segunda-feira, abril 20, 2020

Comentários Eleison: A Oração de Daniel

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DCLXVI (666) – (18 de abril de 2020):




A ORAÇÃO DE DANIEL 


Nossos pecados são aquilo que nos causa todos os nossos infortúnios.
Arrependamo-nos, ou esses males crescerão.

A Internet está atualmente cheia de comentários e análises, um mais interessante que o outro, sobre o coronavírus e o turbulento estado das finanças em todo o mundo, mas poucos desses comentários abordam o que é mais importante de tudo neste duplo – ou único – transtorno, que é aquilo que mostra as relações entre todos os homens e seu Deus: a apostasia em todo o mundo. Este é um crime enorme, pelo qual o colapso do coronavírus é um castigo não remotamente tão pesado quanto os flagelos que se seguirão se os homens não voltarem para Deus. Mas, tal como as coisas estão, uma multidão de Seu próprio Povo Eleito pela Fé, os católicos, segue alegremente o Vaticano II, porque este afrouxou a velha disciplina e permitiu-lhes adorarem-se a si mesmos em vez de a Deus. Todos nós deveríamos estar de joelhos, pedindo perdão a Deus, como o fez Daniel no Antigo Testamento. Aqui está sua poderosa oração de IX, 3-19, que precisa ser só um pouco adaptada para o Novo Testamento e os tempos atuais:

[3] E voltei o meu rosto para o senhor meu Deus, para lhe rogar e suplicar com jejuns, saco e cinza. [4] E orei ao Senhor meu Deus, e fiz confissão das faltas, e disse: digna-te ouvir-me, ó Senhor Deus grande e terrível, que guardas a tua aliança e a tua misericórdia para com os que te amam, e que observam teus mandamentos. [5] Nós os católicos pecamos, cometemos iniquidade, procedemos impiamente, apostatamos e afastamo-nos no Vaticano II dos teus preceitos e das tuas leis. [6] Não temos obedecido aos teus servos, os Papas fieis, que falaram em teu nome aos nossos reis, aos nossos presidentes, aos nossos pais, e a todo o povo cristão. [7] Tua é, ó Senhor, (da tua parte está) a justiça; a nós, porém, não nos resta senão a confusão de nosso rosto, como sucede hoje aos católicos, aos habitantes de Roma, e a toda a igreja e aos que estão perto e aos que estão longe em todos os países, para onde tu os lançaste, por causa das iniquidades que cometeram contra ti. [8] Para nós, Senhor, a confusão do rosto, para os nossos reis, para os nossos presidentes, e para os nossos pais, que pecaram. [9] Mas de ti, ó Senhor nosso Deus, é própria a misericórdia e a propiciação; porque nos retiramos de ti, [10] e não ouvimos a voz do Senhor nosso Deus, para andarmos segundo a sua lei, que nos prescreveu por meio dos seus servos, os Papas e os Bispos fieis. [11] E toda a Cristandade violou a tua lei, e desviou para não ouvir a tua voz, e choveu sobre os católicos conciliares a maldição e a execração que está escrita no livro de Moisés, servo de Deus, porque pecamos contra Deus. [12] E cumpriu a sentença que proferiu contra nós e contra os nossos líderes que nos governaram, para fazer vir sobre nós esta calamidade grande, qual nunca se viu debaixo de todo o céu, como o que aconteceu pelo Vaticano II. [13] Todo esse mal caiu sobre nós, segundo está escrito na lei de Moisés, e nós não recorremos a ti, ó Senhor nosso Deus, de maneira a nos afastarmos das nossas iniquidades e a nos aplicarmos ao conhecimento da tua Verdade. [14] Assim o Senhor vigiou sobre a malícia, e fez cair sobre nós o castigo dela; o Senhor nosso Deus é justo em todas as obras que fez, porque nós não ouvimos a sua voz. [15] E agora, Senhor nosso Deus, que tiraste os católicos do mundo ímpio com mão poderosa, e que adquiriste então um nome que dura até o dia de hoje, (confessamos que) temos pecado, que temos cometido iniquidade. [16] Senhor, por toda a tua justiça (ou misericórdia), suplico-te que aplaques a tua ira e o teu furor contra tua Igreja, e contra o teu santo monte; porque a Igreja Católica é hoje o escárnio de todos os que nos cercam, por causa dos nossos pecados e das iniquidades dos sacerdotes do Concílio. [17] Atende, pois, agora, Deus nosso, a oração do teu servo, e as suas preces; e sobre o teu santuário, que está deserto, faze brilhar a tua face, por amor de ti mesmo. [18] Inclina, Deus meu, o teu ouvido, e ouve; abre os teus olhos e vê a nossa desolação, e a da Igreja, na qual se invocava o teu nome; porque nós, prostrando-nos em terra diante da tua face, não fazemos estas súplicas (humildes) fundados em alguns merecimentos da nossa justiça, mas sim na multidão das tuas misericórdias. [19] Ouve, Senhor, aplaca-te, Senhor; atende-nos e põe mãos à obra; não dilates mais, Deus meu, por amor de ti mesmo, porque esta tua Igreja e este teu povo têm a glória de se chamarem do nome de teu Filho unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Kyrie eleison.

quarta-feira, abril 15, 2020

Comentários Eleison: A Igreja Sepultada – I

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 Comentários Eleison – por Dom Williamson

Número DCLXV (665) – (11 de abril de 2020):



A Igreja Sepultada – I


Em pequenos grupos a Igreja consegue sobreviver, mesmo sepultada,
E, erguendo-se novamente, ela terá todo tipo de vida.

Se se acredita em Nossa Senhora de La Salette e no Venerável Bartolomeu Holzhauser, o que estamos vivendo hoje é apenas o fim da Quinta Idade do mundo, não é ainda o fim da Sétima e Última Idade do mundo. A Quinta Idade deve terminar em um grande castigo, prelúdio da breve Sexta Idade, que será o maior e mais glorioso triunfo da Igreja em toda a sua história, prelúdio, por sua vez, da Sétima Idade, que verá o surgimento do anticristo, a maior perseguição de toda a história da Igreja e o ocaso do mundo tal como o conhecemos, que será misteriosamente substituído por "novos céus e uma nova terra" (II Pedro III, 13). Se é isso o que São Pedro, o Venerável Holzhauser e Nossa Senhora de La Salette quiseram dizer, certamente a Igreja se reerguerá de sua tumba atual bem antes de decolar no fim do mundo para o Céu. A questão é: como sobreviverá e sairá de sua tumba atual?

O ponto essencial que se deve compreender é que a Igreja pertence a Deus, que a Igreja é dirigida pelo Espírito de Deus, e que a ação deste Espírito Santo é comparável à do vento que sopra onde quer, e sabemos que está ali, porque podemos ouvi-lo, mas não sabemos de onde vem nem para onde vai (Jo. III, 8). Portanto, os pensamentos de Deus estarão muito acima dos nossos pensamentos como homens, e precisamos acostumar-nos, por exemplo, com que os primeiros sejam os últimos, e os últimos sejam os primeiros (Mt. XX, 16). Assim, desde 1970, quando a Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada, até 2012, quando seus líderes estabeleceram as condições para que a Fraternidade se voltasse sob os romanos conciliares, ela foi a vanguarda na defesa da Fé; mas desde 2012 ela passou a ser oficialmente como um cachorrinho de colo dos romanos. O Sistema tragou a Fraternidade, e, por ela ser um dos primeiros, passou a tornar-se um dos últimos, porque o Diabo não deixaria que ela se detivesse na metade do caminho.

Nesse ponto, muitos católicos da Tradição desejavam com todo o coração que uma pós-Fraternidade surgisse para tomar o lugar da Fraternidade. Mas uma pós-Fraternidade poderia muito bem não ter sido a vontade de Deus. Os anos de 2010 não eram mais os anos de 1970 ou de 1980, quando o Arcebispo Lefebvre conseguiu construir a Fraternidade mundial. A desintegração dos corações e das mentes foi muito mais avançada do que nos anos de 1970, e, desde 2012, está acelerando. Veja-se quão pouco bom senso os homens têm hoje, e cada vez menos. É claro que a graça de Deus pode transformar seres humanos desintegrados em católicos integrais, mas Deus raramente força o livre-arbítrio dos homens; portanto, se os homens insistirem em transformar seu interior em uma espécie de pântano lamacento, pode ser que o helicóptero da graça sobrenatural de Deus nem tente pousar, por receio de desaparecer na lama.

Certamente Deus manterá a Igreja ao longo dos anos de 2020. Será por meio de um movimento de “Resistência” sem estrutura nem organização, e com conflitos endêmicos entre os membros que resistem inclusive uns aos outros? Se todos os resistentes compartilham pelo menos a mesma Fé verdadeira, seu movimento ainda pode ser o candidato preferencial na defesa da fé, e sua falta de estrutura pode até ser inclusive uma vantagem caso isto signifique que não há uma única cabeça cuja captura seria demasiadamente suscetível de significar a queda de toda a estrutura, porque o homem moderno não sabe como obedecer ou desobedecer. E se os que resistem têm, além disso, um mínimo de bom senso e caridade, podem até continuar juntos sem ter de devorarem-se uns aos outros. E se a “Resistência” não é um rótulo pelo qual orgulhar-se, também não é uma coisa ruim, porque a situação já foi para muito além dos meros rótulos.

De qualquer forma, o que é vitalmente necessário para os católicos que desejam salvar suas almas mantendo a fé é ver como e por que o mundo que nos rodeia mina e corrompe sua fé católica. Não é necessariamente por falta de boa vontade ou de boas intenções; pelo contrário. Enquanto os protestantes originais eram inimigos abertos e amargos da fé, seus sucessores, liberais em todo o mundo, podem ser sinceramente amigáveis ​​com os católicos, sempre que estes compartilhem seu profundo princípio de que a verdade só pode ser subjetiva, que existe apenas um dogma, segundo o qual todos os outros dogmas são opcionais, que as ideias não importam, que "tudo que você precisa é de amor", que todas as religiões têm o mesmo Deus, e assim por diante. Esse dogma tornou-se tão instintivo que já nem é mais discutido, e é por isso que é tão perigoso. A verdade é descartada fora do tribunal, mesmo antes que se possam pôr os pés na sala. Mas, se não há verdade, como pode haver um Deus verdadeiro?

Kyrie eleison.

segunda-feira, abril 06, 2020

Comentários Eleison: Pensamentos da Quinta-Feira

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DCLXIV (664) – (3 de abril de 2020):




 Pensamentos da Quinta-Feira


A Igreja de nosso Senhor, amigos, segue a linha de Deus,
E não a nossa, por estranho que pareça.

Certamente muitos leitores conhecem a liturgia da Semana Santa, normalmente comemorada na próxima semana, as narrativas evangélicas da Paixão de Nosso Senhor, mas talvez não tenham pensado em quantos dos vários momentos da Paixão podem ser aplicados à situação dos católicos de hoje. Tomemos, por exemplo, o cativeiro de Nosso Senhor no Horto do Getsêmani. Ele disse muitas coisas, cada uma das quais é um mundo em interpretação.

Na noite de quinta-feira, Jerusalém está cheia de peregrinos da Judeia, da Galileia e da Diáspora, e há uma tensão elétrica em toda a cidade, porque todas as pessoas importantes estão lá está para a grande festa da Páscoa, e a tensão está centrada em torno de Jesus. Ele é muito amado por seus apóstolos e discípulos, e pelo grande número de pessoas que Ele ensinou, curou, consolou e ajudou nos últimos três anos de seu ministério terrestre. Por outro lado, parece que as autoridades religiosas do templo, os sumos sacerdotes e os escribas e fariseus o desaprovam severamente, e o querem absolutamente fora do caminho. O que Ele fez de errado? E o que eles vão fazer com Ele? A cidade inteira fala de Jesus.

Nessa atmosfera tensa, Ele celebrou a Última Ceia com Seus Apóstolos, acrescentando cerimônias estranhas, mas imensamente sérias, às do Antigo Testamento, e falando como se estivesse prestes a deixá-los. Ele envia Judas Iscariotes a seguir o caminho que este escolhera, e depois leva os outros Apóstolos ao Horto do Getsêmani. Estes estão assustados e inquietos, mas Pedro está pronto para lutar, tendo trazido uma espada consigo. Jesus deixa para trás oito dos onze, levando Pedro, Tiago e João ainda mais para dentro do olival, onde Ele lhes pede que rezem, advertindo-os de que, se não o fizerem, a tentação poderá pegá-los. Então Ele os deixa também para trás, e reza sozinho Sua terrível agonia em três partes, encontrando-os dormindo cada vez que volta a reunir-se com eles. Finalmente, Judas Iscariotes traz a Guarda do Templo para prender Nosso Senhor, longe das pessoas que se arriscaram para protegê-Lo, e o trai com um beijo. Pedro fica furioso, saca a espada e, em defesa de seu amado Mestre, corta a orelha de um servo do Sumo Sacerdote, somente para que Jesus lhe diga que baixe sua espada. Jesus dá três razões para isto.

Em primeiro lugar: "Todos os que usarem a espada, pela espada perecerão". Nosso Senhor não precisa ser o Valete dos Paus, mas o Rei e Copas, na luta essencialmente espiritual pela salvação eterna das almas. Isso Ele nunca pode fazer por meio de violência, que só gerará contraviolência. Em segundo lugar, da mesma forma: "Crês que não posso invocar meu Pai, e Ele imediatamente não me enviaria mais de doze legiões de anjos?". Obviamente, o Criador do universo tem ampla força física para derrubar exércitos inteiros de inimigos de Seu Filho, mas não é assim que Eles ganhariam almas, pelo contrário. A força superior só alienaria as almas fisicamente esmagadas por Deus. E em terceiro lugar: “Como então as Escrituras se cumpririam, segundo as quais é necessário que assim seja?”. O plano de Deus, consignado à Sagrada Escritura, tem sido desde toda a eternidade que Jesus alcançará as almas (uma minoria) por Ele mesmo sendo esmagado! Jesus vencerá sendo, como dizemos hoje, ao menos em aparência, um "perdedor"! Nesse ponto, é Pedro quem “perde”, e com total incompreensão de seu amado Mestre, ele foge, seguido pelos outros dez apóstolos.

Como muitos tradicionalistas homens de hoje, Pedro é um homem de homens. Ele é "macho". Não lhe falta nada de fé, coragem ou devoção em relação ao seu divino Mestre, mas dormiu, em vez de rezar no Horto. Se ele tivesse rezado em vez de dormir, seus pensamentos poderiam ter sido divinos em vez de humanos, humanos demais, e ele poderia ter entendido que Jesus estava marchando para um nível muito mais alto do que o de Pedro, por mais corajoso e devoto que Pedro tivesse sido. Pelo liberalismo ou pelo sedevacantismo, católicos hoje em dia cortam não apenas a orelha de um dos servos do sumo sacerdote, mas também cortam a cabeça do próprio Sumo Sacerdote por meio de uma quase-heresia suave ou de um quase-cisma. Mas o próprio Senhor não nos alertou que Sua Igreja também vencerá perdendo? No fim do mundo (Lc. XVIII, 8), não terá quase desaparecido? Mistério...

Kyrie eleison.

domingo, março 29, 2020

Comentários Eleison: O Mundo Transformado

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DCLXIII (663) – (28 de março de 2020):




O Mundo Transformado


Se os líderes terrestres fossem anjos, nós perderíamos,
O que Deus quis para nós, que é a felicidade celestial.

Dois eventos estão sacudindo o mundo, o coronavírus e o colapso do que tem sido o sistema financeiro mundial durante, talvez, os últimos dois séculos. Os dois eventos podem muito bem estar conectados. Vários comentaristas estão realmente mencionando Deus Todo-Poderoso, pelo menos com relação à propagação mundial do coronavírus, porque essa propagação é como uma praga, e, em épocas passadas em que não havia outro remédio, as pragas costumavam fazer os homens se voltarem para Deus. Mas esse Deus – que não mudou – quase certamente está desempenhando um papel mais importante nos dois eventos hoje do que a maioria das pessoas pensa.

Isso quer dizer que Deus causou a infecção mundial pelo coronavírus? Indiretamente, sim, porque Ele previu isso desde a eternidade e decidiu deixar que acontecesse. E que bem maior essa Sua permissão para a infecção poderia trazer? Vimos os governos de muitos países imporem restrições tais aos movimentos de seus cidadãos, que esses países estão virtualmente paralisados. Isso está dando aos cidadãos uma oportunidade séria para que se deem conta, em primeiro lugar, do quão frágil é o funcionamento de seu modo de vida moderno, tão vangloriado: nem é tão robusto, nem eles são os campeões da realidade, como poderiam ter pensado. E, em segundo lugar, pela grave interrupção de sua corrida de ratos normal, estão-lhes sendo dados um tempo e uma oportunidade que normalmente nunca teriam para refletir sobre essa mesma corrida de ratos: Quem sou eu? O que é a minha vida? O que estou fazendo com ela? Para onde vou? Infelizmente, muitos cidadãos modernos, assim providencialmente refreados, só querem acelerar novamente para voltarem a distrair-se dos pensamentos que evocam algo mais alto do que a sua apaixonante corrida de ratos...

Outra razão pela qual Deus pode não ter causado diretamente o coronavírus é a quantidade de especulações sérias de que o vírus não provém da natureza de Deus, mas dos laboratórios dos homens, onde os vírus da natureza são artificialmente muito mais prejudiciais e contagiosos para servirem como potenciais armas de guerra. E se é daí que vem o coronavírus, a quem pode culpar os homens por ele, senão a outros homens?

E não há apenas a manipulação do vírus, mas também a sua liberação – como ele escapou dos laboratórios para ameaçar a humanidade? A fuga foi um acidente ou foi uma liberação deliberada? Novamente, há muita especulação de que não foi um acidente, mas teria sido programada criminosamente para coincidir com o colapso do sistema financeiro mundial, também planejado. O vírus ajudaria o colapso de duas maneiras: em primeiro lugar, deteria, ainda que por um breve período, uma parte significativa do funcionamento das economias do mundo, forçando falências e um aumento generalizado do endividamento e da escravidão ao Poder Monetário global; e, em segundo lugar, um pânico exagerado sobre o vírus na mesma grande mídia dos globalistas serviria para distrair a humanidade de sua escravização, que dá um importante passo adiante. Certamente, se a crise financeira foi deliberada, a coincidência do vírus teria sido uma sorte inesperada para quem estaria por trás da crise.

Seja como for, há alguém por trás do crash de março das bolsas de valores ao redor do mundo, que de maneira nenhuma acabou? É claro que sim. O Poder do Dinheiro, que controla os governos com os quais trabalha, e tem tanto dinheiro à sua disposição que pode oscilar à vontade as bolsas de valores supostamente livres, para cima ou para baixo. Essas quedas a partir deste mês de março foram projetadas para causar uma grande transferência de riqueza dos pequenos investidores para o Poder do Dinheiro. Nesse caso, criou desde 1987 um mercado em alta de 33 anos para atraí-los e, uma vez que eles entraram, quebrou o mercado para despojá-los de seus ativos, enquanto ele mesmo apostava no mercado em queda e fazia uma fortuna. E os governos protegem o Poder do Dinheiro, porque ele os comprou há muito tempo.

E Deus Todo-Poderoso? “Meus filhos, se insistis em adorar Mamon e o materialismo em vez de Mim, é isso que vos acontecerá: Vós desprezastes a minha religião para substituí-la pela política. Adorastes vossos governos em vez de vosso Deus. Vós acreditastes em dinheiro em vez da caridade para com vossos semelhantes. Vós estais surpresos agora que os governos, a política e o dinheiro os decepcionam? Ou estais magoados porque vos tenha decepcionado? Filhos, estou vos oferecendo o Paraíso, e por toda a eternidade!

Kyrie eleison.

segunda-feira, março 23, 2020

Comentários Eleison: Malícia do Modernismo - III

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DCLXII (662) – (21 de março de 2020):


Malícia do Modernismo – III



No princípio era meu altíssimo intelecto.
Ele deixa bastante para trás a pobre realidade de Deus!

Se existe algo que um sacerdote católico precisa conhecer e compreender a fundo hoje em dia, é a frase fundamental no coração da grande carta encíclica de São Pio X, Pascendi, escrita em 1907 para defender a Igreja e a humanidade da ameaça mortal do modernismo. O modernismo é o movimento de pensamento e ação pelo qual os homens deixam de mudar o mundo para adaptá-lo a Cristo e Sua Igreja, e trabalham, em vez disso, para mudar Cristo e Sua Igreja para adaptá-los ao mundo moderno. E qual é a frase fundamental da Pascendi pela qual isto deve ser feito? Ei-la, retirada do parágrafo 6 (ou de outro próximo) da Encíclica:

“A razão humana está completamente confinada no campo dos fenômenos, isto é, das coisas perceptíveis aos sentidos e da maneira com que são perceptíveis; ela não tem o direito nem o poder de ir além desses limites”.

Em outras palavras, a mente humana, que na verdade lê o dia inteiro por trás do que aparece aos sentidos, é finalmente declarada pelo homem moderno como incapaz de ler por trás das aparências! Em outras palavras, o que me parece uma porta poderia ser uma parede, o que me parece uma parede pode ser de fato a porta. Do que se deduz que pode ser melhor eu tentar atravessar a parede do que atravessar a porta! Certamente, essa é uma estupidez tão grande que ninguém ficará surpreso ao saber que mesmo os seguidores modernos de Immanuel Kant (1732-1804), que inventou a estupidez, raramente tentam atravessar paredes. Em outras palavras, eles conseguem viver sem levar a sério a sua própria filosofia. Eis por que a filosofia moderna ficou com uma reputação tão ruim. No entanto, o completamente estúpido Kant reina supremo nos departamentos de filosofia de quase todas as "universidades" de nosso tempo! Como isso pode ser possível?

Porque Kant é o grande libertador. Foi ele quem de uma vez por todas libertou a mente da realidade. Foi ele quem decretou que a mente está livre da realidade externa porque não tem acesso a ela! A mente não pode chegar à realidade tal como é em si mesma, o "Ding an sich", porque não pode ir para o que está por trás do que os sentidos lhe mostram. Não importa se eu posso viver apenas assumindo vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, que meus sentidos me estão dizendo o que é real ao meu redor, como o que minha mente ou intelecto é capaz de decifrar aquilo, ou ler dentro daquilo, que meus sentidos me mostram. A partir de Kant, a realidade à minha volta é cada vez menos interessante. O que importa é a "filosofia transcendental", como ele a chama, ou seja, o pensamento que subirá às alturas e penetrará as profundezas da minha fantasia com independência total da realidade enfadonha do cotidiano, como as portas e as paredes. Minha mente decolou! Minha mente está livre da realidade! De agora em diante, tudo o que eu quero é "verdadeiro"! De fato, a palavra "Verdade" assumiu um significado muito diferente. De fato, todas as palavras adquirem um significado transcendental. A liberdade reina na minha cabeça!

No entanto, se alguém insistir em levar-me de volta ao que chama o mundo real, ainda posso optar por assumir, como todos os pobres não universitários, que para continuar sobrevivendo (“ui!”) no mundo enfadonho (“ui!”), é melhor não tentar atravessar aquilo que parece parede, e é melhor não tentar comer pedras. Em outras palavras, minha mente é transcendentalmente superior a, e livre de, todo o seu "senso comum" ("ui!"), Mas ainda posso operar de acordo com ele – quando eu escolher – para propósitos da vida diária ("ui!”).

Ora, a liberdade é a verdadeira religião do homem moderno, e é a religião aparente, aquela que tem na vida de muitos católicos todas as aparências, mas nada da substância da verdadeira religião. Como diz São Paulo: "No final dos tempos... os homens... manterão a forma da religião, mas negarão o poder dela" (II Tim. III, 1-5), em outras palavras, manterão as aparências, mas negando a substância. O que são esses católicos? Eles são precisamente católicos kantianos, ou modernistas, porque quase todo mundo hoje em dia é kantiano, porque quase todo mundo hoje em dia adora a liberdade, e foi Kant quem finalmente lhes deu a chave para sair da prisão da realidade de Deus e escapar para as nuvens da modernidade transcendental. Sempre posso submeter-me a Deus novamente pelo tempo que eu quiser, mas Ele não pode mais manter-me em cativeiro. Eu sou livre, eu sou livre, eu sou livre!

A incrível perversidade, o incrível orgulho e a incrível perfídia de Kant deveriam começar a serem expostos. Mais do que nunca,

Senhor, tende piedade.