos, exceto a uma pequena minoria de almas lúcidas que não poderiam absolutamente ter lhe dado ouvidos. Só no ano passado é que sua máscara caiu com o “Cor Unum” de março e com sua resposta de 14 de abril aos três bispos. Mas a grande maioria dos tradicionalistas ele pôs para dormir (como está agora novamente a fazer).

            Em quinto lugar, o medo do desconhecido: quando todo mundo em torno de você está enlouquecendo, e você encontra um enclave de sanidade, e então o enclave também começa a enlouquecer, isso requer uma força incomum de caráter para que se encare a realidade e não se dê preferência a uma ilusão ou outra – e quantas ilusões há hoje por aí! Assim, muitos padres percebem que estão vivendo em um drama que requer decisões crucificantes, mas eles carecem da coragem necessária para se lançarem no desconhecido.

            Por último, mas não menos importante, os maus superiores: é claro que sempre houve liberais dentro da FSSPX, como dentro da Igreja mainstream, mas contanto que os superiores se mantenham firmes, aqueles podem ser colocados em xeque. Contudo, quando na Igreja mainstream João XXIII e Paulo VI favoreceram o liberalismo, o resultado foi uma imensa onda, e agora que os superiores da FSSPX se tornaram liberais, o liberalismo está tomando conta da Fraternidade como jamais teria feito sob bons líderes, verdadeiros líderes.

            Essas razões dadas pelo Padre Rioult são todas verdadeiras, mas nenhuma delas é mais forte do que a Fé, que é a “nossa vitória sobre o mundo” (1Jo 5, 4). De fato, se poderia dizer que todas as razões se seguem da falta de uma Fé forte o suficiente por parte dos padres, pois eles estão vivendo em um mundo no qual o apego à Verdade de toda alma viva tem sido perdido – e se a Verdade não é verdadeira, como pode a Fé ser verdadeira?

            Então, qual é a maneira mais simples para se fortalecer o apego à Fé, o que nós absolutamente precisamos fazer diante das loucas circunstâncias atuais? Em minha opinião:

“Vigiem e orem, vigiem e orem,
Quinze Mistérios todos os dias”.                                            


Kyrie eleison. 

sexta-feira, novembro 29, 2013

Número de pecados são contados








Lendo o livro de Santo Afonso de Ligório, Preparação Para a Morte, me deparei com algo que nunca tinha visto antes, e que acho importante que seja dito. 

Meus irmãos, vamos cuidar para não cometer mais pecados! E busquemos imediatamente o arrependimento sincero caso caiamos em pecado novamente, procurando o mais breve possível um sacerdote para confessar. 

Que Deus tenha misericórdia de cada um de nós e que a Virgem Santíssima, tão doce, tão piedosa e amorosa, possa nos socorrer com seu carinho de Mãe e rogar por cada um de nós.
Santo Afonso diz o seguinte (os grifos são meus):



"Se Deus castigasse imediatamente a quem o ofende, não se veria, sem dúvida, tão ultrajado como o é atualmente. Mas, porque o Senhor não sói castigar logo, senão que espera benignamente, os pecadores cobram ânimo para ofendê-lo. É preciso, porém, considerar que Deus espera e é pacientíssimo, mas não para sempre. É opinião de muitos Santos Padres (de São Basílio, São Jerônimo, Santo Ambrósio, São Cirilo de Alexandria, São João Crisóstomo, Santo Agostinho e outros) que Deus, assim como determinou para cada homem o número dos dias de vida, e dotes de saúde e de talento que lhe quer outorgar (Sb 11,21), assim, também, contou e fixou o número de pecados que lhe quer perdoar. E, completo esse número, já não perdoa mais, diz Santo Agostinho1. Eusébio de Cesaréia2 e os outros Padres acima citados afirmam o mesmo. E não falaram estes Padres sem fundamento, mas baseados na Sagrada Escritura. Diz o Senhor, em certo lugar do texto, que adiava a ruína dos amorreus porque ainda não estava completo o número de suas culpas (Gn 15,16). Em outra parte diz: “Não terei no futuro misericórdia de Israel (Os 1,6). Já por dez vezes me provocaram. Não verão a terra” (Nm 14,22-23). E no livro de Jo se lê: “Tendes selado, como num saco, as minhas culpas” (Jo 14,17). Os pecadores não tomam conta dos seus delitos, mas Deus enumera-os bem, a fim de os decifrar quando a seara estiver madura, isto é, quando estiver completo o número de pecados (Joel 3,13). Em outra passagem lemos: “Não estejas sem temor da ofensa que te foi perdoada e não amontoes pecado sobre pecado” (Ecl 5,5). Ou seja: é preciso, pecador, que tremas ainda dos pecados que já te perdoei; porque, se lhes acrescentares outro poderá ser que este novo pecado com aquele complete o número e então não haverá misericórdia para ti. Ainda mais claramente, em outra passagem, diz a Escritura: “O Senhor espera com paciência (as nações) para castigá-las quando se completar a conta dos pecados, e então virá o dia do juízo” (2Mc 6,14). De sorte que Deus espera o dia em que se completa a medida dos pecados, e depois castiga.
A Escritura oferece-nos muitos exemplos de tais castigos, especialmente o de Saul, que, por ter reincidido na desobediência ao Senhor, foi abandonado por Deus de tal modo, que, ao rogar a Samuel que por ele intercedesse, lhe disse: “Rogo-te que tomes sobre ti o meu pecado e venhas comigo para adorar ao Senhor” (1Rs 15,25). Ao que Samuel respondeu: “Não irei contigo, porque desprezaste a palavra do Senhor, e o Senhor te repeliu” (1Rs 15,26). Temos também o exemplo do rei Baltasar que, achando-se num festim a profanar os vasos do templo, viu mão misteriosa a escrever na parede: Mane, Thecel, Phares.
Veio o profeta Daniel e explicou assim as palavras: “Foste pesado na balança e achado demasiadamente leve” (Dn 5,27), dando-lhe a entender que o peso de seus pecados havia inclinado até ao castigo a balança da justiça divina. E, com efeito, Baltasar foi morto naquele mesma noite (Dn 5,30). Quantos não há a quem sucede a mesma desgraça! Vivem longos anos em pecado; mas, quando se completa o número que lhes foi fixado, a morte dos arrebata e são precipitados no inferno (Jo 21,13). Quantos procuram investigar o número das estrelas que existem, saber a quantidade dos anjos no céu, e computar os anos de vida dos homens; mas quem se atrever a indagar do número de pecados que Deus quer perdoar-lhes...? Tenhamos, pois, salutar temor. Quem sabe, meu irmão, se, depois do primeiro deleite ilícito, ou do primeiro mau pensamento em que consintas, ou do próximo pecado em que incorras, Deus ainda te perdoará?"

(Santo Afonso de Ligório, Preparação Para a Morte. Página 184 da edição digital. Você pode baixar o livro aqui.)



quinta-feira, novembro 28, 2013

Cartas do Reitor [Rector’s Letters] Vols. 1 e 2 – Bispo Williamson



Caros amigos,

            Temos o prazer de lhes anunciar que os Volumes 1 e 2 das Cartas do Reitor de autoria de Sua Excelência já podem ser adquiridos no site da Iniciativa S. Marcel.

            Esses volumes produzidos pela True Restoration Press são remanescentes do estoque e foram recentemente obtidos por Sua Excelência. Eles estão disponíveis individualmente ou em pacote com um desconto substancial.

            A nova editora de Sua Excelência, a Dinoscopus Editions, sob a Iniciativa S. Marcel, está preparada para relançar todos os quatro volumes das Cartas do Reitor, e espera ter a reedição completa antes que se esgote o estoque, em algum momento do próximo ano.

            Muito obrigado por seu contínuo interesse e apoio aos Comentários Eleison e todos os empreendimentos de Sua Excelência.

Os Administradores
            Dinoscopus.org.

segunda-feira, novembro 25, 2013

Segunda turma do Curso de Latim Clássico do Instituto Angelicum




por Sidney Silveira
 
Com apenas um mês de aulas da primeira turma de Latim Clássico, a procura devida à divulgação boca-a-boca continuou e várias pessoas interessadas em aprender a língua de Cícero nos têm procurado, razão pela qual decidimos abrir a segunda turma — cujas aulas se iniciarão em janeiro de 2014.

Os interessados devem enviar-nos mensagem pelo seguinte link: 

Se precisarem de outras informações, escrevam para Lissandra Lopes pelo e-mail contato@institutoangelicum.com.br 

sábado, novembro 23, 2013

Comentários Eleison: Primeiro a Fé

Comentários Eleison – por Dom Williamson
CCCXXXII – (332) – (23 de novembro de 2013): 


PRIMEIRO A FÉ

            A grande lição deixada por Monsenhor Lefebvre (1905-1991) para os católicos que tinham ouvidos para ouvir foi a de que a fé é mais importante que a obediência. A triste lição que nós temos aprendido é que a obediência vem tendo prioridade sobre a fé. Estes “Comentários”, continuamente compelidos pela confusão atual na Igreja, no mundo e na Fraternidade Sacerdotal São Pio X, a fim de que retomem seus princípios, têm frequentemente tentado explicar por que a fé deve ter prioridade.

            Tomem como exemplo os argumentos de um honorável padre da FSSPX que recentemente me enviou um e-mail acusando-me de avaliar equivocadamente o presente estado da FSSPX. Minha resistência à – como eu a chamo – Neo-Fraternidade, diz ele, 1) tem motivações demasiadamente pessoais, 2) não leva em conta o bem da Igreja, 3) é inconsistente com as posições que eu tomei anteriormente, 4) carece do realismo católico, 5) é contra a indefectibilidade da Igreja, 6) é para que cada homem seja seu próprio Papa, 7) é para uma visão modernista da Igreja, 8) é protestante, 9) é contra a união com Roma e, finalmente, 10) distancia as almas da Igreja.

            Agora, eu não sou Monsenhor Lefebvre e não pretendo sê-lo, mas meu colega percebe que ele poderia ter aplicado todos esses argumentos (exceto o terceiro) há trinta anos atrás à resistência de Monsenhor às autoridades da Igreja oficial em Roma? A resistência de Monsenhor era então 1) motivada apenas pela necessidade urgente de defesa da fé, 2) pelo bem da Igreja Universal, 4) de um modo completamente realista (como os frutos católicos de sua Fraternidade o provaram), 5) comprovadora, e não desaprovadora, por sua resistência, da indefectibilidade da Igreja, 6) para que a Igreja de todos os tempos fosse a medida dos Papas, 7) contra todas as loucuras do neo-modernismo, 8) contra a renovação do protestantismo por parte do modernismo, 9) pela união com a Roma Católica de todos os tempos e, finalmente, 10) ajudar muitas almas verdadeiramente católicas a manterem a fé ao invés de perdê-la.

            E o que justificou a resistência de Monsenhor naquele momento? O que provou que ele não era, apesar das aparências, um rebelde como Lutero, mas um verdadeiro católico e um grande servo da Igreja? Sua doutrina, sua doutrina, sua doutrina! Ao contrário de Lutero, que supriu da missa os ensinamentos católicos, Monsenhor afirmou todos eles. Foi em nome da doutrina da fé que Monsenhor assumiu sua posição contra os Papas conciliares e as autoridades da Igreja que estavam minando as bases da doutrina pela renovação e adoção dos temíveis erros do modernismo.

            Então o que justifica agora uma certa resistência à liderança da FSSPX? Como podem aqueles que resistem alegar que sejam verdadeiros servos da FSSPX? Doutrina, doutrina, doutrina! A declaração de meados de abril de 2012 foi a prova de uma pavorosa deficiência doutrinal no topo da FSSPX, e ainda que a Declaração tivesse sido retirada, seu conteúdo não foi retratado, mas defendido, como sendo, por exemplo, “um tanto sutil”! Nenhum dos documentos oficiais da Fraternidade, o de 14 de julho de 2012, e o de 27 de junho de 2013, desfizeram propriamente o dano. A prova é que a política governante do QG da FSSPX não mudou. Caro colega, sua própria Fraternidade foi fundada pondo-se a fé antes da aparente obediência, e agora o senhor quer defender a Fraternidade priorizando a aparente obediência à Fraternidade em detrimento da fé? Estude os documentos e observe as ações!

Kyrie eleison.

P.S. Em tempo, se alguém tiver a coleção completa de traduções destes “Comentários” em espanhol ou francês desde que elas começaram a aparecer, por volta dos EC 100, peço que, por favor, nos diga.

           

sexta-feira, novembro 22, 2013

Sobre o acontecido na Catedral de Buenos Aires: jovens rezam o terço durante cerimônia inter-religiosa



Leia o comentário do SPES:
Falamos aqui em nome estritamente pessoal, e para dizer algo muito simples: a invasão por parte de jovens tradicionalistas de um culto ecumênico na Catedral de Buenos Aires não tem nada de católica, por dupla razão.
a) O católico se rege antes de tudo pela prudência, e por uma prudência fortalecida e sobre-elevada pelo Espírito.
b) O católico aceita a perseguição como uma palma de vitória em ordem à vida eterna; mas não a busca pondo-se em lugar de Deus, que é quem no-la permite.
O que vimos, porém, na Catedral de Buenos Aires foi pura irresponsabilidade, foi pura estupidez. É possível imaginar um Papa convocando os cristãos, sob Juliano, o Apóstata, a invadir os templos repaganizados? Basta pensar analogicamente para concluir como acima concluímos acerca do sucedido na Argentina – e que expressamos não sem grande lástima

  Para refletir.

E leia aqui o comentário do Bruno Luís Santana, no Fratres In Unum


"Por mais que me ferva o sangue em ver as falsas religiões confraternizando em uma catedral, por inspiração do atual papa e com seu consentimento, devo dizer que para mim é confuso saber até onde termina o zelo pela casa do Senhor e onde começa a imprudência.
Digo isso porque uma coisa é estar numa catedral e presenciar uma profanação, e outra diferente é ir de encontro a ela. O que insisto não é em relação a coragem de sair de suas poltronas e peitar os heterodoxos, o que não deixou de ser uma demonstração de coragem, ainda mais diante das consequências… Colocaram-se diretamente sobre o “olho de Sauron”.
O que ainda não terminei de ponderar é sobre a eficácia de tal ato. A Igreja conciliar já provou que é outra religião, saída do modernismo liberal com as bênçãos da maçonaria. Com isso não estou acusando quem nela está de heresia automática, mesmo porque o liberalismo é caracterizado exatamente por rejeitar qualquer verdade objetiva. Não nega nada frontalmente, mas sempre tenta conciliar a verdade com a mentira.
São tantas perguntas que me vêm à mente: será que aquele lugar (a catedral) ainda é uma catedral católica? Será que as missas novas rezadas ali ainda são válidas?
Uma vez aprendi algo num… Filme. No filme “O homem que não vendeu sua alma”, em uma dado momento, Thomas Morus (agora santo canonizado) disse algo no sentido que por nossa natureza, devemos obedecê-la e fazer de tudo para fugir do martírio, a menos que Deus nos colocasse numa situação que não nos deixasse escolha além de por Ele morrer.
Em outras palavras: o martírio não pode ser procurado pelo cristão, mas deve vir até ele. Ou seja: as coisas devem acontecer de tal maneira que as pessoas não tenham escapatória além de confessar a Deus ou negá-Lo.
Ir ao encontro dos maus na catedral (? será que ainda é uma catedral?) pode ser entendido como zelo, mas afinal de contas, antes das falsas religiões, com muita probablidade a catedral de Buenos Aires já havia sido profanada… Pelo próprio clero moderno…
E lembremo-nos que um lugar consagrado pela fé deve ser preservado de tudo. Até mesmo de nosso zelo. Até mesmo para chamar alguém para a briga, melhor que seja no lado de fora, exatamente por consideração ao lugar.
Quando Moisés desceu do Monte e encontrou o povo imerso na idolatria, Deus ordenou que ele juntasse os homens fiéis, e naquele dia dez mil foram passados a fio de espada. Mas oremos uns pelos outros. Oremos por todos, especialmente pelos que não sabem o que fazem. A vingança pertence ao Senhor, e só a Ele, que um dia enxugará dos justos toda lágrima."

quinta-feira, novembro 21, 2013

Madre Teresa 'Beatificada' com Ritos Idólatras

Por Cornelia R. Ferreira
Traduzido por Andrea Patrícia



Foi um dia triunfante para o paganismo. O Cardeal Simon Lourdusamy alcançou o zênite de sua carreira em Hinduizar a Igreja Católica, enquanto seu oponente, o antigo líder da Resistência Indiana, Victor Kulanday, foi vencido de maneira retumbante. Foi em 19 de outubro de 2003, e diante de uma audiência de milhões, Madre Teresa de Calcutá foi alegadamente beatificada numa Hinduizada Missa Papal na Praça de São Pedro. As sementes desse falso culto foram plantadas em 1969 pela Conferência de Bispos Católicos da Índia e pelo presidente da Comissão de Liturgia, Arcebispo Lourdusamy de Bangalore. A subversão da Fé na Índia, feita por eles, foi exposta no livro de Kulanday, The Paganization of the Church in India 1.

Resumidamente, em nome da inculturação, e com muitos subterfúgios, Lourdusamy incorporou doze gestos e rituais Hindus ao Sacrifício da Missa, efetivamente assim, Hinduizando-a. Ainda assim, desde que essa mixórdia panteísta foi nomeada de “Indianização” em vez de “Hinduização”, e como um modo de “adaptar aos próprios modos indianos de expressar reverência e adoração a Deus Pai e a Nosso Senhor Jesus Cristo”, isso recebeu aprovação do Vaticano em dez dias.

Em 1963, a Sacrosanctum Concilium (nos. 37-40) do Vaticano II, aprovou as liturgias inculturadas, mas a Missa Tridentina não pôde ser paganizada porque o Latim, como notado por Pio XII, era “uma salvaguarda efetiva contra a corrupção da verdadeira doutrina”2. A inculturação precisa envolver a linguagem de uma determinada cultura. Em 3 de abril de 1969, o Papa Paulo VI, desconsiderando prévias condenações magisteriais da Missa em vernáculo como “facilmente produtora de muitos males”3 promulgou a vernacular Missa Novus Ordo. Doze dias depois, em 15 de abril, o Arcebispo Lourdusamy em pessoa realizou a “Missa” Hinduizada, com seus mantras ocultos e rituais idólatras, para oficiais do Vaticano, incluindo o padre maçom (mais tarde Arcebispo) Aníbal Bugnini. Foi Bugnini, então Secretário do Concílio e principal arquiteto da Missa Novus Ordo, quem ilegalmente aprovou os “Doze Pontos” em 25 de abril4. A Índia tomou a liderança na sincretização da Igreja.

Uma Teologia da Inculturação

A Hinduização foi rapidamente expandida para todos os aspectos da Igreja na Índia – sua teologia, vida espiritual e ensinamentos morais – para produzir uma Igreja Católica Indiana. Kulanday descreve a intensa doutrinação dos sacerdotes, religiosos e leigos feita por Lourdusamy, seu irmão, Pe. D. S. Amalorpavadass, Diretor do Centro Bíblico, Catequético e Litúrgico Nacional dos bispos (fundado por Lourdusamy5), e seus discípulos. Eles ensinam que Cristo está presente, embora Escondido, no Hinduísmo. Sendo assim, Ele abençoou o Hinduísmo, então todas as suas superstições podem ser enxertadas no Catolicismo6.

Victor Kulanday e sua esposa Daisy fundaram um jornal e o Congresso Todo Laicato da Índia para expor a paganização e defender a Fé, o que eles tem feito por duas décadas. Uma petição contra a inculturação assinada por mais de 7.000 católicos foi ignorada pela Conferência dos Bispos, então uma delegação do Congresso foi a Roma em 1984 para pedir ao Papa João Paulo para parar a paganização. Eles haviam documentado a natureza Hindu dos Doze Pontos, a ilegalidade de sua aprovação, e o êxodo para o pentecostalismo de católicos enojados. Ainda assim Roma não fez nada, embora Kulanday fosse um proeminente católico que tinha representado oficialmente a Santa Sé em encontros internacionais7.

O Papa João Paulo elevou Lourdusamy a Cardeal em 1985 e nomeou-o Prefeito da Congregação das Igrejas Orientais. Ainda assim Kulanday ainda acreditava que Lourdusamy e seus aliados não conseguiriam enganar Roma para sempre, e o Papa João Paulo “faria a coisa certa para salvar a Igreja na Índia”8.

Entretanto, a aprovação universal para a Hinduização e sincretização da Igreja estava aumentando, graças a Federação das Conferências dos Bispos da Ásia, fundada em 1970 e apoiada por Paulo VI e João Paulo II. O Cardeal Lourdusamy observa que as publicações da FCBA, o fruto de seus muitos seminários, “tiveram considerável influência no pensamento das conferências episcopais fora da Ásia”.

A meta da FCBA é a inculturação e a formação de igrejas nacionais independentes de Roma. Ela desenvolveu uma “teologia da inculturação” enraizada na heresia da salvação universal. Ela ensina que a inculturação significa que se deve adotar os ritos espirituais das religiões indígenas, ou seja, suas “expressões populares de fé e piedade”, porque as “sementes do Evangelho foram plantadas [neles]  antes da evangelização.” “Se a igreja deve ser verdadeiramente um ‘sinal [não o meio] de salvação,’ ela precisa ser local, pois só irá comunicar o amor salvador de Deus quando cessar de ser estruturada, governada e simbolizada de uma maneira estrangeira”9.

Lourdusamy mais tarde esteve apto a espalhar suas ideias ao servir como Prefeito das Igrejas Orientais e como Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, e como membro de numerosos corpos da Cúria. No Sínodo dos Bispos Asiáticos em 1998, na presença do Papa, ele opinou: “Se o Cristianismo na Ásia deve se enraizar e gerar frutos, a inculturação é uma necessidade. Mas a inculturação precisa começar com as raízes, não com os galhos.” A Igreja na Ásia “precisa ouvir o que o Espírito tem a dizer a Ela através de outras [formas de] fé que não a Cristã, onde as ‘sementes do Verbo... repousam escondidas’”. A Igreja na Ásia deve “inculturar a fé para permitir que Cristo renasça e seja revelado em Sua face asiática....”10.

Os Homens deles no Vaticano

Mas para uma incorporação dos ritos pagãos na Missa ser aceita por toda a Igreja, será necessário um “imprimatur” papal. Para isso, os Hinduizadores precisam de um homem no Vaticano, e eles o encontraram: o Mestre de Cerimônias do papa desde 1987, Arcebispo Piero Marini. Suas credenciais por realmente Hinduizar a Missa papal resultariam de ele ter sido secretário pessoal do Arcebispo Bugnini,11 o prelado que deu permissão a Lourdusamy para Hinduizar a Missa na Índia.

Marini é um protegido de Bugnini. De acordo com Inside the Vatican,12 Bugnini pessoalmente recrutou-o num seminário em uma pequena cidade para continuar seus estudos no Instituo Litúrgico Santo Anselmo, em Roma. Imediatamente após a ordenação em 1965, Marini entrou na Cúria e foi “envolvido na implementação” da revolução litúrgica do Vaticano II.

Marini é pessoalmente responsável por Missas papais “criativas”. Ele não parece ver a Missa como Sacrifício do Calvário feito novamente pelo próprio Jesus — ou seja, Deus. Ele vê isso como uma “celebração” planejada “com uma visão voltada para o resultado que se deseja obter.” A celebração é “atuar num palco. A Liturgia é também um show.”13 Infelizmente, “[m]ais pessoas tem assistido Missas planejadas por Marini do que por qualquer outro liturgista no mundo,  o que dá a ele enorme poder para moldar a ideia pública do que é o culto católico”14. Sem dúvida, o Santo Padre gosta dos  enfeites de Marini porque ele o consagrou bispo em 1998 e arcebispo em outubro de 2003.

Lembre-se que a inculturação, como definida pelos Bispos Asiáticos, significa usar os meios populares de expressão das religiões indígenas. Marini agradece ao Vaticano II e as viagens do Papa por ajudar a causa da inculturação litúrgica. Ele faz a afirmação original de que as danças nativas expressam o caráter “universal” das liturgias papais. 15 Liturgias nacionalísticas, entretanto, não apenas fraturam a unidade e a verdadeira universalidade do culto de Igreja, como também introduzem elementos do paganismo.

Um passo importante na paganização foi colocar a dança “litúrgica” na Missa. Mas a Sagrada Congregação para o Culto Divino, com Bugnini como Prefeito, disse o seguinte em 1975:

“A dança nunca constituiu uma parte essencial na liturgia oficial da Igreja Latina. Se Igrejas locais introduziram a dança, mesmo nos templos, isso foi por ocasião das festas para mostrar sentimentos de júbilo e devoção. Mas a dança sempre teve lugar fora das ações litúrgicas 16. As decisões conciliares têm condenado com frequência a dança religiosa, como não adequada ao culto, e também porque isso poderia degenerar em desordens... portanto, não é possível introduzir algo assim na celebração litúrgica; seria trazer para a liturgia um dos mais dessacralizados e dessacralizadores elementos; e isso seria o mesmo que introduzir uma atmosfera de profanidade”....17.

Contudo, um imprimatur implícito para a profanidade tem sido dado pelas Missas papais onde acontecem danças. Para Marini, inculturação significa integrar música, linguagem e movimento físico de uma certa cultura ou religião18, então dança nativa tornou-se de rigueur [costume], não apenas “fora das ações litúrgicas,” mas também durante a Missa. Uma vez que a profanidade foi explicada sempre como uma expressão de júbilo de uma cultura em ocasiões especiais (como visitas papais), então a dança como um elemento dos ritos pagãos pode ser introduzida sem que ninguém suspeite de seu verdadeiro significado.

Um Ensaio Geral 

O ensaio para a beatificação de Madre Teresa foi a Missa do Papa em Nova Deli em novembro de 1999. Reportagens dos meios seculares declararam que o evento foi “amarrado com simbolismo Hindu [não indiano]” e envolveu “rituais tradicionais do templo.”19 De fato, com aprovação papal, pódio, altar, decorações, vestimentas, a Missa, e os discursos foram todos ligados ao Divali, o “Festival das Luzes” Hindu sendo celebrado naquele dia. De acordo com o Padre Ignatius, um organizador, o tema do serviço foi o Divali.
Paralelos foram traçados entre Cristo, a Luz do Mundo, e esta festa pagã20 cujo maior aspecto é o culto a Lakshmi, a deusa da riqueza. (Houve apostas pesadas neste momento).

Além de riqueza material, a deusa também traz a riqueza espiritual da ”iluminação interior” e da auto-iluminação” ocultas para as trevas da ignorância espiritual, e essa luz é simbolizada pelas lamparinas a óleo que dão nome a festa. Os Hindus cultuam a luz como um símbolo da consciência interior ou conhecimento, e eles cultuam esse conhecimento  como “o Senhor Supremo,” o deus interior, a maior forma de riqueza. Assim, “todas as cerimônias auspiciosas começam com o acendimento da lâmpada”21. Então a Missa papal começa com cinco pessoas acendendo uma lâmpada a óleo22.

Igualar Cristo a essa idolatria na qual livros de contas são cultuados e vacas recebem adoração especial como encarnação da deusa Lakshmi23 é blasfêmia e panteísmo, a heresia condenada pelo Beato Pio IX, que ensina que Deus é um com o universo, falsidade com verdade, maldade com bondade24. É insincero da parte do Arcebispo Marini alegar que o Divali Hindu é uma “festa das luzes não-sectária para celebrar a vida e agradecer a Deus {qual deles?] por todas as suas bênçãos e a retidão de seu tratos com os seres humanos”25.
Agora, durante o Cânon da Missa, na Doxologia, com o Santo Padre segurando no alto as Sagradas Espécies — ou seja, com Jesus presente no altar — um ritual de triplo arati foi realizado por jovens moças (Marini) ou sete freiras (The Tribune)26. Isso envolveu um pushpa arati, o balançar de uma bandeja de flores com uma luz queimando no centro, e uma chuva de pétalas de flores; dhupa arati, uma homenagem com incenso; e deepa arati, a homenagem à luz, balançando a cânfora de fogo, e o toque de sinos, acompanhado por um hino Tamil Hindu27.

A cânfora simboliza o ciclo purificador de reencarnações que é necessário até que a pessoa torne-se divina. Os hindus acreditam que o toque do sino produz o “som auspicioso” OM, “o nome universal do Senhor”28. OM é também o deus supremo hindu Krishna e possui significados sexuais e em magia negra. Em 1980, o Cardeal Wladislaw Rubin, predecessor de Lourdusamy como Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, proibiu o uso do OM no culto cristão porque isso é “uma parte essencial, integral do culto hindu”29. Então o OM deslizou para dentro da Missa papal, disfarçado como sinos!

O acendimento da lâmpada e o ritual do arati também foram realizados na Missa de beatificação de Madre Teresa. (O significado do arati será explicado brevemente.) O Cardeal Lourdusamy, arquiteto chefe da Hinduização da Igreja na Índia, foi co-celebrante como o Papa João Paulo na Missa HInduizada de Beatificação. Embora acontecendo em Roma, não na Índia, foi inculturada seguindo outra regra do Arc. Marini. Marini disse que Monsenhor Michael Wren, um comentarista dos Cavaleiros de Columbus - transmissão de cerimônias financiada pela EWTN - “explicou que há uma tentativa de incorporar expressões culturais de nações das quais os santos ou beatos vem.” O palavrório de fato do Monsenhor Wren e do co-apresentador Raimundo Arroyo adicionou um ar surreal à transmissão, pois eles pareciam anestesiados, incapazes mesmo de expressar surpresa quanto às óbvias novidades. A indiferença deles ajudou a tranquilizar os telespectadores na aceitação do paganismo como um belo toque cultural. A marca do modernista é o seu amor pela novidade. Em sua condenação do Modernismo, o Papa São Pio X exclamou, “Longe, longe do clero esteja o amor pela novidade! Deus odeia a mente orgulhosa e obstinada”30.

A Abominação da Desolação

Após o Kyrie da Missa e a beatificação, uma cerimônia hindu de puja (adoração) começou. O puja tem várias etapas, mas sempre inclui dar as boas vindas à deidade e oferecer flores, incenso e lâmpadas acesas a ela, acompanhado de movimentos de prostrações e profundas reverências para saudá-la. O culto com essas oferendas é exigido pelos deuses, para gratificação e prosperidade do ofertante, no clássico poema épico hindu Mahabharata31. As lâmpadas do templo são acesas pavio após pavio, seguindo a colocação das flores aos pés do ídolo. Como explicado acima o acendimento das lâmpadas denota o culto à luz e o início da cerimônia hindu; é também culto ao fogo, o fogo sendo deus. Os tipos, as cores e os perfumes das flores escolhidas são particulares a cada deidade. Para apaziguar deidades iradas, especialmente as femininas, as oferendas incluem carne e sangue de animais sacrificados. O puja é também parte do culto ao guru, santo ou convidado de honra, “como representante da deidade.” A cerimônia termina com um arati32.

O puja de beatificação seguiu esse padrão! Houve uma procissão de “oferendas” de flores, velas em lâmpadas de argila, lâmpadas de vidro acesas e um grande ícone com moldura de coração e uma ampola contendo o sangue de Madre Teresa. Esse relicário foi colocado numa pequena mesa perto do altar. (Monsenhor Wren “acredita” que o sangue “foi extraído na exumação do corpo.” Isso foi ou um relato desleixado ou desinformação deliberada, pois é bem conhecido que o corpo não foi exumado.) Com profundas reverências, mulheres vestidas de sári fizeram um deepa arati com lâmpadas de argila na área do altar e relicário, acompanhado por canto e tambores indianos. Jovens garotas colocaram flores azuis e brancas (significando as cores do hábito de Madre Teresa?) aos pés do ícone na mesa, e outras pessoas colocaram as lâmpadas de vidro, uma a uma, no lampadário em frente disso. Um hindu pode até ser desculpado por pensar que a Madre — ou o sangue dela — foi adorado, talvez em solidariedade com aqueles hindus que a consideram uma deusa, e até mesmo equivalente a deusa sedenta de sangue Kali, que também incorpora a compaixão 33.
Monsenhor Wren achou o que ele chama de “cerimônia das ofertas” “extremamente comovente”, e os cantos “um deleite muito, muito, especial para todos nós.” Ele não denominou o recipiente das oferendas nem explicou porque elas eram necessárias. A cerimônia das ofertas é o Ponto 10 nos Doze Pintos para Hinduização das Missas de Lourdusamy34.
 
Agora, na parte mais solene da Missa, o Cânon, o fiel contempla Jesus crucificado. Na Missa Tridentina, as orações são feitas silenciosamente pelo sacerdote em memória das horas horríveis durante as quais Jesus ficou pendurado na cruz, suportando em silêncio as zombarias e blasfêmias dos judeus35. Mas, como em Deli, logo antes do Pai Nosso na Missa de Beatificação, Jesus teve que suportar um blasfemo ritual hindu.

Enquanto dois clérigos seguravam no alto a Hóstia e o Vinho consagrados (ou seja, o próprio Jesus), após o Grande Amém, uma trupe de mulheres de meia idade quase anciãs, vestidas de sáris nas cores da bandeira indiana, desfilaram ao pé do altar ao som de uma melodia afetada. Elas seguravam bandejas de metal cobertas com flores. Algumas bandejas tinham chamas no meio, outras tinham palitos de incenso. Monsenhor Wren (ou Arroyo?) anunciou um “rito litúrgico especial, arati, de acordo com o costume cultural indiano.” (Zenit mais tarde reportou que o arati é um “rito indiano de adoração e reverência e intimidade com Deus, empregado em Missas solenes.”36)

Subitamente se é sacudido pelo lamento discordante de um canto Tamil e instrumentos indianos enquanto as mulheres procedem fazendo o serviço. As bandejas com chamas são mantidas no alto e circundadas no sentido horário, flores e pétalas são espalhadas (deepa e pushpa arati), e os palitos de incenso são oferecidos (dhupa arati). É dito aos espectadores que o canto era “Senhor, nós o adoramos com luz, nós o adoramos com incenso, nós o adoramos com flores.” Um entusiástico bater de palmas e animação de torcida saudou esse “entretenimento” que disfarçou um ritual hindu.

Como explicado acima, a adoração com flores, incenso e luz é exigida pelos deuses hindus. Arati é definido como um ritual do templo no qual um fogo num prato é balançado em frente a uma deidade na direção horária37 [a]. Nós já vimos que a luz é cultuada como do Senhor Supremo da consciência interior. Aquele que queima o arati torna-se divino e escapa do ciclo purificador de reencarnações.38 A direção horária simboliza a divindade da pessoa, cultuada num ídolo exterior39.

Agora, um missionário francês do início do século XIX, Abade Dubois, que passou trinta anos no sul da Índia, escreveu um livro altamente aclamado, Hindu Manners, Customs and Ceremonies [Modos, Costumes e Cerimônias Hindus]. Como os santos Tomé e Francisco Xavier, ele não descobriu nenhuma semente do Verbo (ou seja, Cristo) escondida no Hinduísmo; em vez disso, ele descobriu que os hindus “pareciam ter ultrapassado todas as outras nações ... na depravação ultrajante com a qual tantos dos seus ritos era impregnada.” Com relação a música hindu, ele disse, “cada nota da escala hindu tem uma marca característica de alguma divindade, e inclui muitos significados ocultos....”40.

Arati, ele reportou, é feito apenas por mulheres casadas (o que pode explicar a idade madura das mulheres durante o Cânon) e cortesãs (dançarinas e prostitutas do templo)41. Arati é o mais importante ritual hindu, realizado durante quase todas as cerimônias. Arati, significando infortúnio ou dor, é também cultuado como a deusa Arathi, para aplacar a sua cólera. As invocações são para ela42. O ritual é feito “para agradar a divindade com luzes e cores brilhantes e também para neutralizar o mau-olhado.” É também realizado em público ou privado para ídolos, pessoas importantes, crianças, propriedade nova, colheitas, animais e tudo o que seja de valor, para prevenir dano advindo do mau-olhado. O prato adquire o poder da deidade e por si torna-se um ídolo 43.

Fraternidade Universal 

Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus Verdadeiro, precisa de proteção contra mau-olhado? Ou o arati simboliza que Jesus não é o verdadeiro Deus vivo, mas um ídolo mitológico fazendo par com deidades hindus? Ou a cerimônia foi feita para proteger o Papa e seus concelebrantes? Na Missa Hinduizada na Índia, o celebrante é saudado com um arati (Ponto 10)44. Mas no Hinduísmo em si, as mulheres nunca fazer o arati num sacerdote dentro do sanctum sanctorum. Isso é considerado uma abominação. Não é permitida a presença de mulheres perto da área sagrada do altar do templo 45.

O triplo arati é o Ponto 12 dos Doze Pontos 46. Portanto, é enganoso alegar que o arati é um modo indiano de adoração. Católicos indianos nunca fizeram arati ou puja. Estas cerimônias foram impostas a eles em 1969. Agora, 34 anos depois, o mundo é trapaceado para acreditar que o arati é um rito solene que eles sempre tiveram em ocasiões especiais.

O professor J. P. M. van der Ploeg, OP, Doutor de Teologia Sagrada e Sagradas Escrituras, disse que a Missa Hinduizada é uma “mistura litúrgica sincrética” que “irá quebrar a unidade da Igreja. Dessa forma, uma nova seita irá nascer: uma Hindu-Cristã, e ainda resta ser visto se esta será predominantemente Cristã ou Hindu”47. Catolicismo misturado com Hinduismo é panteísmo, não Catolicismo. Portanto, a cerimônia sincrética foi uma beatificação válida?

Nossos primeiros pais também adoraram a luz do proibido conhecimento “interior” para se tornarem divinos. Toda idolatria é culto a Satã. Jesus morreu na Cruz para redimir a humanidade da danação merecida por esse pecado tão abominável. Em Deli e em Roma, embora suspenso na Cruz, Ele foi mais uma vez submetido à adoração do homem pela luz do conhecimento, proclamando sua divindade. Será que o culto a Lúcifer misturado a Missa papal constitui a “abominação da desolação” dos últimos dias?48
 
O falecido Cardeal Valerian Gracias de Bombaim declarou que os pujas e mantras hindus são “alheios” as cerimônias católicas. “Ao adotar formas de expressão alheias a nossa Liturgia,” ele perguntou, “eles tem certeza da ideologia hindu específica sublinhada nessas formas?” Outro bispo indiano declarou francamente: “Pessoas que Indianizam... pretendem destruir a Igreja Católica.”49.

Em 1988 Kulanday avisou:

“A não ser que a atual mania louca de paganizar [sic] a Fé seja... abandonada, o século XXI irá ver apenas uma forma híbrida de Cristianismo, dificilmente vivo e sim sufocado e perecendo. Que Deus não permita que tal catástrofe aconteça. Mas acontecerá a não ser que a Santa Sé perceba [sic] o perigo e aja firme e rapidamente.”50.

Misericordiosamente, ele não viveu para ver uma Missa Papal Hinduizada de Beatificação, que deu um imprimatur papal a abominação que certamente irá se espalhar pelo mundo inteiro. Como o Arcebispo Marini observa: “A liturgia do papa sempre foi imitada... a liturgia papal sempre foi um ponto de referência para a igreja inteira.”51.

O objetivo do sincretismo é a fraternidade universal, é a Nova Ordem Mundial Luciferiana Maçônica. Uma das intenções das Orações dos Fiéis, no Ofertório da Missa de Beatificação, foi: “Senhor... [f]avoreça uma fraternidade universal, a promoção de ... culturas, diálogo entre religiões. Nós rezamos ao Senhor.”


Notas
:

1. Rev. 2d ed., São Tomé, Madras, 1988.
2. Mediator Dei Christian Worship, 1947, no. 62. O Papa condenou a “deliberada introdução de novos costumes litúrgicos” na mesma seção.
3. Pio VI, Auctorem Fidei, 1794, citado no Denziger: The Sources of Catholic Dogma (St. Louis, MO: B. Herder Book Co., 1957), no. 1566. Veja também n. 1533 (Pio VI) e 956 (Concílio de Trento); Mediator, ibid.
4. Kulanday, p. 16-21, 23, 37-38, 66. Os especialistas citados por Kulanday afirmaram que a permissão deve ser dada pela Congregação dos Ritos, não pelo Consilium, que era apenas um corpo consultor sem poder legislativo.
5. “Cardinals from India,” sathyadeepam.org, 24 novembro 2003.
6. Kulanday, passim.
7. Ibid., p. 156-73; contra-capa.
8. Ibid., p. 237.
9. Padre Stephen Bevans, SVD, “Twenty-Five Years of Inculturation in Asia: The Federation of Asian Bishops’ Conferences, 1970-1995,” FABC Paper No. 78, Parte II, ucanews.com, 22 de novembro de 2003. O Evangelho de Cristo foi espalhado através da evangelização; entao a alegação que sementes do Evangelho foram plantadas antes da evangelização é uma reformulação da heresia de que Cristo sempre esteve presente, mas Escondido, no paganismo.
10. “Speeches in the Synod Hall,” Third General Congregation, 21 de abril de 1998, zenit.org.
11. John L. Allen, Jr., “The Papal Liturgist,” nationalcatholicreporter.org, 20 de junho de 2003.
12. Crista Kramer von Reisswitz, “The Perfectionist,” Abril 1998, p. 54.
13. La Civiltà Cattolica entrevista, citado em Sandro Magister, “New Liturgies. Bishop Piero Marini Doesn’t Like TV,” www. chiesa.espressonline.it, 29 de novembro de 2003.
14. Allen, ibid.
15. Ibid.; “Pope’s Chief Liturgist Defends Use of Dance in Papal Masses,” catholicnews.com, 16 de outubro de 2003.
16. Quando houve dança nas igrejas? Parece que esas três primeiras sentenças foram inseridas para serem usadas no future por inculturadores.
17. Notitiae, junho-julho 1975, p. 202, trans. Clementine Lenta, Liturgical Directives (Duluth, MN: Nina Publications, 1984), p. 2.
18. Cf. Allen, ibid.
19. “Pope Defends Conversions in India,” (BBC), uga.edu/bahai/News, 7 de novembro de 1999; Pamela Constable, “Pope’s India Visit Ends on Note of Unity” (Washington Post), ibid., 8 de novembro de 1999.
20. Smeeta Mishra Pandey & Sunetra Choudhury, “Pope Prays for Peace as Piety Takes Centrestage,” indianexpress.com, 7 de novembro de 1999; “Indian Elements in Holy Mass,” tribuneindia.com, 2 de novembro de 1999; Constable, ibid.; Bispo Piero Marini, “Pastoral Visit of His Holiness Pope John Paul II to New Delhi,” search.vatican.va, 5 de novembro de 1999.
21. “All About Hindu Rituals,” saranam.com, 15 de novembro de 2003; “Deepavali,” hinduism.co.za, 22 de novembro de 2003.
22. “Pope Defends Conversions.” O número 5 possui significado no Hinduísmo.
23. Explicações sobre o Diwali foram obtidas em 22 de novembro 2003 de: “Deepavali,” ibid.; “About Diwali,” diwali.indiangiftsportal.com; “History of Diwali,” indiaexpress.com; Sakshi, “Diwali — A Festival of Lights,” issuesmag.com; “Diwali,” www.3kumc.edu.
24. Syllabus de Erros, 1864, no. 1.
25. Marini, ibid.
26. Ibid.; “Indian Elements in Holy Mass.”
27. Marini, ibid.; Pandey and Choudury, ibid.; “Indian Elements.”
28. “Hindu Symbols,” hindutrac.org.au, 14 de novembro de 2003; “All About Hindu Rituals.”
29. Abbé J. A. Dubois, Hindu Manners, Customs and Ceremonies, 3d ed., trans. Henry K. Beauchamp (Oxford: Oxford University Press, 1906), p. 533, 616-17; Kulanday, p. 68-72.
30. Pascendi Sobre as Doutrinas dos Modernistas, 1907, no. 49.
31. “Flowers — Incense — Lamps,” hinduism.co.za, 14 de novembro de 2003.
32. Ibid.; “All About Hindu Rituals”; Kulanday, p. 33, 36, 75, 163; Dubois, p. 147-48; Benjamin Walker, Hindu World: An Encyclopedic Survey of Hinduism, 2 vols., (London: George Allen e Unwin Ltd., 1968), 2:608- 9; “Puja” e “Flowers,” gurjari.net, 14 de novembro de 2003.
33. Paul McKenna, “Mother Teresa was an Ecumenical Catalyst,” The Catholic Register (Toronto), 8 December 1997, p. 5; “News of Women,” The Globe and Mail (Toronto), 18 de agosto de 1997, p. A26.
34. Kulanday, p. 22-23, 32-33, 86.
35. Padre Michael Müller, CSSR, The Blessed Eucharist, Our Greatest Treasure (Baltimore: Kelley & Piet, 1868; reprint ed., Rockford, IL: Tan Books and Publishers, Inc., 1973), p. 320.
36. “Pope Beatifies Mother Teresa in Front of 300,000,” 19 de outubro de 2003.
37. “Kamat’s Potpourri,” kamat.org, e “Arati,” anekant.org, 14 de novembro de 2003.
38. “Hindu Symbols.”
39. “All About Hindu Rituals.”
40. Dubois, p. 288, 589.
41. Ibid., p. 148-49, 584-86. É por isso que a dança não é feita por mulheres hindus respeitáveis (p. 586).
42. Ibid., p. 149; Kulanday, p. 32-33, 35-36, 164. Hindus cultuam tudo o que é útil nocivo, seja animado, inanimado ou abstrato: cf. Dubois, p. 548.
43. Dubois, p. 148-49, 584-88; Walker, p. 609; “Arati,” gurjari.net, 14 de novembro de 2003.
44. Kulanday, p. 22-23.
45. Ibid., p. 34-35, 168, 170.
46. Ibid., p. 23.
47. Ibid., p. 80, 89.
48. Cf. Dan. 12,11: “... o sacrifício continuo deve ser suprimido, e a abominação da desolação será estabelecida....”A interpretação na tradicional Haydock Commentary na Bíblia Douay-Rheims é: “... a supressão da Missa tanto quanto possível, e a prática da heresia e da abominação, até o fim da perseguição do anticristo....” O comentário sobre Dan. 11,31 aponta a idolatria no templo de Jerusalém como a abominação. Mat. 24,15 diz que o Anticristo e seus precursores irão tentar abolir o Sacrifício da Missa.
49. Kulanday, p. 179-80, 222.
50. Ibid., p. 143.
51. Allen, ibid.

Original aqui.

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Notas da tradutora:
[a] O Arati é exatamente isso. O artigo está corretíssimo, em minha opinião. Eu já fiz parte de um grupo de Bhakti Yoga, e já fiz o Arati num Puja. É adoração aos deuses, culto ao guru; algo totalmente hindu. Mas como quase tudo o que sai do Oriente para consumo ocidental, também foi adaptado por aqui, pois as mulheres escolhidas para esse ritual não precisavam ser casadas, nem eram “prostitutas do templo”. Na época, pensávamos, eu e meu então namorado e hoje meu esposo, que tudo era para Deus que se apresentava na forma do guru, e que os deuses eram manifestações (ou algo assim) de aspectos divinos. Graças a Deus saímos disso, nos convertemos à verdadeira religião de Deus: a Católica. É absurdo que as autoridades da Igreja Conciliar usem ritos idólatras dentro da Igreja.